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INTERNET 5G: SAIBA COMO FUNCIONA A TECNOLOGIA QUE ESTÁ PRESTES A CHEGAR NO BRASIL

INTERNET 5G: SAIBA COMO FUNCIONA A TECNOLOGIA QUE ESTÁ PRESTES A CHEGAR NO BRASIL
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A internet 5G está prestes a chegar ao Brasil. O Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já decidiu destinar quatro faixas de radiofrequência para leilão, que deve ocorrer ainda neste ano. Mas você sabe como funciona essa tecnologia?

A professora do Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Brasília, Priscila Solis, explica que a internet, como rede, nasceu antes das redes celulares que só surgiram algumas décadas depois, ainda distante de se tornar o que conhecemos hoje como internet móvel. 

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

“A rede celular, que consiste em prover serviços de comunicação a partir do espectro electromagnético aéreo, ou seja, comunicação sem fio, surgiu como rede nos anos 90 com o sistema AMPS, que não tinha serviços de Internet e somente de transmissão de voz,  e depois foi evoluindo para outros sistemas como GPRS, EDGE, GSM, 3G e 4G”, explica. 

A mais recente tecnologia de internet móvel tem taxas de transmissão bem maiores que as duas mais antigas, 3G e 4G, que permite utilizar de forma transparente e até customizada, qualquer serviço/aplicativo  da Internet. 

“A rede 5G então envolve um avanço tecnológico considerável na área das telecomunicações globais pelo impacto que deve ter no market share de operadoras e fabricantes de hardware [equipamentos], nos custos dos serviços para clientes e na evolução destes serviços para o que é hoje chamado de digitalização da sociedade”, diz Solis, que também é coordenadora do projeto 5G-Range-5G for Remote Areas Access, apoiado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela União Europeia.  

Atualmente, a geração de internet utilizada no país em áreas urbanas e com boa cobertura é a 3G e 4G. Em regiões afastadas dos grandes centros ou em áreas rurais o utilizado é o 3G, que tem uma cobertura bem dificultosa, quando comparado com outros países. Solis explica que a nova geração de internet pretende unir e otimizar os serviços de telecomunicações, as infra-estruturas, com os serviços computacionais, o que é muito vantajoso  para as operadoras, fabricantes e clientes.

“E a principal proposta de rede 5G é utilizar uma transmissão sem fio de altíssima velocidade e ampla cobertura, o que permitirá que surjam aplicações e serviços que antes não eram possíveis. Com a nova rede, se vislumbram serviços tais como digitalização da manufactura, agricultura, trânsito, saúde, entre outras. Um exemplo recente desses novos serviços são os veículos autónomos, considerado um dos cenários mais interessantes e promissores da rede 5G”, elenca. 

Infraestrutura

A tecnologia demandada em edital para a internet 5G deve ser no padrão standalone, que permite o tráfego de dados de até 100 vezes mais rápido que o atual do mercado de telecomunicações, a 4G, pois utiliza um espectro de rádio mais abrangente, o que permite que mais aparelhos móveis se conectem simultaneamente, com mais estabilidade do que as redes atuais. 

Solis explica que a padronização da arquitetura da rede 5G está em discussão em diversas instituições, uma delas a Projeto de Parceria de 3ª Geração (3GPP), que em parceria com outras organizações desenvolve padrões de telecomunicações. De acordo com esse projeto, as frequências do espectro recomendadas são em MhZ ou Ghz, além de outros padrões que contribuem para o funcionamento em conjunto dessa tecnologia.  

“É bom observar que estas tecnologias cobrem desde a infra-estrutura física (torres de transmissão, antenas, dispositivos) até os serviços de Internet, que usam o conceito de virtualização de funções, funcionalidades já existentes hoje na computação em nuvem”, esclarece Solis. 

A faixas de radiofrequência aprovadas para licitação foram: 700 MHz; 2,3 GHz; 3,5 GHz e 26 GHz. A empresa que arrematar a faixa 3,5 GH, a mais indicada para a internet 5G, é responsável por todas as etapas de migração da TV parabólica, para a frequência via satélite, para evitar interferência na internet, pois elas atuam na mesma frequência. 
A professora explica que os padrões para os novos aparelhos que receberam a internet 5G, como telefones celulares, por exemplo, devem seguir as regras nacionais que ainda serão discutidas. “Hoje, um dos órgãos encarregados por parte desse processo de homologação é a Anatel. Mas claro que esse processo somente faz sentido depois de que seja realizado o leilão de 5G no Brasil, em que devem ser definidas todas as regras de operação da rede 5G no país”, explica.

Wanessa Alves

Estudante de jornalismo na Universidade de Brasília (UnB) e estagiária no Regra dos Terços. 

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