fbpx

PIB até cresce com Bolsonaro, mas não chega nos pratos dos brasileiros

PIB até cresce com Bolsonaro, mas não chega nos pratos dos brasileiros
Presidente Jair Bolsonaro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1% no 1º trimestre deste ano. Os dados, que foram divulgados na última semana (2), foram recebidos com positividade pela equipe do governo federal.

No entanto, apesar do crescimento do PIB, uma pesquisa realizada pelo economista Marcelo Neri, diretor do Centro de Políticas Sociais FGV Social, mostra uma realidade contrastante para o resto do país: a porcentagem de brasileiros que sofrem de insegurança alimentar subiu de 30% em 2019 para 36% em 2021. E novos dados divulgados na última quarta-feira (8), apontam que ao menos 33 milhões de pessoas passam fome no Brasil em 2022. Destes, mais de 27 milhões entraram no mapa da fome durante a gestão Bolsonaro.

A fome na história do Brasil

Esse retrato não é um problema recente. Nos anos 60, o livro ‘Quarto de Despejo’ reunia diários da escritora Carolina Maria de Jesus e sua história de sobrevivência na cidade de São Paulo. Batalhando contra a fome na capital, ela detalha: ‘’Fui no Frigorífico, ganhei uns ossos. Já serve. […] quem vive precisa comer’’ Depois de meio século, as dores de Caroline ainda reverberam uma situação crítica da sociedade brasileira.

O processo histórico-político do Brasil sempre foi acompanhado de uma extrema deficiência de políticas públicas enquanto a fome, mas essa realidade estava se transformando nas últimas décadas. 

Trinta dias após sua posse, em 2003, o então presidente Lula (PT) iniciou o programa Fome Zero, com o objetivo de instalar políticas públicas emergenciais no combate à fome. No ano de 2014, o país foi retirado do Mapa da Fome das Organizações das Nações Unidas (ONU). No entanto, o futuro guardava retrocessos para essa situação.

Desde o impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), no ano de 2016, a corrosão das entidades democráticas também afetou a segurança alimentar dos brasileiros. Segundo dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan), 33 milhões de brasileiros estão em situação de fome.

Demais dados divulgados pela Penssan são ainda mais preocupantes: de acordo com a pesquisa, seis em cada dez brasileiros vivem com insegurança alimentar, ou seja, mais da metade do país não tem certeza se terá comida suficiente ao acordar.

O agro segue pop, mas os pratos dos brasileiros estão vazios

Diferente das décadas que antecederam a posse de Jair Bolsonaro (PL), o governo do atual presidente não destaca o combate à fome como pauta prioritária em sua organização política e na promoção de projetos na agricultura.

A agricultura brasileira é destinada, de forma majoritária, ao consumo externo. O interesse econômico valoriza monoculturas para venda internacional, como a soja, o açúcar e o milho.

A agricultura familiar, ao contrário do agronegócio, é o cultivo direcionado ao consumo imediato e à venda interna. Por mais que esse formato corresponda a apenas 23% da área da agropecuária brasileira, segundo dados do Censo Agropecuário do IBGE, ele alimenta 70% do país.

No primeiro dia de posse, o governo de Jair Bolsonaro extinguiu o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), e, em 2021, reduziu o orçamento do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) em 35%.

O contexto da pandemia agravou essa problemática: com o aumento do desemprego e a falta de renda, a fome ameaçou ainda mais o trabalhador brasileiro. Com a desvalorização do câmbio nacional, pesquisas do IBGE mostram que esses preços aumentaram em 15%.

Este aumento leva a população a abandonar alimentos saudáveis, como frutas e verduras, para apostar em processados, que, em geral, são mais baratos: dados do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) revelam que o consumo de ultraprocessados chegou a 16% em 2020, ano inicial da pandemia. Ou seja: com a inflação e o enfraquecimento de políticas públicas, o brasileiro come pouco, e quando come, come mal.

Laís David

Deixe uma resposta

7 desafios que um governo de esquerda enfrentará na Colômbia 10 fatos sobre a varíola dos macacos Corpus Christi: uma das festas mais tradicionais do catolicismo Imunização sem polarização Despreparo das polícias no Brasil: qual é o limite da violência na abordagem policial?
%d blogueiros gostam disto: