GARIMPEIROS PROMOVEM ATAQUE ARMADO AO POVO YANOMAMI EM RORAIMA

Na manhã desta segunda-feira (10), a Terra Indígena Yanomami, em Roraima, foi alvo de garimpeiros ilegais que atiraram contra indígenas da comunidade Palimiu, conforme denúncia da Hutukara Associação Yanomami (HAY). Em nota, a Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas (FPMDDPI) manifestou repúdio ao ataque e informou que oficiou ao Ministério Público Federal (MPF) e demais órgãos competentes requerendo informações sobre o ataque. 

“Como é de conhecimento público e das autoridades, a situação na Terra Indiígena Yanomami é gravíssima face à persistentes invasões por garimpeiros. Assim considerando acima relatado, venho solicitar as averiguações e medidas emergenciais que o caso requer para assegurar os direitos constitucionais, em especial à vida e integridade física do Povo Indígena Yanomami”, escreveu a deputada Joenia Wapichana (REDE-RR), coordenadora da FPMDDPI. 

Brasília – Indígenas de todo o Brasil chegam à Brasília para o Acampamento Terra Livre.

O ofício da Frente Parlamentar foi encaminhado à Superintendência da Policia Federal em Roraima, à Fundação Nacional do Índio (Funai), à 1ª Brigada de Infantaria da Selva do Exército, Ministério Público Federal em Roraima e ao Ministério da Justiça. 

Hutukara Associação Yanomami (HAY) enviou ofício pedindo apoio da Polícia Federal, MPF, Exército e Funai nesta segunda-feira para “impedir a continuidade da espiral de violência no local e garantir a segurança para a comunidade Yanomami de Palimiu”. Segundo os indígenas da região, os garimpeiros prometeram voltar. 

O garimpo avançou 30% na Terra Indígena Yanomami em 2020, apesar da pandemia de coronavírus. Entre janeiro e dezembro, 500 hectares foram devastados pelo garimpo ilegal na região. Além da violência, os Yanomami sofre também pela contaminação por mercúrio, causada pelo garimpo criminoso em suas terras. 

Esse não é o primeiro ataque ao povo Yanomami. Em 1.º de março, a HAY denunciou que uma lancha com um grupo de aproximadamente oito garimpeiros atracou em 25 de fevereiro na comunidade de Helepi, às margens do Rio Uraricoera, e um de seus integrantes atirou contra um indígena. 

Em 30 de abril, a HAY já havia enviado um ofício para os órgãos sobre a ocorrência de tiroteios entre indígenas e garimpeiros no Palimiu. 

“A FPMDDPI cobra das autoridades competentes a proteção dos povos indígenas que há décadas sofrem com a presença de garimpeiros ilegais em seus territórios. A FPMDDPI reforça, ainda, que a escalada da violência contra os povos indígenas é fruto de uma política genocida que está em curso no país”, diz a Frente Parlamentar Indígena, em nota. 

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