fbpx

O que esperar das eleições presidenciais: candidatos, alianças e pautas para campanha

O que esperar das eleições presidenciais: candidatos, alianças e pautas para campanha
Abdias Pinheiro/SECOM/TSE

O primeiro turno das eleições brasileiras está marcado para o dia 2 de outubro, data em que os eleitores irão às urnas para votar nos candidatos à Presidência da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais. A tendência é que as eleições para presidente fiquem polarizadas entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas ainda há uma série de pré-candidatos tentando ocupar o posto da chamada “terceira via”. Até o dia 15 de agosto, data limite para registro de candidaturas, uma série de peças ainda deve se movimentar no xadrez político.

Uma pesquisa Quaest (2) mostrou que para 26% dos brasileiros, o melhor seria não ter nem Lula e nem Bolsonaro na Presidência em 2023. Isso mostra que há um apelo pela terceira via nas eleições de outubro. Dentre os pré-candidatos que almejam o posto já surgiram nomes como o do advogado e ex-juiz e ministro da Justiça, Sergio Moro (Podemos) e do ex-governador Ciro Gomes (PDT). No entanto, até o momento ninguém conseguiu ser considerado um terceiro nome forte para as eleições de 2022, capaz de tirar Lula ou Bolsonaro do segundo turno.  

“A gente não sabe ainda se a polarização se confirma, a tendência é que se confirme. Agora, aqueles candidatos chamados de terceira via não mostraram, até agora, nenhum sinal de que vão produzir na reta final uma arrancada”, avalia o cientista político e professor no Instituto de Ciências Sociais da  Universidade Federal de Uberlândia (INCIS/UFU) Leonardo Barbosa e Silva. 

A disputa neste ano tende a ser polarizada entre Lula e Bolsonaro. As pesquisas de intenções de voto mostram que Lula pode vencer ainda no primeiro turno. Para o cientista político, ainda é cedo para afirmar que este será o cenário político das eleições de 2022, tendo em vista a reviravolta das eleições de 2018, em que Bolsonaro foi eleito em segundo turno.

“Havia no primeiro momento aquela expectativa de que a polarização se daria de novo entre o PT e o PSDB, na sequência aparece Bolsonaro, não havia muita expectativa de que ele crescesse”, relembrou. O cientista político explica que àquela época, durante o ano eleitoral, surgiram novos fatores que contribuíram para mudanças significativas para o resultado das eleições.    

“Na medida que o tempo foi passando ele tava sempre superando as expectativas porque houve naquela época [em 2018] uma confluência de fatores importantes: uma ascensão da nova direita, uso das redes sociais de forma intensiva, a alternativa do Facebook de privilegiar uns assuntos em detrimento de outros usando os algoritmos. Aqui no Brasil, o avanço da Lava-Jato; do movimento anti-política e fechando com o acontecimento da facada no Bolsonaro”, explica. 

Os fatos ocorridos em 2018 foram inéditos nas eleições presidenciais. Leonardo Barbosa e Silva destaca que geralmente a lógica política durante as eleições não é essa e não leva em consideração todos esses fatores como redes sociais, notícias falsas e atentados contra candidatos em detrenimento de um único candidato, como foi o caso do presidente Bolsonaro. 

“É muito difícil que um candidato chegue ao segundo turno sem tempo de TV, sem grande aliança eleitoral, sem estar com boa parte do fundo partidário em mãos. Um pouco da tradição foi quebrada. Isso deve acontecer de novo? É menos provável que isso aconteça”, explica.  

Bolsonaro foi eleito em 2018 mesmo tendo apenas 7 segundos do tempo de TV – algo inédito no Brasil.

Mas em 2022, as dezenas de escândalos envolvendo a família Bolsonaro, além da crise econômica e sanitária que assola o país, são fatores que podem atrapalhar ainda mais os planos de reeleição do presidente. “O Lula tem um legado eleitoral muito forte. O Bolsonaro tem um legado eleitoral menos forte que o do Lula, mas também o tem e nós não sabemos ainda o que pode acontecer durante este ano. Então, se houver mais alguma denúncia que diga respeito as fake news, aos filhos do Bolsonaro, o candidato pode perder um pouco de fôlego”, avalia o cientista político.   

