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Na câmara, debatedores defendem status de doença para o TDAH

Na câmara, debatedores defendem status de doença para o TDAH
Brasília – Plenário da Câmara dos Deputados antes do inicio da discussão do relatório do Impeachment (Antônio Cruz/Agência Brasil)

Pela primeira vez na história, uma mulher TDAH discursa na Câmara dos Deputados sobre a neurodivergencia. Thata Finotto, idealizadora e host do podcast Tribo TDAH, foi convidada a compartilhar experiências de vida e debater o transtorno neurológico em Brasília. Especialistas, comunicadores e representantes do poder público discutiram a neurodivergencia em momento que marcou o Dia Mundial do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

Thata relembrou a infância, período em que enfrentou dificuldades por ser diferente das outras crianças, mas principalmente por não saber que essas diferenças eram consequências do TDAH. Ela conta que cresceu ouvindo que não era como todo mundo. “Por mais que eu tentasse desesperadamente me adaptar e chorasse antes de ir para a escola porque eu não queria ser diferente, eu ainda apanhava dos meus colegas. Minha mochila era frequentemente jogada no lixo. Eu ouvia de outras crianças que brincar comigo era uma doença contagiosa”, desabafou.

Confira o episódio do Podcast Distraídos com a participação de Thata Finotto:

Os anos passaram, mas os problemas, não. Apenas mudaram. Já adulta e diagnosticada com o TDAH, as barreiras em relações interpessoais e instabilidade em empregos e carreira profissional também sofreram impactos do transtorno neurológico. Esse não é um caso isolado, e as consequências podem ser ainda piores para o TDAH, de acordo com a Conselheira do Conselho Tutelar de Brasília Simone Azevedo. O tempo de acompanhamento de crianças e jovens mostrou a ela como a ausência da aplicação de políticas públicas voltadas à comunidade neurodivergente impacta toda a vida de alguém que tem um transtorno.

“Quando a criança [com TDAH] não é tratada como deveria, o adolescente fica vulnerável. Quando ele tem contato com substâncias psicoativas e álcool, há uma grande possibilidade de se tornar um vício. Vai para o lado da criminalidade, chega para nós como ato infracional. Ele chega com direitos totalmente violados porque não foi tratado na infância”, explica Simone. Para ela o maior violador do direito é o Estado.

Uma das discussões que cercam a pauta TDAH é a criação e a implementação de leis que facilitem o acesso de neurodivergentes ao diagnóstico e ao tratamento. Segundo estimativa do Ministério da Saúde, a CID-11 só estará em uso no Brasil em 2025, um atraso em relação aos demais países que já reconhecem o TDAH como doença. Essa classificação permitiria que o sistema público de saúde oferecesse consultas e medicações adequadas para quem tem o transtorno neurológico.

“Durante muitos anos, pessoas sem TDAH fizeram de tudo para impedir o avanço de diversos Projetos de Lei que pudessem nos beneficiar, uma verdadeira perseguição por pessoas que não sabem o que sentimos e não sentem na pele o que é viver com TDAH”, afirma Yuri Maia, criador do Instituto Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade. Segundo ele, é necessário construir políticas públicas que atinjam a condição, que tanto “atrapalha e trava” a vida de neurodivergentes.

Atualmente, o TDAH atinge 2 milhões de brasileiros, de acordo com dados do Ministério da Saúde. No entanto, segundo entidades do setor, ainda há falta de divulgação e representatividade de pessoas TDAH que permitam uma maior identificação do problema no país. O dia 13 de julho é dedicado à conscientização sobre o tema em todo o mundo.

Eduardo Veiga

Estudante de Jornalismo e redator freelancer. Já trabalhou em Rádio Banda B, Portal Banda B e publicou no Jornal Plural. Atualmente, é estagiário no Regra.

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