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A montanha russa do dólar

A montanha russa do dólar

Olá querido leitor/querida leitora! Tudo bem com você e sua família? Nessa semana, tivemos a divulgação bombástica do caso conhecido como Pandora Papers, que relacionou governantes mundiais e pessoas de alto patrimônio à operação de offshores. No Brasil, ganharam destaque o atual ministro da economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, acusados de ocultação de patrimônio e lucro com a desvalorização cambial, reflexo justamente de suas medidas frente às instituições de governo que comandam. O nosso colunista Erick Mota deu sua opinião sobre o caso, que você pode verificar aqui. Na coluna de hoje, relacionada com esse assunto, discorreremos sobre o sobe e desce do valor do dólar frente a nossa moeda corrente.

Para começarmos, deixo alguns insights sobre moedas que talvez o leitor/a leitora possam nunca ter tido, mas que são de extrema importância para nossa discussão. Primeiro, moedas podem ser encaradas como mercadorias, cuja função específica é servir como meio de troca. Dessa forma, assim como qualquer outra mercadoria, elas estão sujeitas a lei da oferta e da procura: quanto maior a disponibilidade de um bem, menor seu valor relativo; quanto maior sua escassez, maior o seu valor. Segundo, quando comparamos moedas de países diferentes, elas não possuem valor per se, ou seja, sempre comparamos o valor relativo entre duas moedas: dólar contra real, iene contra franco suíço, peso mexicano contra euro, e assim por diante.

Dado isso, a reposta correta sobre o porquê do câmbio oscilar é que não existe apenas uma resposta. Indo mais a fundo, caímos em outra questão crucial: por que a comparação mais corrente é do dólar americano contra o real? Porque não se cambia de forma corrente dólares australianos, lempiras hondurenhas ou pesos chilenos por reais? Para essa segunda parte, sabe-se que por questões históricas, relacionados principalmente à primeira metade do século XX, o dólar norte americano se tornou a reserva de valor mundial, sendo aceito como o meio de troca mais líquido nos negócios internacionais.

Voltando a nossas questões internas, podemos relacionar o aumento do valor do dólar em relação a nossa moeda a alguns pontos:

  • Injeção ou fuga de capital externo do país: quando algum ente externo deseja investir em nosso país, geralmente o faz usando como moeda de referência o dólar, e não o real. Trazendo esses dólares para o país, mais desse dinheiro passa a circular em nosso economia – lembra da lei da oferta e da procura do segundo parágrafo? –, diminuindo o valor do câmbio;
  • Ambiente de negócios e ambiente político: um bom ambiente de negócios, com políticas governamentais previsíveis e estáveis – ambos ausentes em nosso país – possibilita maior injeção de capital estrangeiro, voltando ao ponto anterior;
  • Controle governamental do câmbio: o governo também pode afetar diretamente no preço de determinada moeda, aumentando ou diminuindo sua oferta no mercado através de swaps cambiais;
  • Política monetária: novamente de exclusividade do governo, um aumento na oferta monetária – maior emissão de moeda local para financiar atividades estatais ou fomentar a economia – resulta em um ganho de valor do dólar americano frente a nossa moeda, já que o primeiro é justamente a moeda de referência mundial;

Cada um dos pontos acima pode afetar uns aos outros de forma não previsível, tornando ainda mais difícil prever o sentido do câmbio no curto, médio ou longo prazo.

Vale ainda ressaltar que devido as metas de inflação do Brasil serem mais altas do que a dos Estados Unidos, é natural esperar uma maior perda de valor de nossa moeda, aumentando o valor do câmbio com o passar do tempo. Por volta de 1994, época da criação do plano Real, existia a paridade um pra um entre a moeda recém-criada e o dólar. É de deixar saudades se você planeja conhecer a terra do Tio Sam ano que vem.

Até a próxima semana!

Henrique Costa

Henrique Costa é engenheiro eletricista formado pela UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Atua no setor industrial e de energias renováveis há cerca de 10 anos. Entusiasta do mundo dos investimentos, aprendeu desde cedo que poupar e investir é um dos melhores caminhos para se atingir os objetivos da vida. No Regra dos Terços é autor da coluna “Pra que investir?”

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