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Manifestação cobra respostas e justiça após morte de MC Neguinho JM

Manifestação cobra respostas e justiça após morte de MC Neguinho JM
Foto: Reprodução

A família do Mc Neguinho JM morto a tiros por policiais militares fez um protesto no último sábado (9), uma semana após o crime, cobrando justiça. David Meireles Miranda, de 19 anos, morreu após ser baleado no tórax e na perna pela PM. O jovem pilotava uma moto na Zona Sul de São Paulo, e segundo a polícia ele e um amigo que estava na garupa fugiram de uma abordagem policial e dispararam contra os agentes. Porém a família descarta essa versão, para eles a perseguição contra a dupla aconteceu porque os dois estavam andando de moto sem capacete.

Familiares, amigos e ativistas, depois da missa de sétimo dia da morte de David, caminharam pelas ruas do Campo Limpo cantando as músicas do MC e pedindo respostas sobre o assassinato. A manifestação foi convocada pela Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio. 

E segundo relato feito pela psicóloga e articuladora da Rede Marisa Fefferman ao Ponte, mais jovens teriam participado do protesto se não fosse o medo da violência policial. “Muitas mães com lágrimas nos olhos com medo pelos filhos. Eu recebi relatos de meninos de que a polícia está indo com mais frequência numa favela que tem próximo dali, fazendo abordagens, agredindo. Também soubemos que a polícia ficou parada no fim da rua observando depois da homenagem.”

No tributo, os parentes e amigos estavam de camisetas com a foto do Mc Neguinho. Além de balões em referência a marca de 1 milhão de visualizações que a música de maior sucesso do MC, “Um piloto e um garupa” alcançou no Youtube. A irmã mais velha de David, Bianca Meireles, contou emocionada ao Ponte que esse era o maior sonho da vida dele. 

Foto: Reprodução

“Eu estava sentindo uma mistura de sentimentos: felicidade porque ele alcançou o sonho dele, mesmo que depois de morto, e tristeza porque ele não estava com a gente”, explicou.

Relembre o crime

No dia do crime uma câmera de segurança flagrou David passando de moto em alta velocidade e a polícia efetuando vários disparos, que por pouco não atingiu uma mulher que saia de um carro que estava estacionado no local. Nas imagens é possível ver quando o garupa, Jeferson Fernando da Silva Souza, é atingido por um tiro e cai da motocicleta, enquanto onze policiais continuam a perseguição.

A perícia encontrou no local do crime 14 projéteis de .40, arma de uso exclusivo da polícia. O revólver calibre 38 encontrado com o amigo de Davi estava com cinco balas e um projétil picotado. 

Especialista analisa a ação

O Ponte ouviu especialistas que examinaram o boletim de ocorrência e a câmera de segurança. E de acordo com Desiree de Lemos Azevedo, pesquisadora do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Universidade Federal de São Paulo (Caaf/Unifesp), não tem como os policiais defenderem que agiram em legítima defesa, já que as imagens mostrar eles em grupo disparando contra a dupla. 

“O que a gente vê são dois jovens que estão fugindo dos policiais que atiram com a intenção de matar, e conseguem matar um deles, colocando em risco a vida de diversas pessoas que estão ali no entorno. Me parece difícil chamar isso de uma ação atrapalhada, porque é uma ação consciente que tem como pano de fundo uma desvalorização geral da vida”, ressaltou.

Rafaela Moreira

Jornalista, repórter do Regra dos Terços e diretora de programas de televisão na TV Band e na Rede Super.

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