PACIENTES DENUNCIAM FECHAMENTO DA ALA DE ONCOLOGIA DO HOSPITAL SARAH

Por meio das redes sociais, pacientes do Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília (DF), denunciam o fechamento da Ala de Oncologia, referência no tratamento de câncer no DF. A notícia foi passada aos pacientes atendidos na ala por meio de um relatório enviado por profissionais do hospital no início deste mês. Em nota, a diretoria do Hospital nega a desabilitação do setor e afirma que houve um mal entendido.  

Desde de 2014, a enfermeira Ada Guimarães faz tratamento no Hospital Sarah Kubitschek para tratar o Sarcoma de Ewing, tipo raro de tumor ósseo. Ela conta que recebeu a notícia na última segunda-feira (5), por meio de um relatório enviado a outro paciente que também faz tratamento no Hospital. 

Hospital Sarah Kubitschek – Brasília (DF). Foto: Divulgação/Rede Sarah

“O Matheus me mandou o encaminhamento dele, onde médico o desligava do programa de oncologia do Sarah. Logo em seguida liguei para a oncologista da Ala. ‘Doutor? Isso é uma piada?’ E ele me confirmou que infelizmente não era. [E disse] ‘Estamos todos em luto’”, relembrou. 

Ada conta que entrou em contato com funcionários da Ala, que foram remanejados para outros setores do hospital, e eles confirmaram a informação. “Nós, pacientes, ficamos desesperados. Começamos a mandar mensagem para os funcionários da ala, mas eles não podem nos informar nada. Faz parte do código de ética hospital. Então todos pacientes foram colhendo informações”, conta. 

A mensagem pede que a paciente seja encaminhada para atendimento no serviço de Oncologia Geral, pois o programa de oncologia será desabilitado. 

Imagem: Ada Guimarães/arquivo pessoal

 

Há sete anos, Matheus faz tratamento contra um tumor ósseo no Hospital Sarah. A mãe do jovem, Gorete, conta que ficou em choque quando soube da notícia. “Em 21 de junho, no último atendimento dele, nos informaram que o Hospital Sarah não ia mais fazer o atendimento da área oncológica e depois eles nos enviaram um relatório para procurar outra unidade para dar continuidade no tratamento”, relembra. 

Gorete conta que ao ligar na unidade de saúde eles negam o fechamento da Ala e afirmaram, por meio de ofício, que vão entrar em contato até esta terça-feira (13). “A gente quer uma solução para este caso. São vidas, são muitas vidas que estão em jogo”.  

Hospital Sarah nega o fechamento da Ala Oncológica 

Em nota enviada à reportagem, a diretoria do Hospital explicou que de acordo com a Portaria do Ministério da Saúde, SAS/MS nº 140/2014, responsável por regular as Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON), a rede unidade do Hospital Sarah foi desabilitada por atender apenas tumores ósseos e do sistema nervoso central. Para continuar com a autorização era preciso atender outros tipos de câncer, o que não seria possível devido à estrutura do local.

Porém, a Rede de Hospitais Sarah, que é administrada pela Associação das Pioneiras Sociais, renovou contrato com a Controladoria Geral da União (CGU) até 2025. De acordo com a nota, o documento permite que os atendimentos a pacientes com câncer do aparelho locomotor ou do sistema nervoso central continuem independente do Hospital estar ou não habilitado pelo Ministério da Saúde para fornecer o serviço médico. 

“Nossa enfermaria de oncologia está em pleno funcionamento e todos os pacientes que tiverem tumores ósseos, medulares ou cerebrais podem solicitar tratamento e serão prontamente atendidos, já que os tumores são classificados como prioridade 1 no nosso sistema de regulação”, afirma a nota.

Segundo a nota, a Rede Sarah está recebendo uma grande quantidade de pessoas para reabilitação pós-covid-19 e por isso foi preciso fazer uma reorganização dos leitos para atender essa demanda e continuar atendendo pacientes já atendidos nas unidades, mas que isso não implica no atendimento que segue normal. 

“Hoje, 30% de nossas solicitações de consulta são para o Programa de reabilitação pós-covid. Para atender a esta nova demanda sem deixar de assistir os casos que já eram atendidos na Rede Sarah, foi necessário uma reorganização de leitos em toda a Unidade Sarah-Centro. Algumas enfermarias cederam leitos para outros programas para podermos acolher os casos de covid longa. Isto ocorreu nas enfermarias de reabilitação de lesão medular, neurológica e na enfermaria de oncologia. Alguns profissionais também foram convidados a participar desta frente covid, mas isto não implica em cancelamento dos atendimentos de nenhum dos pacientes que a Rede vinha atendendo, nem no acesso a tratamento, independente de covid, na nossa instituição”, explica. 

Fechamento da Ala foi solicitada pelo Sarah

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde informou que a desabilitação do setor oncológico foi solicitada pelo próprio hospital com autorização da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES/DF).

