fbpx

Os aspectos machista e racista do mercado de ilustrações no Brasil

Os aspectos machista e racista do mercado de ilustrações no Brasil
Imagem: Daphne_ilustra

Na semana passada, você começou a acompanhar a série de reportagens do Regra dos Terços sobre ilustradoras brasileiras. Não há dados recentes disponibilizados sobre a quantidade de mulheres ilustradoras no Brasil, dentre as que trabalham de forma autônoma, como freelancer e que possuem CNPJ, muito menos sobre a remuneração dessas profissionais, uma vez que não há piso salarial para este setor da economia. No entanto, quem está neste mercado de trabalho observa que há uma desvalorização do trabalho desenvolvido por mulheres em relação ao feito por homens.

Para Daphne, há uma desvalorização e uma monetização bem menor em comparação com artistas masculinos e em especial brancos. “Sempre observo grandes marcas chamando sempre os mesmos ilustradores, e quando isso chega na ponta é sempre negociado valores muito baixos com uma quantidade de entrega surreal”, conta. 

A ilustradora denuncia que algumas empresas que levantam bandeiras em apoio a diversidade contratam, principalmente, ilustradoras negras, indígenas e LGBTQI+ apenas quando querem economizar no orçamento ou fazer permuta. “Esse mercado tem muito o que melhorar ainda. Eu não vejo um real movimento e interesse de ilustradores homens em furarem a bolha dessas panelas indicando mulheres”, aponta. 

Ilustrações de pessoas reais

Para Daphne, o interesse por ilustração começou ainda na infância, ou como ela costuma dizer “desde que me entendo por gente”. Incentivada pela mãe, ela seguiu desenhando durante a infância e adolescência por paixão pela arte de ilustrar, mas o intuito dela era tornar a habilidade uma profissão. 

“No meu ensino médio eu seguia com a vontade de desenhar, mas naquela época não tinha muitas profissões e cursos que tinham a ver com a área. No terceiro colegial soube de um curso técnico em interlagos chamado Nossa Senhora de Fátima, fiz o mais próximo que tinha de ilustração e criatividade, que era o curso de design, desde então segui com a profissão e sempre usava as ilustrações como base para a maioria dos materiais que produzia. Sigo com as duas profissões atualmente”, conta. 

Durante a trajetória da Daphne no mundo do design, ela se formou em design de animação pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e começou a compartilhar os trabalhos que realiza com os seguidores nas redes sociais. O traço da paulistana chama atenção pelo detalhes. Ao desenhar seres humanos, Daphne faz questão de exaltar a beleza dos corpos reais, as dobrinhas da barriga, as rugas, os sinais, a curvatura dos cabelos e os diversos tons de pele.  

Daphne conta que as ilustrações dela são resultado das diversas pesquisas que ela faz sobre histórias, fenótipos, povos e outras culturas. “Isso me causa um fascínio tão grande, parece um mundo novo pra descobrir. Isso me inspira muito nas minhas ilustrações pessoais, e por isso desenho muito mais pessoas que cenários e objetos”, diz. 

Wanessa Alves

Estudante de jornalismo na Universidade de Brasília (UnB) e estagiária no Regra dos Terços. 

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: