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PF encerra inquérito sobre ameaça de morte contra diretores da Anvisa

PF encerra inquérito sobre ameaça de morte contra diretores da Anvisa
Distintivo de agenda da Anvisa (Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil)

A Polícia Federal (PF) concluiu o inquérito contra Douglas Bozza, que enviou um e-mail aos cinco diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ameaçando de morte quem votasse favorável a vacinação obrigatória contra Covid-19. Segundo a PF, o paranaense cometeu crime de ameaça. A informação foi publicada pelo jornal Folha de S. Paulo.

A mensagem foi enviada em outubro do ano passado e nele o homem afirmou que a aprovação da obrigatoriedade da vacinação seria o equivalente a atentar contra a vida do seu filho. A Anvisa estava debatendo na ocasião a vacinação de crianças a partir dos cinco anos.

Douglas segue a mesma ideologia do presidente Jair Bolsonaro (PL), que no último dia 16 afirmou em live que iria expor o nome “das pessoas que aprovaram a vacina para crianças a partir de cinco anos”. Segundo o mandatário, ele iria fazer a solicitação destes nomes “extra-oficialmente” e tornaria a lista pública para que “todo mundo tome conhecimento de quem são essas pessoas e, obviamente, forme o seu juízo”, disse.

Em nota, a agência classificou a fala de Bolsonaro como ativismo político violento e disse repelir com veemência qualquer ameaça. “A Anvisa está sempre pronta a atender demandas por informações, mas repudia e repele com veemência qualquer ameaça, explicita ou velada que venha constranger, intimidar ou comprometer o livre exercício das atividades regulatórias e o sustento de nossas vidas e famílias: o nosso trabalho, que é proteger a saúde do cidadão”, disse na nota assinada pelo presidente e os quatro diretores da agência.

Além de Bolsonaro, o próprio ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, segue na mesma entoada. Pressionado pela sociedade científica a apoiar a imunização de crianças, em especial com o avançar da variante Ômicron, o titular da Saúde tem se recusado a tomar um parecer técnico. Na última segunda-feira (20), em conversa com repórteres, afirmou que só tomará a decisão sobre a vacinação das crianças após a virada do ano.

Reportagem do Uol mostra que “desde o início da pandemia, 1.148 crianças de 0 a 9 anos morreram de covid-19 no país”. O total supera as mortes por doenças preveníveis com vacinação ocorridas entre 2006 e 2020 no país.

Mãe da Ana Luísa dos Santos Oliveira, de 8 anos, que morreu por complicações da Covid-19, exemplifica o medo que está tomando os pais. Em entrevista ao G1, Valkíria Alice dos Santos pediu a liberação da imunização das crianças acima de cinco anos. “Eu creio que, se ela tivesse tomado, poderia ter pego, mas não desse jeito. Seria fraco, e não tão agressivo do jeito que foi. Tem que liberar essas vacinas para as crianças”, disse para a reportagem.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez um apelo, no último dia 7, por uma maior proteção para as crianças diante do avançar da variante Ômicron. O órgão afirmou que estão crescendo os casos em todas as faixas etárias, mas a situação mais preocupante está justamente entre a faixa etária de 5 a 14 anos. Os técnicos da Anvisa já liberaram a imunização para pessoas dessa idade.

Mesmo diante dessa realidade, Queiroga afirma que “a pressa é inimiga da perfeição”. Discurso parecido com o que adotou sobre o fechamento das fronteiras para impedir que a Omicrôn chegasse no Brasil e também muito semelhante ao que defendeu Bolsonaro até dezembro de 2019, que dizia não entender o motivo da pressa para a compra de vacinas.

A postura do governo é seguida por muitos dos seguidores de Bolsonaro. Além do e-mail de Douglas Bozza, a Anvisa tem recebido diversas outras ameaças. Até mesmo funcionários que servem cafezinho já foram alvos de tentativa de intimidação.

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record, Gazeta do Povo e Congresso em Foco. Atualmente é repórter de rede da Band e Bandnews TV em Brasília. Fundador do Regra dos Terços

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