VIOLÊNCIA EM RECIFE: POLICIAIS DIZEM QUE HÁ TENTATIVA BOLSONARISTA DE DESESTABILIZAR GOVERNOS ESTADUAIS

Após a ação truculenta da Polícia Militar de Pernambuco contra manifestantes que protestavam de forma pacífica contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), no último sábado (29), um grupo de policiais afirmou que há uma “clara tentativa” de policiais bolsonaristas de “desestabilizar governos estaduais”. A PM atirou balas de borracha e gás lacrimogêneo contra os participantes do ato em Recife e ao menos três pessoas ficaram feridas na ação. Dois homens que não participavam do ato foram atingidos por balas de borracha nos olhos e perderam parte da visão. A vereadora do Recife Liana Cirne (PT) também foi agredida com spray de pimenta por policiais militares.

Em um artigo enviado à imprensa local, o Movimento Policiais Antifascismo afirmou que “há uma clara tentativa de insubordinação e balbúrdia provocadas por bolsonaristas no interior das PMs para desestabilizar governos estaduais“. “A Polícia Militar nos fez lembrar dos anos de chumbo, da repressão rasteira e gratuita. Fez lembrar que a democracia está, sim, correndo perigo”, diz um trecho do artigo.

Foto: Reprodução / Instagram @hugomunizzz

Até agora, o governo estadual não informou quem deu a ordem para a Polícia Militar usar gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha contra os manifestantes. No sábado (29), a vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos (PCdoB), afirmou nas redes sociais que a ação da PM não foi autorizada pelo governo.

“A ação da PM contra manifestantes não foi autorizada pelo governo do Estado. Nós estamos ao lado da democracia. Os atos de violência, que repudiamos desde já, estão sendo apurados e terão consequências”, postou em seu perfil dela no Twitter.

Nesta segunda-feira (31), o secretário estadual de Justiça e Desenvolvimento, Pedro Eurico, disse que não existem uma “PM paralela” no estado. “Quero deixar bem claro: em Pernambuco, não existe Polícia Militar paralela. Existe a Polícia Militar de Pernambuco, que tem como o seu comandante o governador de Pernambuco”, disse em entrevista ao G1.

O governador Paulo Câmara (PSB) afirmou que o comandante da operação e quatro policiais militares envolvidos na agressão à Liana Cirne.

“O oficial comandante da operação, além dos envolvidos na agressão à vereadora Liana Cirne, permanecerão afastados de suas funções enquanto durar a investigação. Sempre vamos defender o amplo diálogo, o entendimento e o fortalecimento de nossas instituições dentro da melhor tradição democrática de Pernambuco”, afirmou o governador.

O Movimento Policiais Antifascismo afirma que “é inegável a simpatia de setores da PM a política de tiro, porrada e bomba do bolsonarismo”. O grupo lembra o episódio da greve da PM do Ceará em 2020. Mais de 130 servidores da PM do Ceará foram em casos relacionados à paralisação. Além disso, cerca de 250 inquéritos estão sob análise do Ministério Público do estado.

Bolsonaro vive uma cruzada contra os governos estaduais, intensificada pela pandemia de coronavírus. O presidente busca sistematicamente esvaziar as medidas de restrição impostas pelos governadores para evitar a transmissão do vírus.

Na semana passada, a Advocacia Geral da União (AGU) entrou com um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) em que questiona decretos estaduais sobre toque de recolher e restrições no comércio.

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