ORAÇÃO DO ADEUS

Faça uma oração comigo e peça à Deus, os anjos e os santos, que nosso coração jamais se quebre a ponto de nenhuma música do Legião poder curá-lo. Em casos de excessos, evite tripudiar sobre o que sinto e me devolva as minhas partes lúcidas enquanto um argumento ou outro sai de mim sem pressa de retórica e meu subconsciente canta “ainda é cedo”. Me olhe com atenção e veja meus poros falarem por mim, sobre o medo e a dor de precisar existir num mundo que não se explica e carrega em si muito pouco da poesia necessária para nos reerguer.

Acenda um cigarro, enquanto nossa chama se apaga e você se apega aos meus trocadilhos. Saboreie a solidão e a certeza de que algo de mim sempre acaba indo embora quando você me afasta ao invés de me envolver. Veja-me como cicatriz eterna no seu tornozelo esquerdo, aquele que dói. E como um reflexo distorcido de tudo aquilo que custa. Eu sinto muito por não ter segurado seu rosto com as duas mãos e repetido várias vezes que eu estaria aqui caso você quisesse voltar. E sinto muito, porque isso seria mentira, mas a gente mente sem pensar quando percebe que talvez não haja mais nada a se fazer sobre o amor que não exala perfume algum. Não me culpe. Não me julgue. Não me busque mais.


Eu sei que muito do que eu digo agora não faz sentido. E mesmo quando eu faço sentido, acabo me perdendo apenas no conceito de querer sentir tudo o tempo todo sem dó dos meus ossos cansados que sempre buscam seu ombro para tentar dormir. E agora eu acho que você sorri. E agora eu acho que consigo sentir seu queixo pressionar um ponto da minha testa e talvez eu até tenha um pouco de sono. E nós iremos dormir, acordar e viver o dia seguinte com doses exageradas de café e uma certeza árida de que sofremos propositadamente o peso de sermos quem somos, de sermos sozinhos e nômades de si mesmos, numa caminhada que muitas vezes nos deixa sem outra opção, senão, rezar à Deus, os anjos e os santos, que nosso coração ainda tenha jeito.⠀

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: