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Ameaçados por garimpeiros, jornalista e indigenista desaparecem na Amazônia

Ameaçados por garimpeiros, jornalista e indigenista desaparecem na Amazônia
Jornalista Dom Phillips, do The Guardian, que desapareceu na Amazônia (Foto: Reprodução / Redes sociais)

Foi anunciado nesta segunda-feira (6) o desaparecimento do jornalista inglês Dom Phillips, do jornal The Guardian, e do indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira. Segundo comunicado da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), os dois desapareceram há mais de 24h. Garimpeiros, madeireiros e pescadores ilegais estavam ameaçando Bruno.

“Enfatizamos que na semana do desaparecimento, conforme relatos dos colaboradores da Univaja, a equipe recebeu ameaças em campo. A ameaça não foi a primeira, outras já vinham sendo feitas a demais membros da equipe técnica da Univaja, além de outros relatos já oficializados para a Policia Federal, ao Ministério Público Federal em Tabatinga, ao Conselho nacional de Direitos Humanos e ao Indigenous Peoples Rights International”, afirmou a Univaja através de nota.

A entidade também apontou que eles estavam no trajeto entre a comunidade ribeirinha São Rafael e a cidade de Atalaia do Norte, no Amazonas.

O jornalista havia acabado de fazer uma série de entrevistas com indígenas na região, que sofrem pressão desses grupos criminosos. No retorno, Bruno iria se encontrar com um líder comunitário de São Rafael, conhecido como “Churrasco”, o objetivo era consolidar os trabalhos conjuntos entre ribeirinhos e indígenas na vigilância do território, que sofre constantes invasões. O líder não estava no local, Bruno então conversou com a esposa dele e na sequencia partiu em direção a Atalaia do Norte, que fica a duas horas de distância. Mas ainda não chegaram ao destino.

O editor do The Guardian, Jonathan Watts, disse através das redes sociais que o jornal está preocupado com a situação do jornalista. “O Guardian está muito preocupado e procurando urgentemente informações sobre o paradeiro de Phillips. Estamos em contato com a embaixada britânica no Brasil e autoridades locais e nacionais para tentar apurar os fatos o mais rápido possível”, afirmou.

Quem são as vítimas

Bruno é um dos indigenistas mais experientes que já passou pela Fundação Nacional do Índio (Funai), mas foi demitido pelo governo Bolsonaro, em 2019, por combater mineração ilegal em Terras Indígenas. A outra vítima, o jornalista Phillips, que já trabalhou para News York Times, Financial Times, Washington Post e outros. A Univaja segue cobrando as autoridades para encontrar o paradeiro das vítimas.

A Polícia Federal afirma que está investigando o caso.

Bolsonaro incentiva o garimpo

Em fevereiro, o presidente Jair Bolsonaro (PL) editou um decreto que cria o Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Mineração Artesanal e em Pequena Escala (Pró-Mape). O objetivo é estimular a atividade garimpeira no país, inclusive na região da Amazônia Legal. A norma vai ao encontro de uma série de medidas legislativas defendidas pelo presidente que são criticadas por ambientalistas por estimular o garimpo ilegal no país. A atividade é prejudicial ao meio ambiente e à saúde de comunidades próximas aos empreendimentos e tem crescido exponencialmente nos últimos três anos.  

De acordo com a Constituição, os recursos minerais pertencem à União. Por isso, o governo federal é responsável por autorizar a exploração de minérios no país. Quando a exploração ocorre na faixa de fronteira com outros países, é necessário também uma autorização do Conselho de Defesa Nacional. De 2019 a 2021, foram 81 autorizações desta natureza, segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo.

Em dezembro, centenas de balsas e dragas atracaram no Rio Madeira, no Amazonas, por quase um mês para a exploração ilegal de ouro. Os garimpeiros ameaçaram órgãos de fiscalização ambiental e ambientalistas atribuíram o episódio ao discurso de Bolsonaro pró-garimpo. Uma operação da Polícia Federal destruiu 131 dragas. 

Povos indígenas também denunciam invasões ilegais em seus territórios e violência causadas pela atividade de garimpo ilegal em suas terras. Um relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) do ano passado registrou 263 casos de violência contra o patrimônio dos povos indígenas em 2020. Desdes, 41 casos estão relacionados com o garimpo e a mineração ilegais. 

Entre os casos estão os ataques aos territórios do Povo Munduruku, no Pará. A Polícia Federal localizou mais de 2 mil garimpeiros atuando ilegalmente na terra indígena.

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record e Congresso em Foco. Foi repórter de rede da Band, Bandnews TV e rádio BandNews FM, em Brasília. Fundador do Regra dos Terços, é host do Podcast Distraídos.

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