As expectativas para a eleição

Na semana passada, uma pesquisa Ipespe (1) mostrou que Lula tem 44% das intenções de voto. Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 24%. Moro aparece com 9%, seguido por Ciro Gomes, com 7%; João Doria (PSDB), com 2%. Em um cenário sem Moro, Lula continua com 44%, Bolsonaro varia para 25% e Ciro, para 9%.

Já uma pesquisa divulgada em 12 de janeiro deste ano, realizada pela Quaest/Genial (2), mostrou que Lula segue na liderança nas intenções de voto, com 45%. Bolsonaro está logo atrás, com 23%. Em terceiro lugar está Moro, com 9%. Outros candidatos como a senadora, Simone Tebet (MDB), Doria e o candidato pelo partido Novo, Felipe d’Ávila, não ultrapassaram 5% das intenções de voto.

Já no segundo turno, a pesquisa Ipespe mostra que Lula venceria Bolsonaro (56% a 31%), Moro (51% a 32%), Ciro (51% a 25%) e Doria (53% a 20%). O presidente Bolsonaro também perderia para Ciro (43% a 34%), Doria (42% a 35%) e Moro (36% a 29%).

Rejeição

As pesquisas eleitorais mostram o potencial de voto dos pré-candidatos, mas também revelam um dado importante: o índice de rejeição de cada um. Silva explica porque esse é um dado importante.

“A rejeição para a gente na ciência política, normalmente, é o ‘teto’. Quando você olha o índice de rejeição você está olhando o teto, até onde esse candidato pode chegar. Então se ele tem uma rejeição de mais de 50% é muito provável que ele não vença uma eleição”, completa. 

Segundo a pesquisa Quaest (2), o pré-candidato com maior rejeição é o presidente Bolsonaro. Segundo o levantamento, 66% dos brasileiros afirmam que não votariam em Bolsonaro. O segundo pré-candidato mais rejeitado é Dória (60%), seguido por Moro (59%), Ciro Gomes (58%) e Lula (43%).

Alianças políticas para as eleições

O universo político é um local em que criar e manter alianças é essencial. O xadrez político para as eleições de 2022 ainda está em formação e os partidos e pré-candidatos ainda negociam alianças e a formação de chapas para o pleito. Dentre os pré-candidatos, ainda não há definições sobre as alianças que serão costuradas para as eleições.

“O Moro, talvez, fosse aquele que tivesse um pouco mais da expectativa de poder angariar votos, disputar parte do eleitorado do Bolsonaro, mas ele não tem conseguido arregimentar pessoas ao lado dele e tem um elevado índice de rejeição”, observa Leonardo Barbosa e Silva.

Até agora, Moro ainda não conseguiu nenhum candidato para ser vice, o que complica ainda mais o cenário para ele, pois um candidato ou candidata a vice poderia alavancar a candidatura de Moro. “Ele sonha em ter a [senadora] Simone Tebet como vice, mas ela quer ser candidata; ele sonha com o [ex-ministro da Saúde, Henrique] Mandetta, mas o Mandetta quer ser candidato. Então ele ainda não consegue um apoio importante para alçar voo”, diz.  

Além de Moro, outros nomes conhecidos também estão em busca de firmar alianças políticas. O professor da UFU, Leonardo Barbosa e Silva, explica que Ciro Gomes, por exemplo, tem uma fração do público cativo e disputa espaço na centro-esquerda, mas é difícil que ele dispute espaço na centro-direita se não tiver uma aliança formal com alguém deste campo político. “Aqueles partidos que hoje, talvez, estejam mais próximos do Moro e do Mandetta, e o Ciro não tem conseguido ir nesse caminho. Nessa semana ele sinalizou uma aliança com Marina Silva, que é da Rede e que fica ali no centro. Então isso não amplia muito para o Ciro as chances”, diz.

