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Mais ajuda quem não pergunta nada

Mais ajuda quem não pergunta nada

O que eu mais queria na minha vida, é não precisar dar respostas para as pessoas. Só isso.

Não queria responder o motivo de ter escolhido um tênis ao invés de um sapato de salto. Ou os motivos de eu não querer trocar meu carro, ou porque eu paguei muito caro em um celular, ou porque eu gosto de usar eletrônicos todos da mesma marca. É só porque eu quero e porque eu posso, ponto final.

Tudo ao meu redor é questionado. As pessoas sempre acham que sabem o que é melhor para gente e saem enfiando um monte de pergunta. “Por que você não coloca seu carro do outro lado da sua garagem? Por que não estaciona de ré? Por que você não pinta o cabelo? Ou alisa? Ou deixa natural de vez?” E, meu cabelo sempre está natural, já respondendo, porque eu acho ele bonito e porque eu gosto de coisas práticas.

Será que é tão difícil entender que as pessoas fazem as coisas que elas querem porque são livres? É tão difícil entender que cada um tem um prisma sobre a própria vida e só a gente sabe o que é realmente bom para nós? E, geralmente, isso vem de pessoas muito próximas. Hoje eu decidi ir de noite resolver uma questão de trabalho, logo em seguida veio as duzentas perguntas: Por que você não vai amanhã cedo? Porque eu trabalho e geralmente o fluxo de demanda é maior pela manhã. Por que você não manda alguém no seu lugar? Porque eu quero ver pessoalmente a situação. Por que você não vai semana que vem? Porque o problema já se estende há dias, não dá mais. Por que você não vai mais tarde? Porque eu pretendo voltar e ir para academia… E eu fui respondendo. Até que então eu fui levemente grosseira e disse: se você não quer me ajudar, pode só calar a boca? (Mas, calma, não foi com a vovó, porque ela eu respondo qualquer coisa, ela é dona da minha vida…)

E, desculpem, mas é isso. Se você não vai ajudar em nada, você pode só ficar na sua? Vamos normalizar a liberdade do outro, por favor. E é sobre isso, e tá tudo bem (né coachs?).

Eline Carrano

Jornalista por profissão, cronista por opção e neta coruja. Escrevo porque preciso justificar as ansiedades que o tarja-preta não dá conta.

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