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Mulheres tiveram negócios mais afetados que homens na pandemia

Mulheres tiveram negócios mais afetados que homens na pandemia
Foto: Agência Brasil

A pandemia de coronavírus, decretada em março de 2020 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) criou uma situação desafiadora para empreendedores no Brasil. Mesmo após o avanço da vacinação, a situação ainda é crítica para muitos setores da economia e, segundo um levantamento divulgado em janeiro pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), 66% dos pequenos negócios no país possuem dívidas. Para as mulheres, a situação é ainda mais complicada. Outro estudo do Sebrae mostrou que mais da metade (52%) das micro e pequenas empresas lideradas por mulheres paralisaram de vez ou temporariamente as atividades na pandemia. Entre as empresas lideradas por homens, esse número é de 47%.

Apesar dos números, a presidente do Conselho da Mulher Empresária e secretária de Articulação e Parcerias do Ministério da Cidadania, Ivonice Campos, avalia que o momento é propício para que novos empreendimentos liderados por mulheres ganhem espaço no mercado, com a criação de empresas em setores cada vez mais diversos, além do acesso a linhas de crédito e capacitação profissional cada vez mais próximos de quem deseja investir em um novo negócio. “Eu vejo que o momento é muito oportuno para que as mulheres alavanquem as suas vocações, se preparem, se capacitem rapidamente”, diz.

Os dados do Sebrae mostram que as mulheres empreendedoras são as que mais buscam soluções digitais para seus negócios, mas também têm mais dívidas e menos pedidos de empréstimos em relação aos homens.

Segundo o Sebrae, as mulheres (34%) têm buscado mais soluções digitais para lidar com a crise que os homens (31%). Apesar disso, 34% dos empreendimentos de mulheres acumularam dívidas, enquanto 31% das administradas por homens estão endividadas. Essa situação pode estar ligada diretamente à dificuldade que as mulheres têm de acesso ao crédito: desde o início da pandemia, 34% delas buscaram empréstimos, enquanto 41% dos homens donos de empreendimentos fizeram o mesmo.

Ivonice Campos pondera que a abertura de crédito ainda é um pouco burocrática em algumas instituições bancárias para pessoas que não têm uma histórico de conta comercial na praça, o que, às vezes, pode ser um fator complicador para quem está iniciando um empreendimento e precisa de apoio financeiro.            

“Os bancos mais tradicionais levam muito em conta o histórico das contas comerciais para conceder o financiamento. E o que a gente batalha hoje em dia junto aos bancos e as novas linhas de fomento, é para que as mulheres tenham uma avaliação diferenciada, levando em consideração que normalmente ela não tem uma história empreendedora e está iniciando o processo agora”, explica. 

Segundo Ivonice Campos, quase todos os bancos oferecem linhas de crédito para empresários iniciantes, além disso, algumas instituições bancárias também oferecem empréstimo de dinheiro exclusivo para mulheres empreendedoras com base nas políticas de incentivo ao trabalho e a capacitação da mulher somados a esses incentivos financeiros, com taxas bastante reduzidas e com carência. 

“A carência é sempre o resultado de uma negociação da mulher, que vai tomar o dinheiro emprestado, com o banco. Por exemplo, ela vai fazer o empréstimo de R$ 10 mil ou R$ 15 mil, enfim, a quantia que ela desejar para o capital de giro ou para o investimento no negócio, mas ela tem a liberdade, também, de colocar as próprias condições para que ela possa amortizar e pagar o investimento”, explica.       

Pandemia afetou setores com mais mulheres

Entre 2010 e 2016, as mulheres correspondiam a 47,6% dos Microempreendedores Individuais (MEI) do país, atuando em áreas como envolvidas predominantemente em atividades relacionadas à beleza, moda e alimentação. Os três setores estão entre os mais prejudicados pela pandemia. Em geral, segundo a pesquisa divulgada em janeiro pelo Sebrae, as empresas estão faturando 30% menos por semana do que antes da pandemia.

Mas os setores onde as mulheres mais atuam apresentam quedas maiores que a média no faturamento, como beleza (-42%), artesanato (-38%), alimentação (-37%) e moda (-35%). Apesar disso, os números são melhores do que em novembro, quando o faturamento estava 44% menor no setor de beleza; 47% menor no setor de artesanatos; 41% menor no caso da alimentação e 38% menor para empresas no setor da moda.

Não à toa, os segmentos de alimentação, moda, beleza e artesanato estão entre os mais aflitos em relação ao futuro.

Empreendedorismo digital 

O empreendedorismo nas plataformas digitais, ou seja, a venda de produtos por meio de site ou redes sociais, era algo que já existia antes mesmo da pandemia de Covid-19. Mas esse formato de negócio teve um rápido crescimento durante o primeiro ano de pandemia, quando muitas pessoas tiveram que adaptar o modo de trabalho ao home office. 

