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Quase 500 jornalistas estão presos de forma arbitrária no mundo: aumento de 20%, segundo relatório

Quase 500 jornalistas estão presos de forma arbitrária no mundo: aumento de 20%, segundo relatório
Foto: Pixabay

O número de jornalistas presos de forma arbitrária bateu o recorde em 2021. Segundo o relatório anual da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), são 488 detidos atualmente. Destes, 60 são mulheres. Além disso, 65 jornalistas são mantidos reféns e ao todo foram 46 jornalistas mortos neste ano.

O número de jornalistas e colaboradores de veículos de comunicação atrás das grades por causa de sua profissão aumentou 20% em relação ao ano anterior, segundo a RSF. O aumento foi puxado, em especial, por três países: a Birmânia, onde a junta militar assumiu o poder pela força em 1o de fevereiro de 2021; a Bielorrússia, que mergulhou  em um modelo repressivo após a reeleição do Alexander Lukashenko em agosto de 2020; e a China de Xi Jinping, que está aumentando seu controle sobre a Região Administrativa Especial de Hong Kong, antes vista como um modelo de liberdade de imprensa na região.

“A alta histórica no número de jornalistas em detenção arbitrária é o resultado de três regimes ditatoriais”, observou o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire. “É um reflexo do fortalecimento das ditaduras no mundo, de um acúmulo de crises e da falta de escrúpulos desses regimes. Também pode ser o resultado de novas disputas geopolíticas de poder, onde os regimes autoritários não sofrem pressão suficiente para limitar a repressão”, afirmou.

O jornalista sueco-eritreu Dawit Isaak e seus colegas Seyoum Tsehaye e Temesgen Gebreyesus, por exemplo, estão detidos há mais de duas décadas. Eles foram presos em setembro de 2001, quando o presidente Isaias Afeworki aproveitou o espanto causado pelos atentados de 11 de setembro para transformar seu país em uma ditadura. Exposto a condições abomináveis de detenção, Dawit Isaak nunca teve acesso a sua família ou a um advogado. Colocado em confinamento solitário, regularmente algemado, exposto a um calor terrível, o jornalista teve que ser levado ao hospital em diversas ocasiões, inclusive psiquiátricos. Neste verão, a ONU anunciou que teve acesso a uma “fonte confiável” atestando que o jornalista ainda estava vivo em setembro de 2020 – evidência inédita desde o início de 2010.

Segundo a RSF, a prisão, em 23 de maio de 2021, de Raman Pratassevitch foi a mais marcante do ano. Nesse dia, o voo 4978 da Ryanair (Atenas-Vilnius) que transportava o jornalista e 171 outros passageiros foi interceptado por um avião de combate bielorrusso que o obrigou a pousar em Minsk. As autoridades justificam a sua intervenção pela suposta presença de uma bomba, bem como um conflito entre passageiros.

Na realidade, esse ato de pirataria tinha como objetivo prender Raman Pratassevich, ex-editor-chefe do canal Telegram Nexta, rotulado de “extremista” pelo governo bielorrusso e exilado na Lituânia. O jornalista está em prisão domiciliar desde o final de junho em um local não revelado. Desde então, Raman Pratassevich apareceu apenas para fazer uma confissão pública, cuja natureza forçada é evidente, segundo a ONG.

Número de mulheres jornalistas presas também é recorde

O número de mulheres presas também é recorde: são 60 atualmente, um aumento de um terço em relação a 2020. A China, que continua a ser a maior prisão do mundo pelo quinto ano consecutivo, é também o país onde o maior número de mulheres estão detidas (19), incluindo a vencedora do prêmio RSF 2021, Zhang Zhan, em estado crítico de saúde. 

Na Bielorrússia, mais mulheres (17) estão detidas do que homens (15). Entre elas, as duas repórteres da rede independente Belsat, Daria Tchoultsova e Katsiarina Andreyeva, condenadas a dois anos em colônia penal por terem transmitido ao vivo uma manifestação não autorizada.

46 jornalistas foram mortos por cumprir suas funções

Durante 2021, 46 jornalistas foram mortos, segundo dados da RSF. Destes, 30 foram mortos por causa de sua profissão e 16 morreram em campo. Apenas 39% das mortes de jornalistas ocorreram em zonas de conflito. Mais da metade (61%) ocorreram em zonas de paz.

Apesar de ser um número significativo, é o mais baixo já registrado em quase 20 anos, segundo o relatório. Em 2021, 4 mulheres jornalistas foram mortas, o que representa a maior proporção de casos em relação aos colegas homens desde 2017 (9%).

Elas foram assassinadas, assim como 26 outros colegas. Isto significa que pelo menos dois terços dos jornalistas mortos em 2021 foram deliberadamente executados. Ainda que essa proporção (65%) seja menor do que no ano anterior (em 2020, 85% dos jornalistas foram assassinados, um dos números mais altos já registrados), continua a ser ligeiramente superior à média dos últimos cinco anos.

Os países mais perigosos para exercer a profissão, segundo a RSF, são México, Afeganistão, Iêmen, Índia e Paquistão.

Confira o relatório completo:

Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

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