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Governo Bolsonaro: Juros e inflação aumentarão e real será desvalorizado em 2022

Governo Bolsonaro: Juros e inflação aumentarão e real será desvalorizado em 2022
Foto: Isac Nóbrega/PR

O último Boletim Focus publicado nesta semana prevê que o Brasil vai de mal agora, a pior em 2022. Segundo as estimativas, todas variáveis econômicas importantes sofrerão declínio no ano que vem. E olha, já não está nada boa a situação atual.

Para se ter uma ideia do quanto a situação preocupa, o Índice de preços no consumidor (IPCA), que é calculado com base no preço médio de alguns bens de consumo e serviços em um país e é comparado com os anos anteriores – ou seja, a inflação – apresenta uma expectativa de 10,18%. O IPCA só atingiu mais de 10% nos últimos 20 anos, duas vezes: em 2022 quando alcançou 12,53% e em 2015 quando bateu 10,67%.

Em 2002 a inflação foi puxada especialmente pela elevação internacional dos preços das commodities, segundo declarações de especialistas à imprensa na época. Em 2015 o que elevou os preços, segundo os analistas também à época, foi o descontrole dos gastos públicos. Porém, um fator importante precisa ser colocado na balança: nesse mesmo ano o candidato derrotado nas eleições de 2014, Aécio Neves (PSDB-MG), travou uma disputa judicial para anular o resultado do pleito, o que gerou um efeito cascata no país, afastando investidores e gerando um clima de tensão política que resultou no impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

Já o que está elevando a previsão de inflação do ano que vem é apenas um fator: governo Bolsonaro. As constantes crises causadas pelas falas de Jair Bolsonaro (sem partido), Paulo Guedes e outros, tem afastado investidores do Brasil, incentivado a venda de produtos para o exterior ao invés de aquecer o mercado interno e gerado, semana sim e semana também, um clima de tensão política.

O momento só não se assemelha a 2015, porque Bolsonaro comprou o Centrão com as emendas de relator – que muitas vezes são desviadas para engordar o bolso de políticos corruptos -, tem feito ameaças constantes de subverter a democracia e mantém cisões frequentes com países que sempre foram parceiros importantes para o Brasil.

Outro fator relevante que tem afastado investidores do Brasil e elevado a perspectiva negativa para a condição de vida dos brasileiros, é a destruição, desenfreada e incentivada pelo governo, do meio ambiente. Não foram poucas as vezes que o próprio presidente ou que o ex-(des)ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, incentivaram o agro negócio predatório, o garimpo, a invasão em terras indígenas e o desmatamento ilegal. Tudo isso com falas disfarçadas de pró-mercado, enquanto, na verdade, eram pró-crime mesmo. Porém, ambos não têm para assumir publicamente que defendem bandidos que se assemelham a eles. O mundo não aceita mais comprar produtos de países que destroem o meio ambiente e aos poucos está nos castigando por isso.

Bolsonaro assumiu o poder com apoio da “mão invisível do mercado”, que agora soca a cara dos brasileiros, em especial os mais pobres. Enquanto o Brasil alimenta 800 milhões de pessoas pelo mundo (10% da população da Terra), por aqui, na gestão Bolsonaro, 19 milhões passam fome, enquanto 116 milhões (quase metade dos brasileiros) vive com insegurança alimentar. Com esse governo os mais pobres voltaram a cozinhar à lenha e fazem fila para pegar restos de osso para alimentar a família.

Muitos votaram em Bolsonaro porque ele e Guedes fariam um milagre na economia. E realmente fizeram: conseguiram o incrível resultado de colocar o real como a 16ª moeda que mais desvalorizou no mundo. Com isso, o dólar fica ainda mais caro e a gasolina sobe. Com a gasolina alta, tudo que precisa ser transportado por terra sobe também. Logo, os preços dos alimentos disparam e o resultado é o milagre da fome acentuada em um dos principais produtores de alimentos do mundo.

O governo Bolsonaro é o governo do impossível, temos que reconhecer, afinal, alguém achava possível jogar o Brasil em uma cova tão funda?

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record, Gazeta do Povo e Congresso em Foco. Foi repórter de rede da Band e Bandnews TV e rádio BandNews FM, em Brasília. Fundador do Regra dos Terços.

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