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Paraná Pesquisas é confiável? Polêmicas e diferença entre pesquisas

Paraná Pesquisas é confiável? Polêmicas e diferença entre pesquisas
Murilo Hidalgo, sócio do Paraná Pesquisas, ao lado do presidente Jair Bolsonaro (Foto: reprodução)
Coluna Erick Mota

Na última quarta-feira (1) se tornou público o resultado do último levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, que mostra o ex-presidente Lula (PT) com um empate técnico com Jair Bolsonaro (PL). Ora, se nessa há uma semana um levantamento do Datafolha mostrou vitória do petista ainda em primeiro turno, como isso é possível? Haveria o Paraná Pesquisas ou o Datafolha fraudado o resultado final? A resposta é: não. Nesta coluna, vou te explicar como funciona o levantamento dos institutos de pesquisas, o que leva a tais discrepâncias e como devemos ler os levantamentos.

Mas antes, por óbvio, vamos falar sobre as polêmicas entorno da Paraná Pesquisas. A agência de jornalismo investigativo Sportlight relembrou nesta quinta-feira (2) um contrato firmado entre o governo federal e o instituto paranaense. “Dois meses depois de fechar contrato com o governo federal no valor de R$ 1,6 milhão para prestação de serviços de pesquisa, o Instituto Paraná de Pesquisas e Análises de Consumidor, conhecido como ‘Paraná Pesquisas’, publicou pesquisa eleitoral na qual Jair Bolsonaro (PL) aparece em empate técnico com seu principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 41,4% para Lula a 35,3% quando estimulada e 28,3% a 27,3% na espontânea”.

Pela construção do texto, fica implícito o questionamento: o resultado destas pesquisas teria sido forjado devido a soma milionária que o instituto recém recebeu do governo federal? Este colunista que vos escreve, inclusive, relembrou no Twitter que o dono do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo Lopes de Oliveira, foi denunciado, em 2020, pelo Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP), por lavagem de dinheiro e associação criminosa em caso envolvendo políticos e uma indústria farmacêutica. A denúncia afirma que Hidalgo teria simulado uma pesquisa, arrecadado o dinheiro da farmacêutica e repassado em forma de propina a parlamentares. Ele nega as acusações.

Então você deve estar se perguntando: se o Instituto acabou de fechar um contrato milionário com o governo federal e o sócio da empresa é suspeito de envolvimento criminoso com parlamentares, podemos descartar os levantamentos do Paraná Pesquisas? A resposta, de novo, é não.

Discrepância entre pesquisas

O primeiro ponto a ser compreendido é como funciona um levantamento eleitoral. Todas as pesquisas precisam estar devidamente registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), expondo toda metodologia utilizada.

Para este último levantamento, por exemplo, foram ouvidos 2.020 eleitores, em 164 municípios de 26 estados, mais o Distrito Federal, entre os dias 26 e 30 de maio de 2022. O levantamento foi registrado no TSE sob o número BR-04618/2022. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais. A pesquisa foi contratada pela corretora BGC Liquidez.

Já no último levantamento Datafolha, Lula lidera com 48% contra 27% de Bolsonaro. A pesquisa ouviu 2.556 eleitores acima dos 16 anos em 181 cidades de todo o país, entre os dias 25 e 26 de maio. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Contratado pelo jornal Folha de S. Paulo, do mesmo grupo, o registro no TSE é o BR-05166/2022.

A metodologia utilizada pelo Paraná Pesquisas foi a quantitativa, com entrevistas pessoais. A pergunta estimulada, ou seja, aquela em que são apresentados todos os candidatos concorrentes no pleito ao entrevistado, é a sétima da lista, logo depois da espontânea, que é aquela em que o entrevistado precisa dizer o nome de quem vai votar, puxando os candidatos pela memória. Ou seja, quando o entrevistado chega na pergunta estimulada, ele está com a resposta anterior na cabeça.