Em uma situação parecida está o atual governador do estado de São Paulo, João Doria, que também enfrenta um grande percentual de rejeição e ainda não apresentou nenhum nome como vice. 

“Então, a primeira vista, a não ser que outra tempestade perfeita ocorra, a tendência é que a gente tenha uma polarização entre Lula e Bolsonaro e com muito mais chances do Lula vencer ainda no primeiro turno, porque o Bolsonaro não consegue construir uma imagem mais sólida porque ele tem problemas com a crise econômica, se ela [a economia] não se resolver ela arrasta a candidatura dele para o fundo do mar; tem problemas com a covid-19; tem problemas com os setores de exportadoras; com setores internacionais”, avalia.              

Pré-candidatos à Presidência

Por enquanto, já são 11 os pré-candidatos à Presidência da República. São eles:

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • Jair Bolsonaro (PL) 
  • Sergio Moro (Podemos)
  • Ciro Gomes (PDT)
  • João Doria (PSDB)
  • Rodrigo Pacheco (PSD)
  • Simone Tebet (MDB)
  • Alessandro Vieira (Cidadania)
  • André Janones (Avante)
  • Felipe d’Ávila (Novo)
  • Leonardo Péricles (UP)

Inflação, desemprego, corrupção e saúde: as pautas que vão movimentar as eleições

Nos últimos quatro anos a inflação, o alto índice de pessoas desempregadas no país, além das centenas de milhares de mortes causadas pela covid-19 moldaram um novo cenário para as eleições de outubro. De acordo com uma pesquisa do Instituto Datafolha, neste ano a preocupação dos eleitores é a saúde. Em 2018, a pauta mais citada pelos brasileiros era a corrupção. 

“Pesquisas têm mostrado a preocupação do eleitorado frente a criação de políticas públicas, não somente para prevenir como também para controlar o avanço do coronavírus, então entendo que esse seja um tema natural e que deva ocupar a preocupação do brasileiro na definição do voto”, avalia o cientista político Doacir Quadros. 

Segundo o Datafolha, 22% dos brasileiros citaram a saúde como principal assunto que deve ser tratado pelos candidatos. Em seguida estão desemprego (13%), economia em geral (13%), inflação (9%), educação (6%) e fome e miséria (6%).  

“Há uma projeção do aumento da inflação para 2022, comparado ao ano de 2021. Há também uma projeção dos especialistas para um baixo crescimento econômico comparado com o ano anterior. E por fim, o desemprego, que por mais que exista a possibilidade da geração de empregos neste ano, a tendência é que [a taxa de desocupação] se mantenha em 13%”, avalia Quadros. 

Além destes temas, Quadros aponta que a questão dos programas sociais e da redução da pobreza, tão urgentes nestes tempos de crise, também farão parte dos assuntos discutidos pelos candidatos. Corrupção e valores conservadores, temas clássicos discutidos em toda eleição, também poderão fazer parte desta eleição. 

“Corrupção é um tema clássico para a população brasileira, sobretudo em período de campanha para a presidência da República. E também os valores conservadores. Eu entendo que isso também deva guiar as campanhas dos candidatos, até porque há uma preocupação em conquistar o voto do eleitorado religioso, também há uma preocupação, por outro lado, da conquista do voto do público progressista”, analisa.

Pesquisas citadas:

(1) Pesquisa Ipespe: A pesquisa foi realizada de 10 a 12 de janeiro de 2022. Foram entrevistadas 1.000 pessoas. A margem de erro do levantamento é de 3,2 pontos, para mais ou para menos. O nível de confiança é 95,5%. A pesquisa está registrada no TSE sob o nº BR-09080/2022 e foi contratada pela XP Investimentos ao custo de R$ 42 mil.

(2) Pesquisa Quaest/Genial: O levantamento ouviu duas mil pessoas entre os dias 6 e 9 de janeiro e a margem de erro é de 2 pontos percentuais. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral com o número BR-00075/2022.

Regra dos Terços

Veja a vida de outro ângulo.

2 thoughts on “O que esperar das eleições presidenciais: candidatos, alianças e pautas para campanha

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: