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Cheff Paola Carosella é alvo de xenofobia após criticar bolsonaristas

Cheff Paola Carosella é alvo de xenofobia após criticar bolsonaristas
Cheff de cozinha Paola Carosella passou a sofrer ataques de bolsonaristas após criticar apoiadores do presidente Bolsonaro (Foto: reprodução Dia Cast)

A cheff de cozinha Paola Carosella está sendo alvo de xenofobia promovidas por bolsonaristas após criticar os apoiadores do presidente. Em entrevista ao podcast Dia Cast, a cheff falou que fica muito difícil se relacionar com alguém que segue o presidente Jair Bolsonaro (PL). “Não, mas eu acho que fica muito difícil se relacionar com alguém que… Por dois motivos: ou porque é um escroto ou porque é burro”, criticou a cheff de cozinha. O comentário gerou uma onda de xenofobia, com bolsonaristas falando que o Brasil não é o país dela, que ela deveria voltar para seu país de origem, dentre outros.

“E já tá mais que mostrado, né? Eu acho que ficou muito claro que não teve nunca um programa de governo, que não tem a mínimo ideia do que está fazendo, que tá lutando contra um comunismo que não existe”, disse Paola. A cheff de cozinha nasceu na Argentina. A empresária, escritora e youtuber tem ascendência italiana e é naturalizada brasileira. Ela é dona do restaurante Arturito e do café La Guapa.

“Volta pra sua Argentina socialista”, disse um apoiador de Bolsonaro. “Uma ESCROTA fritadora de bife. Dando pitaco num país que não é dela.”, escreveu outro no Twitter. Por uma escolha editorial, o Regra não irá divulgar a autoria dos posts para não dar maior visibilidade aos extremistas. A única exceção desta matéria será o pré-candidato a deputado federal pelo PL de São Paulo, partido do presidente, e ex-presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, por se tratar de um postulante a cargo público com ligação direta com o presidente da República.

Sérgio Camargo se aproximou de Bolsonaro ao defender pautas contra o movimento do povo preto, ser contrário a medidas afirmativas como cotas raciais e promover ataques a influenciadores pretos. Desta vez, o pré-candidato a deputado apoiado por Jair Bolsonaro, “ordenou” que Paola Carosella se “retrate ou volta para sua amada Argente socialista”.

Outra publicação xenófoba, diz que a cheff terá que voltar para a argentina, uma vez que o “Brasil é @jairbolsonaro”. O post contraria os resultados das pesquisas de opinião sobre o desempenho do governo.

Alguns internautas partiram para a intimidação contra a empreendedora e passaram a divulgar o endereço do seu restaurante, que pode ser facilmente encontrado no Google, em uma clara de tentativa de incentivar extremistas a irem até o local para, na menor das hipóteses, intimidar Paola.

Outros usuários incentivam um boicote até Paola voltar para a Argentina.

Xenofobia ou só troca de ofensas?

A empreendedora Paola ofendeu os eleitores de Jair Bolsonaro, porém, o que está sendo movido contra ela é uma campanha xenofóbica. A xenofobia acontece quando há aversão à pessoa estrangeira. Este tipo de preconceito é tipificado na lei do racismo, que no artigo 140, inciso 3º, do Código Penal, estabelece uma pena de um a três anos de prisão, além de multa, para injúrias motivadas por “elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem, ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”.

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record e Congresso em Foco. Foi repórter de rede da Band, Bandnews TV e rádio BandNews FM, em Brasília. Fundador do Regra dos Terços, é host do Podcast Distraídos.

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