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O mundo dos desenhos: do cartum à animação, conheça algumas ilustradoras brasileiras

O mundo dos desenhos: do cartum à animação, conheça algumas ilustradoras brasileiras
Bianca Sousa, criadora do @bibizisses. Foto: Bianca Sousa

A ilustração tem o poder de, como dizem na internet, “deixar nossos corações quentinhos”, retratar a realidade por meio de cores e traços, fazer denúncias a respeito de situações que acontecem no país e no mundo. Além de muitas vezes explicar exatamente como nos sentimos em determinados momentos ou apenas entreter. 

Vivemos um período da história em que a cada dia as pessoas estão mais conectadas às redes sociais e consumindo informação de forma mais rápida. As formas de nos relacionar mudaram, assim como o modo de nos entretermos. Há alguns anos, para você ter acesso a ilustrações e desenhos animados era preciso ir à uma banca de jornais ou esperar a hora em que seu desenho favorito iria passar na TV. 

O grande avanço das redes sociais possibilitou que mais pessoas tivessem acesso às animações de forma rápida e em qualquer lugar. Segundo o levantamento feito pela Anima Mundi, 67% das produtoras de animação optam por usarem as redes sociais como plataforma de compartilhamento das produções. 

Mesmo assim, as TVs por assinatura (59%) e as abertas (53%) ainda são grandes vitrines para a publicação das animações. De acordo com uma estimativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDS), sem contar as peças publicitárias, o mercado das animações movimenta quase R$ 5 bilhões de reais por ano na economia brasileira. 

Não há dados específicos sobre os meios mais utilizados para a divulgação de ilustrações no Brasil, porém, uma das redes sociais que tem sido usada por profissionais de diversas áreas para a divulgação dos trabalhos é o Instagram, e é por lá que muitos designers estão divulgando as empresas. O Regra dos Terços conversou com algumas ilustradoras brasileiras que há algum tempo fizeram do amor por desenhos uma profissão. O resultado você confere agora, com essa série de reportagens.

Ilustradoras vão do hobby à profissão

Durante o período inicial da pandemia de covid-19, decretada em março de 2020, muitas pessoas decidiram tentar fazer novas coisas: aprender tricô, cozinhar, um novo idioma. De modo geral, todos tentaram fazer novas coisas, se desafiar. Foi nesse período, que a design gráfica Bianca Sousa, de 27 anos, decidiu apostar em um sonho antigo: ilustrar. 

Em 2020, nasceu o Bibizisses, uma página de ilustrações humorísticas que tem como personagem principal a Bibi, apelido carinhoso que familiares e amigos deram a Bianca. “Eu gosto de falar que ela não sou eu, mas tem muito de mim. Eu consigo colocar para fora alguns pensamentos, algumas ideias que às vezes eu tenho. Por exemplo: eu estou dentro de um ônibus e tenho tal pensamento e acho que dá para transformar em um meme e que a galera vai gostar. Eu acho que ela é um pouco mais ousada que eu, mas ela tem muito de mim também”, conta.

Bianca Sousa, criadora do @bibizisses. Foto: Bianca Sousa

A paulista relembra que o perfil surgiu como forma de distração, em um período que era praticamente impossível fugir das notícias ruins e de todo o caos e terror que a pandemia trouxe ao mundo. Com o apoio da irmã, Amanda Sousa, a Bianca tomou coragem e decidiu compartilhar nas redes ilustrações sobre o cotidiano da vida adulta. 

Ela explica que quando foi escolher o nome da página, não haviam users – nome de usuário do Instagram – disponíveis, pois a maioria utiliza o nome  junto com ilustração, abreviação de ilustração. Então ela decidiu criar um próprio, e juntou Bibi com a palavra “bizarrices”, e o resultado foi o @bibizisses. “Foi a junção perfeita. Eu queria uma pagina que fosse viajada e que mostrasse meu lado lúdico”, conta. 

Ilustrar sempre foi um sonho de Bianca, no entanto, ela conta que por muito tempo não se sentia à vontade para compartilhar os desenhos com mais pessoas além dos amigos e familiares. “O período que a gente teve que ficar trancado dentro de casa foi o momento que acendeu algo e eu falei: ‘não, eu acho que vai ser um hobby legal e se virar algo mais profissional, beleza”, relembra. 

Mesmo com pouco tempo no mercado, Bianca conta que o Bibizisses já rendeu ótimas oportunidades. Uma delas foi neste ano, quando ela foi convidada pela marca de produtos capilares Salon Line. “Participei do redesign de uma linha de produtos deles, onde trazem duas crianças que são PCDs [Pessoas Com Deficiência]. Tem a menininha que é cadeirante e o menininho que tem um problema físico no braço”, diz. 

Para Bianca, uma das dificuldades para quem está começando na profissão de forma autônoma é estabelecer um público-alvo. “Hoje em dia a gente consome muita internet, ao mesmo tempo em que ela é muito boa, ela tem muito do mesmo. Então é encontrar um diferencial, focar naquilo, tentar dar certo e fazer acontecer”, avalia. 

Dentre os tópicos abordados por Bianca estão alguns considerados tabus pela sociedade. “Eu adoro trazer temas como menstruação; questões políticas, mas de forma leve; pandemia, algo que eu não queria trazer no início para não ter peso, mas eu sempre falo de usar máscara, tem o lance da conscientização também”, diz. 

Para os profissionais que usam o Instagram como principal forma plataforma de trabalho, os números de seguidores, encaminhamentos, curtidas e comentários são meios mais rápidos de analisar o engajamento das publicações entre os seguidores. Bianca alerta que os números são importantes, mas não devem ser o foco principal de quem está começando, pois há diversas formas de ser visto na web, seja por compartilhamento de outras páginas ou de forma orgânica, por meio do próprio Instagram que entrega a outras pessoas o conteúdo.  

Atualmente o Bibizisses é produzido exclusivamente pela Bianca, que também cuida das redes sociais, do atendimento e das negociações. Mas ela conta com uma funcionária, a Amanda Sousa, irmã da Bianca que a apoia na produção e faz o papel de ‘setor de qualidade’ das ilustrações. 

“Às vezes eu tô fazendo as ilustrações de madrugada, ela já deu tchau para mim, porque ela tem que acordar cedo para trabalhar, aí eu mando para ela: ‘Oi, bom dia, tudo bem? Quando você acordar vê isso aqui e diz o que você acha’. E às vezes ela dá uns toques também. Então como eu confio muito nela, acho que isso ajuda muito no processo criativo”, conta. 

Em 2020, a Bianca foi uma das campeãs de um concurso cultural promovido pelo Lab Fantasma. O prêmio foi ilustrar blusas que teriam o valor de venda revertido para campanhas de prevenção ao câncer de mama. 

Wanessa Alves

Estudante de jornalismo na Universidade de Brasília (UnB) e estagiária no Regra dos Terços. 

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