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Inpe deixará de monitorar desmatamento no Cerrado por falta de verba

Inpe deixará de monitorar desmatamento no Cerrado por falta de verba
Mayke Toscano/Governo de Mato Grosso

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) anunciou que poderá deixar de monitorar o desmatamento no Cerrado por falta de verba. O programa de vigilância é mantido por um fundo internacional. De acordo com informações do Jornal Nacional, da TV Globo, o convênio do governo brasileiro com o Banco Mundial, financiador do fundo , não foi renovado em 2021, por falta de interesse do governo federal.  

Com a falta de monitoramento, o abastecimento hídrico no Brasil ficará extremamente ameaçado. De acordo com a Rede Cerrado, o bioma abriga oito das doze regiões hidrográficas brasileiras e abastece seis das oito grandes bacias hidrográficas do Brasil (Amazônica, Araguaia/Tocantins, Atlântico Norte/Nordeste, São Francisco, Atlântico Leste e Paraná/Paraguai). Além disso, é no Cerrado onde estão localizados três dos principais aquíferos do país: Bambuí, Urucuia e Guarani.

Em publicação, a Rede Cerrado alertou sobre o grave risco que a falta de monitoramento de queimadas pode gerar no país. “O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil, com 198 milhões de hectares, e apresenta diferentes tipos de vegetação nativa. Como hotspot de biodiversidade, é a savana mais biodiversa do mundo e está sob elevado grau de ameaça. Quase metade já foi desmatada: 54,5% de seu território ainda é coberto por vegetação nativa, sendo que 44% encontra-se justamente no Matopiba [região do Cerrado que compreende os Estados da Bahia, do Maranhão, do Piauí e do Tocantins]”.

No ano passado, organizações que fazem parte da Rede Cerrado solicitaram ao Inpe informações sobre os recursos utilizados para garantir a continuidade do monitoramento no Cerrado. Na época, o Inpe afirmou que os recursos para manter o programa só eram suficientes até janeiro deste ano. 

“O Programa de Monitoramento da Amazônia e demais biomas recebe recursos orçamentários através da ação 20V9.PO0001. Entretanto, os recursos ora alocados cobrem somente as ações de monitoramento da Amazônia Legal brasileira. Para os demais biomas brasileiros o Inpe vem contando com recursos extraorçamentários. No caso do bioma Cerrado, os sistemas Prodes e Deter são financiados com recursos do Forest Investment Program — FIP, em um contrato de doação firmado entre o Banco Mundial e o MCTI. O referido contrato será finalizado em dezembro de 2021”, informou o órgão.

“Outras fontes extraorçamentárias estão sendo exploradas para o financiamento das atividades do Prodes/Deter Cerrado, mas ainda não garantiram o aporte, ou seja, há possibilidade de o monitoramento do bioma Cerrado ser interrompido após janeiro de 2022”, conclui o texto.

O Inpe utiliza sistemas de monitoramento via satélite para vigiar a situação do desmatamento no Cerrado e também na Amazônia. Por meio das imagens e dados captados pelos satélites é possível dimensionar e saber onde e quantos são os focos de incêndio nesses biomas. Diariamente, por meio do projeto Deter do Inpe, são enviados alertas sobre o desmatamento. 

Além dos equipamentos, para o projeto funcionar de forma plena, é preciso uma equipe para ler e analisar os dados coletados. No monitoramento do Cerrado, cerca de 20 pessoas são responsáveis por fazer essa vigilância.  

Recorde de queimadas no Cerrado em 2021

O ano de 2021 registrou altos números de focos de queimadas no Cerrado e na Amazônia. Segundo dados do Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de 1° de janeiro a 31 de agosto de 2021 foram registrados 31.566 focos de queimadas no Cerrado, maior número desde 2012, quando foram contabilizados 40.567 focos. O cenário em 2012 era semelhante ao atual, com pouca chuva, o que influencia a propagação de incêndios no cerrado.  

O bioma Amazônico também registrou alto número de queimadas. Apenas em agosto deste ano foram identificados 28.060 focos de calor. Este é o terceiro maior índice para o mês de agosto desde 2010, perdendo apenas para 2019 e 2020, períodos que também bateram recorde de queimadas não só na Amazônia como também no bioma pantaneiro.

 

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