fbpx

GREENPEACE PREMIA ARTHUR LIRA COM A MOTOSSERRA DE OURO 2021

GREENPEACE PREMIA ARTHUR LIRA COM A MOTOSSERRA DE OURO 2021
Entrega do Prêmio Motosserra de Ouro 2021 em Brasília. Foto: © Adriano Machado / Greenpeace

O Greenpeace Brasil realizou um protesto no Anexo II do Congresso Nacional na manhã desta terça-feira (17). Na ocasião os ativistas encenaram a entrega do Prêmio Motosserra de Ouro Edição 2021 ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Os participantes da encenação se vestiram com trajes de gala e desfilaram por um tapete vermelho e acompanharam a entrega do prêmio a um homem caracterizado de Arthur Lira, exibindo seu crachá de “funcionário do mês do (des)governo Bolsonaro” e segurando um molho de chaves.

Em nota, Thais Bannwart, porta-voz de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil, disse que Lira vem seguindo à risca o compromisso com o projeto de destruição ambiental de Bolsonaro, prova disso é que, em seis meses de mandato, Lira conseguiu aprovar o texto do Projeto Lei (PL) 490/2007 do licenciamento ambiental e, recentemente, o PL 510/2021 da grilagem, atualmente em tramitação no Senado. 

Entrega do Prêmio Motosserra de Ouro 2021 em Brasília. Foto: © Adriano Machado / Greenpeace

“São projetos como estes que impulsionam o desmatamento, o fogo e a violência contra povos indígenas e do campo, além de agravar a emergência climática”, apontou Bannwart.  “Por tudo isso, Lira tem se mostrado o grande merecedor do prêmio Motosserra de Ouro Edição 2021 e é hora de entregarmos esse troféu a ele”, declarou. 

Para o Greenpeace, a votação de projetos importantes que dizem respeito principalmente ao meio ambiente estão acontecendo sem a participação da sociedade e que os parlamentares têm aproveitado que a população está preocupada com vacina e comida para aprovar tais medidas. 

“As chaves que o Lira de mentira carregava na encenação de hoje simbolizam a casa do povo fechada a sete chaves pelo próprio Arthur Lira, que se aproveita desse período de distanciamento social e age de maneira antidemocrática, pautando e aprovando projetos sem a devida participação da sociedade e transparência nas votações”, comenta Thais.

A manifestação acontece uma semana após a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou o relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que alerta sobre a emergência climática que estamos vivendo e revela que a influência humana é responsável por alta de 1,07°C na temperatura global. 

O Brasil tem um papel fundamental no enfrentamento da crise do clima e o desmatamento da Amazônia, que segue batendo recordes mês a mês, é a principal fonte de emissões de gases do efeito estufa no país. Por isso é primordial alcançarmos o desmatamento zero com leis para conter a ação humana na destruição ambiental. 

“Estamos diante de uma crise climática que se agrava com os recordes de queimadas e desmatamento, mas em vez de  prevenir e combater o crime ambiental, Lira e seus aliados no Congresso optam pelo enfraquecimento das políticas de proteção ambiental, das atividades de fiscalização e atuam para legalizar o ilegal”, completa Thais.

Na opinião de Adriana Ramos, associada do Instituto Socioambiental (ISA), a atuação de Lira frente aos retrocessos que vem sofrendo o meio ambiente e o clima é coerente com a premiação dada pelo Greenpeace. “A atuação do presidente da Câmara ao viabilizar a aprovação de legislações importantes sem o devido debate, sabendo dos impactos negativos que essas legislações terão ao meio ambiente e ao clima no Brasil, qualifica ele para receber o prêmio”.

“Em apenas seis meses à frente da Presidência da Câmara, o deputado Arthur Lira já se igualou ao antiministro Salles nos danos à política ambiental. Viabilizou a votação de duas leis com conteúdo muito ruim, um texto sobre licenças ambientais que na prática implode com o licenciamento no país e a Lei da Grilagem. Toda semana anuncia pautas com retrocessos ambientais. Além disso, leva os processos diretamente ao plenário, com relatórios que aparecem de última hora, praticamente ninguém consegue ler antes de votar. Um verdadeiro desastre”, afirma Suely Araújo, especialista sênior em Políticas Públicas do Observatório do Clima.

Participaram da ação organizações da sociedade civil, como Observatório do Clima, Instituto Socioambiental (ISA), Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) e Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). 

Wanessa Alves

Estudante de jornalismo na Universidade de Brasília (UnB) e estagiária no Regra dos Terços. 

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: