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Homem larga tudo para viajar o Brasil de Kombi: “que seja eterno enquanto durar”

Homem larga tudo para viajar o Brasil de Kombi: “que seja eterno enquanto durar”

Não deu ar na moleira, não. Foi só a oportunidade de sonhar, ao invés de planejar, que surgiu na vida de Samuel Martins, o “Samuca”. O catarinense, de 26 anos, viu o desejo de botar o pé na estrada se materializar em uma kombi 1997 alaranjada. “Eu pedi muito [uma kombi] para Deus. Eu sempre fui apaixonado por elas. Quando apareceu essa, que é uma kombi da Elma Chips, eu consegui montar uma casinha bem legal dentro. Quando eu peguei ela, eu gritava, chorava. Não consigo descrever a sensação”, relembra sorridente. Para batizar o veículo, ele pegou carona na marca que já estampava a lataria: Elma Trips é como o aventureiro chama a única companheira de viagem.

O start na jornada solo começou na pandemia da Covid-19. A família, da cidade de Barra Velha, no litoral de Santa Catarina, não o impediu, mas estranhou os planos nada objetivos do rapaz. “A mãe geralmente é mais protetora, né. ‘Filho, você vai fazer isso? Que loucura’, ela dizia. Eu saí com um dinheirinho que eu guardei de uns meses pra cá, pra me virar na estrada. Mas, comigo não tem crise”, comenta Samuca. Foi com um casal de amigos, uma cerveja e uma madrugada adentro que o rapaz comprou passagem para o nordeste do país – Olinda, Recife, Porto de Galinhas. Foram 22 dias. O bastante para que ele se encantasse, o suficiente para ter vontade de arrumar as malas e sair de casa. Mas ele ressalta que o preço mais baixo da passagem ajudou a fazer aquela viagem.

Samuca e a Elma Trips, em São Francisco. Como o aventureiro diz, “São Chico”/ Foto: Reprodução Redes sociais

Ao conhecer a história dele por meio das redes sociais e do YouTube, onde mostra trechos do caminho que percorre, seria fácil imaginar que Samuel tem pais com boas condições financeiras. Afinal, talvez nem todos possam deixar a vida de “carro, moto e casa comprada” e passar os dias entre asfaltos e trilhas. Mas não é o caso.

“Hoje, eu acho que um homem que passa fome não é um homem”, brinca. “Eu trabalho, eu posso fazer brigadeiro para sobreviver. Quem tem vontade, não passa necessidade”. Antes de adquirir a Elma Trips, ele trabalhava como bombeiro e salva-vidas na cidade Natal. E agora com os “bicos” e trabalhos, ele pode continuar as viagens.

Mas se Samuca largou pais e trabalho para concretizar o sonho, também deixou um amor pelas bandas de lá. “Minha sobrinha, de dois anos”, conta. Ao mesmo tempo em que o rapaz parece desapegado dos bens materiais e das próprias pessoas que o cercaram por tantos anos, ele também demonstra uma forte ligação com as raízes. E, para isso, abre mão da “vibezinha roots”, como ele mesmo diz, e se utiliza da tecnologia para estar mais perto da sobrinha.

Questionado de onde termina a estrada, onde está o destino final, ele prefere não explicar. “Eu quero viver. Conheci pessoas que constroem família, seguem por outros caminhos. Eu não”, desabafa Samuca. Muito crente e ligado à religião, ele define a trilha que está em curso com algo que vale para todos os aspectos da vida: “que seja eterno enquanto durar”. Até lá, Samuca, a kombi alaranjada e Deus continuam pelo Brasil afora.

Eduardo Veiga

Estudante de Jornalismo e redator freelancer. Já trabalhou em Rádio Banda B, Portal Banda B e publicou no Jornal Plural. Atualmente, é estagiário no Regra.

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