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Pico Caratuva e a sensação indescritível de estar vivo

Pico Caratuva e a sensação indescritível de estar vivo
Nascer do Sol visto de cima do Pico Caratuva, Paraná (Foto: Erick Mota)

No último fim de semana, eu me arrisquei em uma aventura que foi um divisor de águas na minha vida: subi a segunda maior montanha do sul do Brasil, o Pico Caratuva, com seus imponentes 1.680 metros. Até aqui, tudo normal, muitas pessoas vivem entrando em trilhas e viajando por aí. Mas no meu caso, eu fiz isso sem nenhum preparo, jamais fiz trilha em montanhas, nunca fiquei mais de 2 horas em um exercício físico e nem se quer tinha roupas para isso.

Por que diabos eu fiz isso? Me odeio e estava buscando uma forma criativa de me matar? Pratico autoflagelo para encontrar a cura para meus pecados? Estava devendo uma promessa para algum santo aventureiro? Não.

Ando enfrentando um processo difícil na minha vida pessoal, em diversas frentes, e tenho visto a depressão se aproximar novamente. Fui aconselhado por minha terapeuta a sair com amigos, encontrar de novo aquele Erick que estava perdido, o mesmo cara que há sete anos, pegava a bike e ia até o centro da cidade fotografar a multidão, que cobria shows de bandas independentes, que tinha amigos com quem compartilhar o quão linda era a lua ou o nascer do Sol quando visto de determinada praça.

Saí então em busca de uma pessoa parceira para fotografar, pois este é um hobby que tenho há 12 anos e havia abandonado. Foi neste momento que surgiu a Jessica Magalhães, do grupo de trilheiros Jaguaras.

Ela me chamou para fazer uma trilha e, sem pensar duas vezes, topei. Lembra que falei que nunca tinha feito isso? Pois bem, a situação piora. Há três meses eu abandonei meu trabalho e todos os meus bens em Brasília e me mudei para Curitiba. Tudo que eu tinha para viajar era calça jeans e um tênis estilo social. Acredite, foi assim que fui.

Logo surgiu uma alma boa, um abraço para você Eliane Tosin, que me emprestou uma mochila para substituir a minha de notebook. A Jessica me alertou para a obrigatoriedade da lanterna de cabeça, então comprei. E pronto, foi assim que fui.

Saímos da base à uma hora da manhã. Recordo que paramos umas quatro vezes, mais aquelas pequenas pausas para esperar alguém com maior dificuldade. Era madrugada e o clima estava excelente. Entre o pequeno clarão da lanterna e as sombras da mata, surgia o céu estrelado, sem nenhuma nuvem atrapalhando a vista. Isso, por si só, revigorava e me mantinha no foco.

No meio do caminho encontramos um pequeno riacho, que escorria pelas pedras e entoava as notas mais belas que somente a música da mata nos proporciona. Isso ajudou a refrescar o rosto, a alma e recarregar as garrafinhas d´água.

Lá para às 4h30 o cansaço começou a pegar. A subida foi ficando mais difícil. Mais pedras grandes surgiam no caminho e precisavam ser “escaladas”. Até que o céu começou a clarear muito levemente e a vegetação começou a ficar mais rasteira. Foi então que o Alan Luz e a Nani Machado, que estavam nos guiando, trouxeram a boa nova: estávamos chegando.

Menos de vinte minutos depois, chegamos ao pé da antena que fica no topo dessa montanha. O céu já encontrava-se bem alaranjado, como você vê na imagem abaixo.

Pico Caratuva
Nascer do Sol visto de cima do Pico Caratuva, Paraná (Foto: Erick Mota)

Depois dessa imagem, meu caro, tudo ficou ainda mais especial. O Sol foi surgindo de trás das montanhas e logo o cenário revelou o porque não havia nuvens acima: elas estavam todas abaixo de nós. Foi uma cena que nunca tinha presenciado.

Pico Caratuva
Nascer do Sol visto de cima do Pico Caratuva, Paraná (Foto: Erick Mota)

O pessoal do Jaguaras (siga eles no Instagram clicando aqui) organizou um café da manhã no pico. Teve direito a tudo: pão, ovo, biscoitos, frutas, chocolate, café e outros.

Jessica Magalhães
Jessica Magalhães, uma das coordenadoras do Jaguaras (Foto: Erick Mota)

Após o café da manhã foi o momento de descontração para alguns e de isolamento para mim. Saí para fotografar, meditar e fazer alguns registros que adorei, como o que está abaixo.

Pico Caratuva
Pico Caratuva é o segundo maior do Sul do Brasil (Foto: Erick Mota)

E como montanha não tem elevador, era necessário descer. Arrumamos tuto, tiramos o lixo – parece óbvio, mas tem uns espíritos de porco que não fazem isso – e começamos a descida. A essa altura do campeonato, meus joelhos já estavam doendo muito.

O início da descida foi de vegetação rasteira, e se pra subir de madrugada isso foi bom, pra descer o Sol já começou a pegar. Mas o pessoal que estava comigo era muito legal, então a dor e o cansaço eram minimizados pelo super alto astral.

No vídeo abaixo, você confere o início da descida. Ali eu já estava mancando e contei com ajuda do bastão da Eli, que fez o registro.

No meio do caminho uma parceira de trilha torceu feio o pé e precisei ser o apoio dela – e carona em alguns momentos mais tensos. Mas tínhamos que chegar ao final e se tem uma coisa que eu aprendi com os Jaguaras, é que ninguém fica pra trás. Quando chegamos, mergulhei em uma cachoeira de água extremamente gelada e por lá fiquei alguns minutos.

Toda essa aventura foi, sem dúvidas, a melhor coisa que me aconteceu nos últimos meses. Valeu cada passo, cada tropeço, cada medo, cada dor. Tudo valeu a pena, tamanho a sensação de ter me superado ao extremo.

Quanto ao joelho, no dia seguinte já estava bom e agora estou aqui, ansioso para as próximas.

“Vamos viver nossos sonhos, temos tão pouco tempo”.

Abaixo algumas das fotos que tirei. Em breve subo um vídeo no canal Erick Mota Por Aí.

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record, Gazeta do Povo e Congresso em Foco. Foi repórter de rede da Band e Bandnews TV e rádio BandNews FM, em Brasília. Fundador do Regra dos Terços.

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