“Em 2019, a Rede Sarah encaminhou ao ministério o Oficio nº 17/19 – PR/APS, solicitando desabilitação como Unacon, sob a alegação de que não atendia às obrigações definidas para os estabelecimentos de saúde habilitados como Unacon, como a disponibilização de especialidades mínimas obrigatórias, conforme a portaria vigente”, explica. 

De acordo com a assessoria, mesmo com a desabilitação, os atendimentos continuam. “Cabe ressaltar, no entanto, que o hospital continua atuando nos tratamentos de cirurgias de tumores cerebrais e ósseos, no qual é habilitado desde 2008”, diz.  

Confira a nota do Hospital Sarah na íntegra

A Rede Sarah de Hospitais é gerida pela  Associação das Pioneiras Sociais, criada pela Lei Federal n. 8246/1991 como pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos. É composta por 9 hospitais que atendem 1.600.000 pacientes por ano na área de reabilitação neurológica e ortopédica. Todos os atendimentos (100%) são públicos, pelo sistema SUS.

A Rede Sarah tem um Contrato de Gestão com a União que foi renovado recentemente, para o quinquênio 2021-2025, o documento está disponível no nosso site http://www.sarah.br. Nenhum contrato da Rede Sarah com o Ministério da Saúde foi cancelado.

A Rede Sarah recebe pacientes oncológicos apenas na Unidade de Brasília- Centro, que estava habilitada como UNACON. Em função da Portaria SAS/MS nº 140/2014, que regulamenta as unidades UNACON, a Rede Sarah foi desabilitada, visto que só atende a tumores ósseos e do sistema nervoso central e para obter a habilitação teria que atender a uma gama mais ampla de casos, o que não é possível considerando a infraestrutura da Rede. Porém, no Contrato de Gestão estabelecido com a União, é prevista a assistência a casos neurológicos e ortopédicos, o que nos permite acolher pacientes com câncer do aparelho locomotor ou do sistema nervoso central, independente de habilitação UNACON. Em síntese , as observações do Ministério da Saúde e da CGU não afetam em nada a atenção à população oncológica atendida.

Nossa enfermaria de oncologia está em pleno funcionamento e todos os pacientes que tiverem tumores ósseos, medulares ou cerebrais podem solicitar tratamento e serão prontamente atendidos, já que os tumores são classificados como prioridade 1 no nosso sistema de regulação. A solicitação pode ser feita pelo site http://www.sarah.br, opções :Brasília/neurologia (cerebrais e medulares) ou /ortopedia (tumores ósseos) e serão contatados em até 3 dias pela nossa equipe para agendamento de consulta de admissão.

O que ocorreu de novo é que a Rede Sarah está recebendo uma grande demanda de pacientes para Reabilitação pós COVID, a chamada COVID Longa, que tem deixado muitas sequelas importantes neurológicas e ortopédicas. Hoje, 30% de nossas solicitações de consulta são para o Programa de reabilitação Pós-COVID. Para atender a esta nova demanda sem deixar de assistir os casos que já eram atendidos na Rede Sarah, foi necessário uma reorganização de leitos em toda a Unidade Sarah-Centro. Algumas enfermarias cederam leitos para outros programas para podermos acolher os casos de COVID longa. Isto ocorreu nas enfermarias de reabilitação de lesão medular, neurológica e na enfermaria de oncologia. Alguns profissionais também foram convidados a participar desta frente COVID, mas isto não implica em cancelamento dos atendimentos de nenhum dos pacientes que a Rede vinha atendendo, nem no acesso a tratamento, independente de COVID, na nossa instituição.

Procuramos os profissionais que assinaram este relatório e eles justificaram que quando viram a desabilitação pelo UNACON imaginaram que deveriam encaminhar e avisar aos pacientes desta desabilitação.

Informamos que o mal entendido já foi resolvido e os pacientes não receberão mais este tipo de relatório.  

Nota completa do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde esclarece, que a desabilitação da Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), do Hospital Sarah de Brasília, foi solicitado pelo próprio estabelecimento com aprovação da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES/DF). Cabe ressaltar, no entanto, que o hospital continua atuando nos tratamentos de cirurgias de tumores cerebrais e ósseos, no qual é habilitado desde 2008.

Em 2019, a Rede Sarah encaminhou ao ministério o Oficio nº 17/19 – PR/APS, solicitando desabilitação como Unacon, sob a alegação de que não atendia às obrigações definidas para os estabelecimentos de saúde habilitados como Unacon, como a disponibilização de especialidades mínimas obrigatórias, conforme a portaria vigente.

Esse tipo de solicitação, contudo, deve ser pactuada com o gestor de saúde local. Em abril de 2019, a SES/DF solicitou a desabilitação do Hospital Sarah de Brasília como Uncon. Considerando a manifestação do gestor local e a manifestação do estabelecimento, foi publicada a Portaria SAS nº 935 de 06 de agosto de 2019, desabilitando o Sarah Brasília como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia.

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