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Aqueles que querem calar as vozes das mulheres não passarão

Aqueles que querem calar as vozes das mulheres não passarão

Quem acompanha o podcast Papo do Avesso vai lembrar do episódio com o jornalista Jamil Chade, em que falamos sobre o papel das novas gerações em promover as mudanças no mundo que queremos ver. Falávamos sobre como a nova geração, principalmente de mulheres, está mais engajada e cada vez mais intolerante com as injustiças sociais, climáticas e de gênero. Se, por um lado, esse é um sinal de bons ventos para um futuro próximo, por outro, o que isso gera é medo na elite detentora do poder.

Nada por ser mais elucidativo do que o que vem acontecendo com lideranças indígenas que fizeram parte da comitiva independente enviada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) à Conferência do Clima (COP26), em Glascow. A jovem indígena Txai Suruí foi alvo de mensagens de ódio depois que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou seu discurso na abertura da COP26. Aos 24 anos, Txai Suruí foi a primeira indígena a discursar na abertura da Conferência do Clima das Nações Unidas. Ela cobrou agilidade no enfrentamento das mudanças climáticas, em um discurso duro e enfático.

Alessandra Munduruku, outra liderança indígena brasileira, também vem sofrendo ameaças por não deixar de lutar contra o garimpo ilegal nas terras de seu povo. Ela também fez parte da comitiva da Apib na COP26 e, semana passada, teve sua casa invadida – mais uma vez. Ela já  integra o Programa de Proteção a Defensoras e Defensores de Direitos Humanos do Pará e já foi alvo de outros ataques de garimpeiros ilegais.

Esses são apenas dois casos recentes de violência contra mulheres que se destacam na defesa de interesses coletivos. Txai Suruí e Alessandra Munduruku representam o futuro. Representam um mundo mais justo. Embora aqueles que só sabem viver no passado tentem calar suas vozes, não passarão. É inaceitável que o sangue de mais mulheres precise ser derramado para garantir um futuro melhor a toda a humanidade.

Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

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