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No Brasil, ao menos 44 mil idosos sofreram maus-tratos em 2022

No Brasil, ao menos 44 mil idosos sofreram maus-tratos em 2022
Foto: Kampus/ Pexels

Dia 26 de julho, é celebrado o Dia dos Avós, uma data que levanta algumas reflexões importantes sobre o envelhecimento e o cuidado com as pessoas idosas. Em um contexto em que a população brasileira está cada vez mais velha, 10% da população do Brasil é formada por pessoas com 65 anos ou mais, é necessário falar da importância de garantir dignidade e proteção aos idosos.

É uma data importante também para falar sobre a conscientização do combate à violência contra pessoas idosas. Já que no Brasil, entre janeiro e 7 de julho deste ano, foram registradas 44 mil denúncias de violações de direitos humanos contra idosos. É o segundo tipo de violência mais registrado pela Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (ONDH), representando 23% das ocorrências. 

A pandemia do coronavírus deixou ainda mais em evidência esse problema. O número de denúncias contra os idosos, de acordo com dados da Ouvidoria, só aumentaram ao longo do isolamento social. Isto porque a população idosa é considerada um dos principais grupos de risco da doença e se viram obrigados a mudar seus hábitos como se isolar em casa para se proteger do vírus. 

Na comparação entre 2019 e 2020, por exemplo, o número de ocorrências no Disque 100 para reportar casos de violências contra idosos aumentou de 48,5 mil para cerca de 77 mil. Em 2021, foram registradas 37 mil notificações de ocorrências contra os idosos, sendo 29 mil delas violência física.

Segundo o relatório anual da ONDH a violência mais frequente envolvendo os idosos é a exposição de risco à saúde, seguido de maus tratos e agressão. Os dados da ONDH também mostram que há uma relação de convívio familiar entre o agressor e a vítima. 

A pesquisadora emérita da Fiocruz, Cecília Minayo na sua palestra Violências contra a pessoa idosa e estratégias para reduzi-las, concorda com a avaliação e revela que a violência muitas vezes acontece por pessoas que fazem parte do convívio social do idoso. “Dois terços dos agressores são filhos, que agridem mais que filhas, noras ou genros e cônjuges, nesta ordem. Os idosos quase não denunciam, por medo e para protegerem os familiares”, explica Cecília.

A violência

A violência contra o idoso tem muitas faces, como por exemplo agressões psicológicas ou físicas. Patrimoniais e sexuais, além de negligência e abuso financeiro.

Em 2022, o Estatuto do Idoso ganhou uma nova denominação, mudando para Estatuto da Pessoa Idosa, e nele é descrito como violência contra a pessoa idosa qualquer ação ou omissão, praticada em local público ou privado, que lhe cause morte, dano, ou sofrimento físico e psicológico. 

O estatuto ainda garante que qualquer pessoa acima de 60 anos têm direito básico à vida, saúde, liberdade, lazer e dignidade. Além de agora assegurar e afastar preconceitos substituindo a expressão “idoso” por “pessoa idosa”.

Denuncie

As denúncias de violações dos direitos humanos contra idosos podem ser feitas de forma anônima pelo Disque Direitos Humanos, o Disque 100, a ligação é gratuita. E podem ser feitas de qualquer lugar do Brasil, 24 horas por dia. Elas também podem ser feitas pelo Whatsapp no número (61) 9 9656-5008. Qualquer delegacia da Polícia Civil também pode registrar as denúncias.

Rafaela Moreira

Jornalista, repórter do Regra dos Terços e diretora de programas de televisão na TV Band e na Rede Super.

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