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Lucrando milhões com deterioração do real, Guedes defende alta do dólar

Lucrando milhões com deterioração do real, Guedes defende alta do dólar

O ministro da Economia, Paulo Guedes, nunca escondeu sua admiração por nações estrangeiras, em especial pela moeda de uma delas: o dólar. No dia 24 de junho ele afirmou em evento com empresários da indústria realizado pela Federação Nacional das Indústrias do Estado do São Paulo (Fiesp) que é necessário manter o “câmbio de equilíbrio um pouco mais alto”.

Bem, o provável motivo para essa defesa do indefensável tornou-se público agora: Guedes lucra em dólar e tem visto sua fortuna multiplicar enquanto as condições econômicas do país se deterioram. Ele mantém uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, com o nome de Dreadnoughts International, aberta em setembro de 2014. A empresa recebeu US$ 9,55 milhões em depósitos. Quando abriu o negócio milionário, o dólar estava na casa dos R$ 2,20. Isso porque durante o governo Dilma (PT), ele teve um aumento de 60%.

Aí veio o impeachment – “com o Supremo e com tudo” – e a alta se acentuou. Em março de 2016 já estava na casa dos R$ 3,90. Chegando Jair Bolsonaro (sem partido) a moeda atingiu níveis jamais vistos desde a criação do real, batendo R$ 5,94.

Se por muito tempo as pessoas se perguntaram o motivo que levava as constantes crises causadas pelas falas dos governistas, o assunto parece se esclarecer agora. A revelação do projeto do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), que teve acesso a 11,9 milhões de documentos sobre companhias sediadas em paraísos fiscais, batizada de “Pandora Papers” e publicada pela revista Piauí, pela Agência Pública e pelos sites Poder360 e Metrópoles, explica a música daquela banda teen dos anos 90: “Os de cima sobem e dos de baixo descem”.

Guedes já defendeu que os de baixo precisam descer mesmo. Em fevereiro de 2020 ele reclamou dos pobres que ficam querendo ir para a Disney e usou isso como pretexto para alta do dólar.

“Durante muito tempo, tivemos dólar a R$ 1,80 e juros básicos a 14% [ao ano]. Hoje temos dólar a R$ 4 e juros também a 4%”, declarou o ministro. “Antes, o câmbio estava tão barato que todo mundo estava indo para a Disney, empregada doméstica indo para a Disneylândia. Uma festa danada. Espera aí. Vai passear ali em Foz do Iguaçu, vai passear no Nordeste. Está cheio de praia bonita. Vai para Cachoeira de Itapemirim, conhecer onde o Roberto Carlos nasceu. Vai passear pelo Brasil, conhecer o Brasil. Está cheio de coisa bonita para ver”, disse Guedes, enquanto o dólar batia a casa dos R$ 4,35, recorde até então.

Se o dólar sobe, tudo que importamos fica mais caro, logo o poder de compra do brasileiro decai e as famílias pobres sofrem mais, uma vez que elas costumam consumir tudo (que é bem pouco) que recebem. Parece fácil de entender, né? Mas o ministro Paulo Guedes parecia carecer dessa compreensão básica, e afirmou em 7 de julho deste ano que o dólar alto é bom para os mais pobres.

“Hoje, com dólar a R$ 5, as famílias humildes do Brasil inteiro estão se beneficiando”, disse. “As famílias ricas, em vez de viajar para fora, estão viajando para dentro”. O que parecia ser uma grande ignorância na verdade pode ser maldade, dissimulação e malandragem. Afinal, ele mesmo assumiu em 2020 que sabia que se fizesse muita besteira o dólar iria a R$ 5. Competente que é em fazer merda, a moeda bateu perto dos R$ 6.

Enquanto o poder de compra dos mais pobres ia ralo abaixo, Guedes viu sua fortuna no paraíso fiscal aumentar. Se quando assumiu o Ministério da Economia seus investimentos nas Ilhas Virgens estavam em R$ 37 milhões, hoje, depois de muitas crises, falas que geraram abalos no mercado, falta de ações necessárias para estampar sangrias, Guedes já tem mais de R$ 51,5 milhões, ou seja, teve um aumento de R$ 14,5 milhões com os pobres deixando de comer carne para fazer fila para o osso.

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record, Gazeta do Povo e Congresso em Foco. Atualmente é repórter de rede da Band e Bandnews TV em Brasília. Fundador do Regra dos Terços

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