Já a metodologia utilizada pelo Instituto Datafolha, que também é com entrevista pessoal, tem uma ressalva destacada no cadastro junto ao TSE: “abordagem pessoal em pontos de fluxo populacional”. Ou seja, o Datafolha aborda as pessoas no meio da rua, em locais movimentados. A pergunta estimulada é a quinta, também vem depois da espontânea.

O ambiente pode alterar a resposta, em ambos os casos. Se for de casa em casa, por exemplo, o marido pode se sentir compelido a responder o que a esposa espera dele e vice-versa. Na rua, o amigo pode se sentir intimidado pela presença de quem está ao lado. Qual é peso de cada um dos métodos? Isso é extremamente relativo e complexo.

Quem acerta mais?

Se pegarmos os últimos levantamentos podemos ter uma noção sobre a assertividade de cada instituto. A do Datafolha, realizada entre os dias 24 e 25 de outubro de 2018, colocou Jair Bolsonaro com 56% dos votos válidos e Fernando Hadad (PT) com 44%. A metodologia foi semelhante, mas a amostragem foi de 9 mil entrevistados. Já o Paraná Pesquisas apresentou Bolsonaro com 60,6% dos votos válidos, contra 39,4% de Haddad, na pesquisa realizada entre os dias 23 e 25 de outubro de 2018, quando ouviu pouco mais de 2 mil entrevistados.

O resultado final das eleições de 2018 foi: Jair Bolsonaro eleito com 55,13% dos votos e Fernando Haddad derrotado com 44,87% dos votos. Ou seja, é possível perceber que o Instituto Paraná Pesquisas, com sua metodologia aplicada, errou na previsão percentual do pleito de 2018, mesmo se considerar a margem de erro, que era de 2 pontos percentuais.

Mas, também é importante frisar: ambos os institutos acertaram o resultado final, mesmo que o Paraná Pesquisas tenha errado os percentuais.

E em 2022, como estamos, segundo as pesquisas?

Agora que você entendeu em detalhes as diferenças entre o Paraná Pesquisas e o Datafolha, pode estar se questionando: mas em 2022, podemos afirmar que Lula será eleito, já que ambos preveem a vitória dele? A resposta é não.

Pesquisa eleitoral aponta o termômetro do momento, ou seja, apresenta como os eleitores estão pensando no dia de sua aplicação. O cenário eleitoral ainda pode mudar muito até o dia das eleições. Uma prova disso são os levantamentos do Datafolha de junho de 2018. Neles Lula aparecia com 30% e Bolsonaro com 17%. Mas Lula não concorreu, como todos sabemos, e, tirando o petista, o segundo colocado nas pesquisas realmente ganhou o pleito.

Mas vamos para o cenário final das eleições, com Haddad. No dia 29 de setembro ele aparecia em segundo, com 22% e Bolsonaro liderava com 28%. Já o levantamento divulgado pelo Paraná Pesquisas no dia 26 de setembro, mostrava Bolsonaro com 31% e Haddad com 20%. O resultado do primeiro turno foi com Bolsonaro com 46% e Haddad com 29%.

Dois dias antes do primeiro turno de 2018, o Datafolha mostrou Bolsonaro com 35% e Haddad com 22%. Já o Paraná Pesquisas colocou Bolsonaro com 34% e Haddad com 21%, basicamente os mesmos números do Datafolha. Vale lembrar que nesta reta final, entre sexta e o domingo de eleições, houve uma intensificação de ambas as campanhas nas ruas. Ambos os institutos não previram exatamente as porcentagens, mas apresentaram o resultado final: segundo turno com Bolsonaro e Haddad, estando Bolsonaro na frente com mais de 10 pontos percentuais.

Diante de todo o exposto é possível afirmar que as pesquisas são sim confiáveis para se medir o termômetro do momento e que, em suma, o Datafolha costuma ser mais preciso em suas previsões.

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record e Congresso em Foco. Foi repórter de rede da Band, Bandnews TV e rádio BandNews FM, em Brasília. Fundador do Regra dos Terços, é host do Podcast Distraídos.

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