O QUE AS ÚLTIMAS PESQUISAS MOSTRAM SOBRE O GOVERNO BOLSONARO

Uma pesquisa feita pelo Datafolha e divulgada nesta segunda-feira (12) mostra que a maioria dos brasileiros é contrária à participação de militares da ativa em manifestações políticas e em cargos do governo. Esta é uma das diversas pesquisas divulgadas nos últimos dias pelo instituto que ajudam a entender a situação do governo federal, que passa pelo momento de maior pressão desde a posse. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se vê cada vez mais pressionado pelas investigações da CPI da Pandemia no Senado e pela situação do país em meio à crise sanitária causada pela Covid-19

As últimas pesquisas mostram que a reprovação ao governo atingiu um recorde desde a posse do presidente, que a maioria dos brasileiros aprova o impeachment de Bolsonaro e não o considera apto a ocupar o cargo. A percepção de corrupção no governo também é alta, como mostra o Datafolha – reflexo da atuação da CPI da Pandemia, que vem desvendando esquemas de corrupção no governo federal na compra de vacinas

Agência Brasil

Militares no governo

Desde que assumiu o governo, em 2019, Bolsonaro aposta na militarização dos cargos políticos no Palácio do Planalto. Alguns dos principais cargos são ocupados por fardados, como é o caso da Casa Civil (Luiz Eduardo Ramos) e Gabinete de Segurança Institucional (General Augusto Heleno). 

Segundo o Datafolha, 58% dos entrevistados dizem que militares não deveriam trabalhar em funções da administração pública. Esse índice vem crescendo conforme as crises do governo envolvendo fardados aumentam. Esse número era de 54% em maio e de 52%, em maio de 2020. 

Um dos fatores que pode explicar o pé atrás dos brasileiros com militares ocupando cargos públicos é a atuação do general Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde, durante o pico da pandemia no Brasil. Além de não conseguir estancar a crise sanitária e atrasar o início da vacinação, o Ministério da Saúde comandado por Pazuello também se viu envolto em polêmicas, como o caso da falta de oxigênio para pacientes hospitalizados em Manaus. 

A crise política afeta a forma como a população enxerga o papel das Forças Armadas. Bolsonaro é ex-capitão do Exército e seu vice também é militar: o general Hamilton Mourão. O Datafolha, porém, mostra que os brasileiros não têm se sentido confortáveis com a participação de militares em atos políticos. 

Segundo o levantamento divulgado nesta segunda, 62% dos brasileiros acham que militares não devem participar de atos políticos, como fez Pazuello no dia 23 de maio no Rio de Janeiro, quando subiu em palanque com o presidente. Apesar de violar as regras das Forças Armadas, o general não foi punido pelo Exército a pedido de Bolsonaro. 

Rejeição recorde a Bolsonaro

Bolsonaro também tem o recorde de rejeição desde que assumiu o cargo, em 2019, segundo o Datafolha. A reprovação ao governo subiu de 45% em maio para 51% na primeira semana de julho. A  aprovação à gestão Bolsonaro, entre maio e julho, ficou estável, em 24%, e o crescimento de sua avaliação negativa veio com a queda do percentual dos que classificam seu governo como regular, de 30% para 24%.

O instituto também mostra que, pela primeira vez, mais da metade dos brasileiros (54%) defende o impeachment de Bolsonaro. Outros 42% afirmam que o Congresso Nacional não deveria abrir um processo de impeachment contra o presidente. 

Além disso, o Datafolha mostrou que 55% dos brasileiros avaliam Bolsonaro como falso e 59%, como incompetente. Além disso, 62% classificam o presidente como despreparado – em março de 2019 esse número era de 44%. O Datafolha também mostra que para 57% dos brasileiros, Bolsonaro é pouco inteligente. 

Dois em cada três brasileiros (66%) classificam Bolsonaro como autoritário. Também é de 66% o índice de brasileiros que avaliam que o presidente respeita mais os ricos, e há 17% que consideram que ele respeita mais os pobres.

Corrupção e Bolsonaro

O presidente foi eleito em 2018 com um forte discurso anticorrupção, na esteira do lavajatismo. Essa percepção de que Bolsonaro combateria desvios de recursos, porém, passa por uma deterioração a cada pesquisa Datafolha. 

No intervalo de um ano, o instituto detectou uma queda na percepção de que Bolsonaro é honesto (de 48% para 38%) e competente (de 44% para 36%), e altas respectivas na avaliação de que seja desonesto (de 40% para 52%) e incompetente (de 52% para 58%). 

O instituto de pesquisas também mostra que para 70% dos brasileiros, há corrupção no governo Jair Bolsonaro. Para 63% dos brasileiros, houve corrupção por parte do governo na compra de vacinas e para 64% Bolsonaro sabia das suspeitas de corrupção. Mais da metade dos brasileiros (56%) acreditam que a corrupção no governo vai aumentar. 

Os números refletem as descobertas da CPI da Pandemia, de que houve corrupção na compra de vacinas para a Covid-19. O deputado Luís Miranda (DEM-DF) contou na comissão que soube de possíveis irregularidades e comunicou diretamente o presidente, que não tomou nenhuma providência. 

Bolsonaro em 2022

O Datafolha também mostra que Bolsonaro pode não ter vida fácil nas eleições de 2022, quando deve tentar a reeleição. Na última pesquisa, divulgada na última sexta-feira (9), o ex-presidente Lula (PT) ampliou a vantagem sobre Bolsonaro para as eleições presidenciais. 

Lula aparece com 46% das intenções de voto. Já Bolsonaro tem 25%. O presidente também aparece com uma rejeição de 59% do eleitorado, enquanto o petista tem 37% de rejeição. Em um eventual segundo turno, Lula venceria com 58% dos votos, segundo o Datafolha. Bolsonaro alcançaria 31% dos votos no segundo turno se as eleições fossem hoje. 

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