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TDAH apaixonado ou hiperfocado? Podcast discute relacionamentos para neurodivergentes

TDAH apaixonado ou hiperfocado? Podcast discute relacionamentos para neurodivergentes

“Eu já hiperfoquei em muitas pessoas. Eu namorava meninas no colégio, e cada menina era o amor da minha vida. Eu pedia em namoro, pedia para os pais dela, frequentava a casa e era a menina da minha vida. Dois meses depois, eu não queria mais saber dela na minha vida”, conta o jornalista Erick Mota (@erickmotaporai) no episódio desta semana do Podcast Distraídos. Na vida de quem tem Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), ficar hiperfocado e estar apaixonado por alguém podem ser situações que se confundem. Separar as duas coisas nem sempre é fácil, e manter relacionamentos a partir disso, pode ser ainda mais difícil.

Poly Sá, idealizadora do projeto Hey Autista e convidada do episódio #15, comenta que hiperfocar em alguém era algo comum durante a adolescência. Durante o período, ela ainda não sabia que tinha TDAH, condição que só seria diagnosticada anos depois. “Acontecia com uma frequência muito grande. No início da adolescência, eu tinha crushes que duravam um mês inteiro, eu pensava na pessoa, escrevia música. Quando eu via, o sentimento tinha passado e eu simplesmente não pensava mais nela, mal mantinha a amizade e ainda ficava com um sentimento de culpa caso a pessoa desenvolvesse um sentimento recíproco àquele que eu havia demonstrado”, conta ela. 

Ouça o episódio #15 no Spotify:

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O hiperfoco, que pode ser encontrado em pessoas com TDAH, faz com que as atenções do indivíduo se voltem totalmente a algo. Pode ser um assunto, uma atividade ou, no caso de relacionamentos, a uma pessoa. Essa situação pode se transformar em um laço afetivo maior, a depender das circunstâncias. No entanto, não há nenhuma garantia disso.

“Quem olha de fora pode pensar: como é possível a pessoa ter um sentimento tão intenso em tão pouco tempo? Isso tudo é real, é o que a gente está vivenciando. Por mais que seja por um período de tempo curto, ainda assim é algo que se transpõe com uma verdade para nós”, desabafa Poly Sá, que ainda responde à influenciadora digital Alpin Montenegro (@blackautie), co-host do Podcast Distraídos, e afirma que é necessário “respeitar e não invalidar” esse sentimento.

Enquanto o TDAH pode fazer com que o neurodivergente seja mais amoroso e demonstre mais os sentimentos que um neurotípico, as expressões acompanhadas de exagero também podem ser mais frequentes, o que pode prejudicar o relacionamento. Mais da metade das pessoas com TDAH acham difícil regular suas emoções, fator decisivo no momento de começar uma relação.

Para acompanhar o episódio desta semana e os demais do Podcast Distraídos, acesse Spotify, Anchor ou outros agregadores. Para apoiar financeiramente o projeto, uma iniciativa totalmente independente, por meio do apoia.se/podcastdistraidos e faça parte do Hiperfocados, no grupo do Telegram com neurodivergentes e especialistas que conversam sobre o assunto.

Eduardo Veiga

Estudante de Jornalismo e redator freelancer. Já trabalhou em Rádio Banda B, Portal Banda B e publicou no Jornal Plural. Atualmente, é estagiário no Regra.

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