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Presidente do Tribunal Militar zomba das vítimas da ditadura

Luis Carlos Gomes Mattos

Presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Luis Carlos Gomes Mattos (Foto: Odair Freire/STM)

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Enquanto os brasileiros com o mínimo de senso de humanidade encontram-se estarrecidos com a revelação dos áudios dos julgamentos da época da ditadura, que provam as torturas praticadas por militares contra civis tidos como “inimigos do regime”, o presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Luís Carlos Gomes de Mattos, zombou, nesta terça-feira (19), dos relatos.

Para o general, divulgar áudios dos crimes cometidos pelos seus pares é “notícia tendenciosa” com o objetivo de “atingir” as Forças Armadas.

“Tivemos aí alguns comentários contra o nosso tribunal ou contra a Justiça Militar de maneira geral”, declarou o ministro, que acredita que buscar justiça para as vítimas é uma tentativa de “atingir Forças Armadas, Exército, Marinha, Aeronáutica”.

A postura do militar demonstra que o espírito ditatorial não abandonou por completo os quarteis, uma vez que ele se mostra claramente contra a divulgação de notícias negativas para os fardados, assim como faziam os comandantes do regime militar que assombrou o Brasil pós-64.

Desdenhando do sofrimento das vítimas e de seus familiares, pisando nos corpos dos mortos e torturados, cuspindo na cara dos exilados e perseguidos, o general disse que os áudios não estragaram “a Páscoa de ninguém”. “Não tenho resposta nenhuma para dar. Simplesmente, ignoramos uma notícia tendenciosa daquela, que nós sabemos o motivo. Aconteceu durante a Páscoa. Garanto que não estragou a Páscoa de ninguém — porque a minha não estragou. Garanto que não estragou a Páscoa de nenhum de nós”, zombou.

A fala do “general de 10 estrelas” em muito se assemelha com o que pensa o vice-presidente General Hamilton Mourão. Para ele, não há o que ser investigado.

O que incomoda alguns generais é a falta de controle que eles têm da mídia. O que os deixa revoltados é que não podem comprar suas próteses penianas com dinheiro do povo sem que isso se torne público. Para o azar dos senhores, caros generais, a mídia está livre e vai seguir divulgando seus erros do passado e as obscenidades do presente para que nada disso se repita no futuro.

Jornalismo é resistência e essa coluna também!

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