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Prefeito é alvo de operação da PF contra garimpo ilegal

Prefeito é alvo de operação da PF contra garimpo ilegal
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Após deflagrar a operação Uiara III nesta quarta-feira (20), a Polícia Federal (PF) revelou que o prefeito de Jutaí (AM), Pedro Macario Barboza, recebeu propina em dinheiro e ouro para manter a fiscalização ambiental longe de garimpeiros que atuam ilegalmente na região. Segundo investigação da PF, a propina era paga na secretaria municipal de Meio Ambiente, e o próprio prefeito é suspeito de possuir uma draga beneficiar-se de mineração ilegal na área.

Além de ter sido afastado da prefeitura por decisão da Justiça, Barboza também foi preso em flagrante em novembro de 2021, quando tentava embarcar do aeroporto de Tefé para Manaus com 257 gramas de ouro ilegal, avaliadas em R$ 80 mil. Devido ao crime, Barboza foi condenado pela 4ª Vara Criminal da Justiça Federal do Amazonas a pagar 20 salários mínimos, ou o equivalente a R$ 22 mil.

Em nota, a Polícia Federal afirmou que a operação Uiara I foi deflagrada com o objetivo de retirar de garimpeiros ilegais na região de Autazes e Nova Olinda do Norte. No início, a PF apreendeu e destruiu 131 balsas, além de prender três pessoas com 150 gramas de ouro extraído ilegalmente da calha do Rio Madeira, bacia do rio Amazonas que banha os estados de Rondônia e do Amazonas.

Ainda em novembro do ano passado, durante a operação Uiara II contra o garimpo ilegal, cerca de 15 balsas foram apreendidas no Rio Madeira, nas proximidades de Nova Olinda do Norte, no Amazonas. Parte do material foi queimado pelos agentes da polícia federal.

Na fase atual da operação, a PF acusa o prefeito de Jutaí de consentir e participar de uma organização criminosa voltada à prática de garimpo ilegal, além de praticar corrupção ativa e passiva, crimes ambientais e outras infrações. 

Na manhã desta quarta-feira (20), os policiais cumpriram dez mandados de busca e apreensão e medidas cautelares diversas de prisão, como a da própria irmã do prefeito, presa devido à posse de ouro e R$ 40 mil em cédulas de dinheiro. 

Desmatamento e garimpo recorde é uma tendência dos anos eleitorais 

Segundo a  diretora política do Instituto Socioambiental, Adriana Ramos, os anos de eleição são, historicamente, os mesmos em que o desmatamento e o garimpo disparam. “Essa é uma tendência geral, porque existe essa sensação de ‘tudo ou nada’, de que alguma coisa pode mudar, então ‘precisamos aproveitar’. Então, tem também o fato de que, durante o período eleitoral, é comum que a fiscalização ambiental diminua, porque os governos entendem que também são medidas impopulares, então esse controle se torna mais fluido”, explica. 

Nesse contexto, Adriana aponta que o governo Bolsonaro foi uma exceção em termos de fiscalização ambiental, pois desde o início do mandato, o presidente reiterou diversas declarações e editou várias medidas provisórias em defesa da expansão do agronegócio em diversas reservas ambientais e indígenas.

“Essa fiscalização mais branda ocorreu durante todo o governo Bolsonaro, mas acho que existe sim essa vontade de aproveitar ao máximo, principalmente com a sinalização de possível derrota de Bolsonaro nas urnas. Caso ocorra, toda essa política que fez com que ameaças e invasões aumentassem ao longo dos anos tende a ser mudada, e certamente quem atua na ilegalidade quer aproveitar até o limite de um governo que não toma conta efetivamente do patrimônio público”, afirma a diretora política do Instituto Socioambiental.

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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