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Invasão de Rio Madeira por garimpeiros é reflexo do discurso de Bolsonaro, diz Greenpeace

Invasão de Rio Madeira por garimpeiros é reflexo do discurso de Bolsonaro, diz Greenpeace
Foto: Bruno Kelly / Greenpeace

A invasão do Rio Madeira, no Amazonas, por centenas de garimpeiros ilegais é um reflexo do discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), segundo a porta-voz do Greenpeace Brasil. Uma operação de sobrevoo organizada pela ONG nesta terça-feira (23) constatou que centenas de balsas estão, há cerca de duas semanas, localizadas sob o Rio Madeira para a extração ilegal de ouro.

A movimentação começou quando surgiu a informação de que haveria ouro na região. Áudios obtidos pelo jornal Estadão mostram um suposto garimpeiro falando em montar um “paredão” de balsas, com pessoas ao redor dos equipamentos, para reagir a qualquer tipo de abordagem para fiscalização. O grupo também ameaça órgãos de proteção ambiental, como o Ibama e o ICMBio.

“O que vimos no sobrevoo é o desenrolar de um crime ocorrendo à luz do dia, sem o menor constrangimento. Isso tudo, óbvio, é referendado pelo presidente Bolsonaro, que dá licença política e moral para que os garimpeiros ajam dessa maneira”, declara Danicley Aguiar, porta-voz da campanha Amazônia do Greenpeace.

O garimpo é feito a partir da utilização de dragas, equipamentos que cavam o fundo do rio em busca do minério. Todo o material coletado é filtrado e a água é devolvida ao rio. Além de ilegal, o trabalho realizado pelas dragas polui e impacta diretamente o meio ambiente e as comunidades ribeirinhas e indígenas.

As atividades de exploração mineral naquela região não estão licenciadas, segundo o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). Ainda segundo o Ipaam, pode haver outras possíveis ilegalidades na região que devem ser investigadas, como o uso de mão de obra escrava, tráfico, contrabando e problemas com a capitania dos portos.

De acordo com Danicley, “O Madeira é o rio com a maior biodiversidade no mundo. Abriga pelo menos 1.000 espécies de peixes já identificadas, e sua bacia contribui com 50% do total da carga de sedimentos suspensos transportados pelo rio Amazonas. Trata-se de um gigante que agoniza com hidrelétricas e uma epidemia de garimpo que nunca foi contida”.

O garimpo ilegal acontece de forma recorrente na região do Baixo Madeira até o estado de Rondônia. Em janeiro de 2021, Rondônia autorizou e regulamentou a prática em seu território, além de revogar um decreto que proibia a extração de minério no Rio Madeira, no trecho da divisa com o Amazonas, no qual a prática continua sendo ilegal.

Em agosto deste ano, a Justiça Federal condenou o Ipaam a anular diversas licenças concedidas de maneira irregular para a extração de ouro no Rio Madeira. A Justiça alegou falta de estudos que apresentem o impacto ambiental antes da concessão de autorizações, principalmente sobre os danos ambientais causados pelo uso de mercúrio nestas atividades.

A Polícia Federal se prepara para uma operação de combate à extração ilegal de ouro na região. Em nota, a corporação afirma que “se encontram em andamento, tratativas interinstitucionais sobre a notícia dos garimpeiros na calha do rio Madeira. Assim que reunidas informações e dados acerca de ações desta Superintendência Regional da Polícia Federal sobre o assunto em questão, encaminharemos para o conhecimento de todos”.

Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

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