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Óculos que converte textos em áudio auxilia estudantes cegos, mas ainda é inacessível no Brasil

Óculos que converte textos em áudio auxilia estudantes cegos, mas ainda é inacessível no Brasil
(Foto - @orcamlatin/Instagram)

Com o objetivo de facilitar o aprendizado de estudantes cegos, o óculos “Orcam MyEye” é um dispositivo israelense criado em 2015, com inteligência artificial e dotado de áudio. Com isso, o óculos é capaz de ditar os textos de livros didáticos, a fim de que estudantes com deficiência visual possam ouvir e compreender mais facilmente os conteúdos didáticos. Porém, por ser um produto de alto custo (R$ 14 mil por unidade), o óculos ainda é inacessível para a maioria dos deficientes visuais no Brasil.

Desde 2018, o dispositivo é importado no país pela empresa Mais Autonomia. Com o tamanho de um dedo e apenas 22 gramas, essa tecnologia se conecta a todo tipo de armação de óculos para capturar as imagens de textos em livros ou em qualquer tipo de material, como um cardápio de restaurante. Basta apontar o dedo onde quer que se faça a leitura e, depois, o texto é convertido em voz alta, através de um alto-falante acima do ouvido. Além disso, não necessita de conexão com a internet e é capaz de traduzir e ditar textos em português, espanhol e inglês. 

Segundo dados da Mais Autonomia, o Orcam MyEye já beneficiou estudantes de 800 cidades diferentes. Porém, não existe um número exato de quantas pessoas se beneficiaram com esta tecnologia, o que dificulta mensurar o impacto na vida dos 35,7 milhões de brasileiros com deficiência visual, de acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2010.

Neste ano, o Ministério da Educação (MEC) ampliou a distribuição do “óculos falante” em escolas das redes municipal e estadual e em universidades públicas e privadas, especialmente em Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Amazonas. O dispositivo é dado ao aluno até o término da unidade de ensino, seja o ensino fundamental, ensino médio, ou o superior. Apenas em São Paulo, 51 unidades do Orcam MyEye foram distribuídos nas escolas públicas. Além disso, três unidades foram colocadas em bibliotecas públicas, sendo uma no Centro Cultural São Paulo e duas na Biblioteca Mário de Andrade.

O dispositivo já beneficiou a vida de diversos estudantes, como Kayenne Alves, de 16 anos, que recebeu um dos 62 óculos entregues a alunos da rede pública em Mato Grosso. Como sempre foi aluna da rede estadual antes de entrar para o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), Kayenne foi beneficiada com um óculos para concluir seu ensino médio. “Nem sempre as pessoas me entendem. Poucos conseguem realmente saber o que é a inclusão. Para mim, ter essa tecnologia me trouxe também mais confiança”, afirmou a estudante de Cuiabá (MT) ao Razões para Acreditar.

A realidade de Kayenne, contudo, contrasta com a falta de acesso mundial à tecnologias assistivas. Segundo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mais de 2,5 bilhões de pessoas precisam de um ou mais produtos assistivos no mundo, mas quase um bilhão não têm acesso, principalmente em países de baixa e média renda.

A oferta do dispositivo começou em 2018, desde que o diretor da Orcam, Doron Sadka, analisou o último censo do IBGE sobre pessoas com deficiência. Ele afirmou que o governo israelense paga 50% do preço do Orcam MyEye por ter uma política de subsídio para tecnologia assistiva, algo que o Brasil ainda não tem. “Então, comecei a entrar em contato com governadores, prefeitos e reitores de universidades para explicar como era o dispositivo”, afirmou Doron Sadka ao G1. Devido ao fato de a empresa Mais Autonomia ser a única representante no país, a legislação brasileira permite que o dispositivo seja comprado sem necessidade de licitação, por inexigibilidade.

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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