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Mulher mantida em cárcere privado em hospital está “apodrecendo”, diz polícia

Mulher mantida em cárcere privado em hospital está “apodrecendo”, diz polícia
Foto: Reprodução

A paciente Daiana Chaves Cavalcanti, de 36 anos, está internada há dois meses no Hospital Santa Branca, em Duque de Caxias (RJ), após complicações no pós-operatório de uma cirurgia plástica feita em março. Segundo inquérito da Delegacia de Atendimento à Mulher de Duque de Caxias (Deam-Caxias), “há indícios claros de que a vítima esteja apodrecendo” na unidade particular de saúde, onde a polícia fez uma operação em 18 de julho para prender o médico responsável pelo procedimento, Bolívar Guerrero Silva.

Além de investigar o caso e prender o médico responsável, a polícia entregou o relatório à Justiça, argumentando que Daiana pode estar sendo mantida no hospital para “ocultar a atividade criminosa do médico”. Um dos indícios que reforçam a suspeita é o depoimento de uma amiga da vítima, que contou aos investigadores que o médico chegou a chantagear Daiana para dificultar sua transferência do Hospital Santa Branca. A amiga relatou que o Bolívar disse a Daiana que, caso ela fosse para o Hospital Federal de Ipanema, não autorizaria a transferência da máquina de vácuo para drenagem das secreções expelidas pelo corpo de Daiana após a cirurgia.

Já Bolívar afirmou que não houve erro médico, e que Daiana não foi mantida em cárcere. O médico afirmou que a paciente não quis ser transferida e que dava toda a assistência possível, com direito a acompanhante e acesso ao telefone celular. Porém, as alegações de Bolívar divergem da opinião da família, que conseguiu duas liminares, uma na esfera cível e outra na criminal, para viabilizar a transferência de Daiana do Hospital Santa Branca. A família resolveu recorrer à Justiça porque, segundo o pai de Daiana, Paulo Lacerda, não conseguem arcar financeiramente com a transferência para uma unidade de saúde privada. Apesar de as liminares terem sido concedidas, a paciente ainda não tinha saído do hospital até a tarde esta quarta-feira (20). 

Além disso, a alegação de Bolívar de que não houve erro médico na cirurgia foi contestada por uma testemunha, a qual afirmou que Daiana apresentou pus nas feridas da cirurgia, aparentemente necrosando, e que os pontos sempre soltavam, deixando suas feridas expostas. Mesmo assim, Bolívar dizia que Daiana estava em situação estável e que ele cuidava dela.

Outra testemunha e funcionária do hospital afirmou que nenhum paciente é obrigado a permanecer no hospital, e disse que, mesmo sem alta médica, os pacientes podem sair da unidade particular de saúde assinando um documento de alta à revelia. Porém, em vídeo nas redes sociais, Daiana queixou-se de dor e cansaço. “Eu só queria que me tirassem daqui, para outro médico me acompanhar, porque eu já não aguento mais, já não aguento mais o que esse homem fez comigo. O meu peito está todo necrosado, está doendo tanto.”

Além disso, a própria paciente desmentiu o depoimento de Bolívar, o qual afirmou que respeitava o direito da paciente de ter acompanhantes no quarto. “Eu não tenho uma enfermeira pra poder me levantar da cama, eu mesma tenho que me levantar sozinha. Ontem, eu passei o dia toda sozinha, porque minha outra acompanhante ficou com trauma dele”, revelou.

Após a repercussão do caso de Daiana, outras pacientes procuraram a Deam-Caxias para denunciar o médico, como a dona de casa Ana Cláudia Gonçalves, de 49 anos. Em seu depoimento, ela conta que fez uma plástica no abdômen e colocou próteses nos seios em 2019 no Hospital Santa Branca e, durante o procedimento, teve duas paradas cardíacas e necroses. “Estou com defeito, a minha barriga está toda torta, o meu umbigo está todo torto, e eu estou com sequela. Ele não me operou. Quem me operou foram as enfermeiras, ele estava lá só para me auxiliar”, contou Ana Cláudia em depoimento aos policiais.

Nesta terça-feira (19), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) manteve a prisão temporária do cirurgião Bolívar, preso após a denúncia de supostamente manter Daiana em cárcere privado no Hospital Santa Branca, do qual é sócio. Após a prisão do médico, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) abriu sindicância para investigar o caso. 

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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