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Ativista LGBTQIA+ é homenageada pelo Google

Ativista LGBTQIA+ é homenageada pelo Google

Olá querides companheiros e companheiras! Janaina Dutra, mulher trans, advogada e ativista dos direitos LGBT’s, foi homenageada pelo Google Doodle. A advogada faleceu em 2004, deixando um legado muito importante na luta da comunidade LGBTQIA+. Mas afinal, quem é essa mulher que faria 61 anos e que uma empresa tão grande como a Google abriu este espaço para relembrar e homenagear sua história?

Janaina se tornou a primeira travesti do Brasil a exercer a advocacia como membro da OAB. Infelizmente ela faleceu em 2004, aos 43 anos, vítima de um câncer severo de pulmão. Porém ocupou um espaço gigantesco de respeito e visibilidade dentro de uma ala do direito que pouco se abre para a comunidade Trans e Gay assumidos.

Biografia

Nascida em 1960, no município de Canindé no Ceará, a moça além de passar dificuldades por ser uma pessoa trans também carregava a estigma de ser nordestina, sofrendo com xenofobia por boa parte de sua história de vida.

Foi somente aos 14 anos que sua sexualidade foi descoberta pela família, que a apoiou até o fim, porém passou também a ser vítima de homofobia fora de casa. Sempre muito destemida e sem se deixar intimidar, foi morar com uma irmã em Fortaleza e passou a se dedicar à defesa da comunidade LGBTQIA+. Dutra era conhecida por sempre levar consigo uma cópia da lei anti-homofobia de sua cidade natal. A ativista teve papel fundamental na luta por sua aprovação.

Por culpa de todas as batalhas pra ser quem nasceu pra ser e pra liderar os movimentos contra a injustiça, e o preconceito, que decidiu estudar Direito e logo se formou na Universidade de Fortaleza e em seguida foi aprovada no exame da OAB. Foi então que pôde exercer com dignidade seu lugar de fala, e conseguiu se lançar à frente de vários movimentos de apoio as causas que acreditava.

Em meados da década de 1980, Janaina desenvolveu a primeira campanha de prevenção do HIV no Brasil, tendo como foco principal a comunidade transgênero, com a parceria do Ministério da Saúde. Sabemos que nesta época muitos artistas e pessoas conhecidas lidavam com o HIV e precisavam de incentivo à prevenção e cuidados.

O grande vocalista e líder da banda Barão Vermelho, Frejat, foi uma das vítimas fatais do vírus que rondava as grandes festas e eventos da época, sem que as pessoas tivessem a consciência de como evitar e tratar. Portanto ter uma voz para encabeçar grandes campanhas como estas foram de grande importância para o país e para o mundo.

“Janaína Dutra é uma grande referência do movimento pelos direitos humanos no Brasil. A gente precisa dar a dimensão que ela tem não só como uma ativista travesti, que ocupou algumas funções super importantes desse ativismo localmente aqui no Ceará, como também nacionalmente”, disse Dediane Souza diretora da Rede Trans Brasil e ex-coordenadora do Centro de Referência LGBT Janaína Dutra, em entrevista ao G1.

O trabalho de Janaina Dutra não parava nunca, com o espaço que tinha tomado pra si, ela contribuiu para a fundação do Grupo de Resistência Asa Branca e foi também a primeira presidente da Associação de Travestis do Ceará.

 “Quando a gente fala de mulheres trans, travestis, sempre chega no assunto do mercado de trabalho informal, no acesso à educação, e Janaína ter se formado em Direito, ter sua carteira da OAB do Brasil, tudo isso foi histórico, significativo e muito importante”, relatou a coordenadora Geral da Atrac, Yara Canta, ao G1.

centro de referencia janaina dutra
Centro de referência LGBT que leva o nome de Janaina Dutra. Foto: Divulgação/Prefeitura de Fortaleza

A bandeira dessa mulher destemida e forte sempre foi a bandeira da inclusão, da anti-homofobia, do fim das discriminações e do auto cuidado. Por isso, mesmo tendo tido uma passagem breve na Terra, deixou um legado enorme para a comunidade Trans, um legado de coragem e de resistência, então nada mais do que merecida a homenagem feita pelo Google, para lembrar que precisamos ser livres para sermos quem somos!

Jhey Borges

Jenifer Borges, publicitária, colunista e ativista das causas das mulheres, negros, jovens e LGBTQIA+, escrever é um ato político desde que suas palavras sejam condizentes com igualdade social e sua própria índole

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