Segundo o Índice de Transformação Digital Dell Technologies 2020, 87,5% das empresas brasileiras aceleram a transformação das firmas para o meio digital em 2020. A pesquisa Panorama de Negócios Digitais Brasil, promovida pela Spark Hero, considerou o primeiro ano desta década o ano do empreendedorismo digital. 

Que o empreendedorismo digital é uma grande tendência, isso não há dúvidas, mas há outro dado que chama atenção: ele também é uma forma de complemento da renda. De acordo com as informações do levantamento da Spark Hero, 62% dos empreendedores digitais utilizam a renda do negócio virtual como um adicional a quantia que recebem em trabalhos “tradicionais”. 

Para Ivonice Campos, este formato de negócios é um ótimo mecanismo para as novas empresárias, pois elas têm a seu favor diversas formas de avaliar como está o desempenho dos empreendimentos e também de chamar a atenção de possíveis investidores. 

“Ela já entra em uma nova escala, em um empreendedorismo digital, onde ela já tem por base o uso de tecnologias digitais de processo de governança da empresa, isso tudo significa que ela vai ter muito melhor desempenho na governança do negócio e isso representa ganhos para quem investe naquela empresa por que os resultados serão mais prontos”, analisa. “Até porque, até mesmo a tecnologia dos bancos, das fintechs e dos financiadores permitem que eles acompanhem a gestão empresarial”, completa.   

A contadora e sócia na empresa A3 Contabilidade, Erlai Crespão, conta que há algum tempo perceberam a importância em investir na divulgação da marca no mercado e principalmente nas redes sociais após a cobrança de alguns clientes e por isso contrataram uma empresa para cuidar da marca.

“Hoje em dia é bem difícil entrar no mercado. Há algum tempo eu tive uma reunião com uma futura cliente e ela disse: ‘olha, gosto de você, conheço seu trabalho, mas hoje eu ainda não consigo mudar para o seu escritório de contabilidade porque ele ainda não tem um nome firmado, então geralmente essa é uma grande dificuldade”, explica.       

A A3 começou em 2016 por iniciativa da contadora Mafalda Wermuth, alguns anos mais tarde, em 2020, ela convidou Erlai Crespão para entrar em sociedade na empresa, que agora funciona em home office.  

O perfil das mulheres empreendedoras

Segundo o relatório especial Empreendedorismo Feminino no Brasil 2019, do Sebrae, a média de idade das empreendedoras no Brasil é entre 25 e 55 anos de idade. As donas de negócio, ou seja, aquelas que fazem a gestão da empresa e também são empregadoras, possuem maior escolaridade do que os homens.

Outro dado interessante é que as mulheres empresárias tomam menos empréstimos nos bancos do que homens, e quando precisam recorrer às instituições financeiras, o valor dos empréstimos também é menor. De acordo com o estudo, as mulheres que estão à frente de negócios menores, com menor investimento têm menor acesso às linhas de crédito mais vantajosas. 

Em 2018, segundo o painel Empreendedorismo Feminino do Data Sebrae, apenas 34% das empreendedoras eram mulheres. O estudo mostrou que 44,65% delas são chefes de família; 41,72% possuem ensino superior, 31,9% têm ensino fundamental e 25,45% possuem ensino médio. 

A grande maioria delas (70%) não têm CNPJ e não tinham sócios (81%). Quanto à quantidade de empregados, 86,52% não tem funcionários e pouco menos de 10% contam com o apoio de uma a cinco pessoas. 46,36% das empresas funcionam em lojas, escritórios ou galpões; 25,43% na casa da própria empreendedora; 11% fazem atendimento a domicilio. 

Cursos gratuitos

Se você deseja ampliar seus conhecimentos sobre gestão de negócios ou busca apoio jurídico para abrir uma empresa, o Conselho da Mulher Empresária da ACDF disponibiliza cursos e está à disposição para solucionar dúvidas e dar um direcionamento a você, nova empreendedora. 

“Nós oferecemos todos os dias capacitações gratuitas. Cursos de ensino superior, de pós-graduação, para que cada uma renove a sua experiência, a sua linha de conhecimento e fique cada vez melhor na gestão do seu negócio”, explicou a presidente do Conselho, Ivonice Campos.

Se você procura cursos on-line, também pode dar uma olhada nas oportunidades oferecidas no Portal do Sebrae. Por lá você encontra cursos gratuitos sobre empreendedorismo, além de ter acesso a muitos conteúdos sobre o tema e tirar dúvidas sobre como melhorar e registrar sua empresa. 

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