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O que é Queerbaiting?

O que é Queerbaiting?

Olá querides companheiros e companheiras! Hoje vamos problematizar um pouco as representações ditas como LGBTQIAP+ e que muitas vezes não representam tanto a nossa comunidade. O famoso Queerbaiting!

Queerbaiting é um termo em inglês onde “queer” foi ressignificado pela comunidade LGBTQIAP+, sendo uma expressão voltada para as pessoas que não se enquadram na heteronormatividade. Sendo assim, como no inglês “baiting” significa isca, queerbaiting foi chamado toda e qualquer estratégia de marketing utilizada pela indústria do entretenimento que produzem séries, filmes, livros, narrativas e publicidade onde diretores e produtores insinuam que acontecerá algo romântico entre dois ou mais personagens do mesmo sexo, mas na verdade isso fica apenas subtendido.

Muitos artistas utilizam dessa estratégia para ganhar a empatia dos fãs que buscam representatividade na música, na literatura, no cinema e nas diversas formas de expressão de arte que existem. É comum que nós da comunidade LGBTQIAP+ procure reverenciar, curtir, seguir e propagar ideias de personagens e personalidades que façam parte das nossas bandeiras, pois a busca de pertencimento também faz parte de uma das nossas pautas mais abrangentes e importantes.

Com isso, é possível ver que toda a indústria do entretenimento utiliza dessa busca para alavancar seu público alvo, para propagar a ideia de que não só o público conservador pode consumir aquele artista, mas também que nós podemos consumir estes produtos na expectativa de nos sentir parte de um todo que na maioria das vezes é falso e mascarado por produções que visam o lucro.

Mas aonde está o problema nisso? Então, por ser uma falsa representatividade o único objetivo disso tudo é gerar lucro encima de histórias e narrativas de pessoas LGBTQIAP+  sem o compromisso de lidar com as consequências desses roteiros e muito menos relatar a realidade fora da heteronormatividade. Não é justo que peguem as nossas pautas, criem uma falsa expectativa no expectador e no fim não entregue nada além de coisas ditas nas entrelinhas, maus entendidos e o não entendimento de que a sociedade precisa sim ver, ouvir, ler e consumir pessoas LGBTRQIAP+ com mais naturalidade e frequência porque existimos e resistimos todos os dias.

visibilidade LGBTQIAP+ é recente, por muito tempo esse grupo foi excluído dos produtos de entretenimento e, só de poucos anos para cá, começou a ser representado. A manipulação psicológica da comunidade LGBTQIAP+ é delicada e bate forte na forma como relacionamentos são apresentados e induzidos pelos produtos audiovisuais.

Para dar um exemplo clássico é a grande autora da saga Harry Potter, J.K Rowling sabe mais do que ninguém que esta saga não tem representatividade nenhuma dentro da fuga da heteronormatividade muito menos dentro das siglas LGBT’S, porém mesmo assim já surgiu uma idealização de que um dos mais famosos personagens de sua criação fosse gay e tivesse um caso com outro personagem, Dumbledore e Grindelwald.

Criou- se um universo em torno desta notícia para que filmes que narrassem sobre a vida do personagem pudesse contar esta novidade, mas no fim tudo que sempre acontece são falas dispersas, afetos subtendidos, e coisas deixadas no ar.

Não basta falar, insinuar com gestos e meias palavras, a gente precisa ver e se ver nestas histórias. Foi uma enorme decepção, e a constatação de que tudo que a autora queria era incluir de forma pouco natural o público LGBTQIAP+ que cresceu com os personagens da saga sem precisar comprometer a tradicional família heteronormativa.

É importante dizer que estes casais não são “ships” frustrados, porque a liberdade de torcer pelos casais existe, o que acontece no queerbaiting é uma clara manipulação de atrair um certo público com a “promessa” de que esta história vai acontecer e ela simplesmente fica no subtendido.

Para identificar é simples, basta se perguntar, essa troca de olhares, essa linguagem ambígua, essas piadas, seriam facilmente interpretadas como relacionamento amoroso se fossem feitos por homem e mulher? Então é queerbaiting.

Há ainda um agravante muito sério que acontece nas histórias em que as personagens são duas meninas, porque muitas vezes os roteiristas são do sexo masculino e partem de um ideal em que as personagens não se importam em serem “confundidas” com homossexuais.

Esse efeito de “amigas heteros que se pegam” anulam as lésbicas, é uma narrativa muito homofóbica, que nega as mulheres homossexuais a ideia de romance e trata tudo com erotismo vago. Exemplo disso é o que acontece na famosa série Glee, onde Santana e Brittany deixavam entender um romance que só se concretizou depois de duras críticas e pressões da comunidade.

Não é mimimi, uma comunidade que foi ignorada e apagada da história precisa, sim, de representatividade clara e de linguagem definida. O entretenimento precisa ser uma representação social que englobe a pluralidade das pessoas.

Já chega de transformar as nossas lutas em cotas, circos e coisas subtendidas. Que tenhamos personagens reais, com problemas reais, na sua pluralidade e personalidade.

Jhey Borges

Jenifer Borges, publicitária, colunista e ativista das causas das mulheres, negros, jovens e LGBTQIA+, escrever é um ato político desde que suas palavras sejam condizentes com igualdade social e sua própria índole

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