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O primeiro Natal sem Dona Maria

O primeiro Natal sem Dona Maria

O final de ano sempre me comoveu de uma maneira muito profunda, mas 2021 conseguiu superar todas as expectativas. Eu jamais imaginei na vida que este seria o meu primeiro Natal sem minha avó.

Novas promessas já começam a ser feitas por alguns. Dieta, economizar dinheiro, conhecer um país, fazer um curso, falar novas línguas… Eu queria só permanecer em pé. Só isso. Queria conseguir ser a pessoa que a Dona Maria queria que eu fosse. Desejo que no próximo ano as pessoas sejam saudáveis, livres, com uma mentalidade mais justa e menos machista, menos egoísta e que parassem de usar o nome de Deus para benefícios próprios.

Eu peço que o próximo ano não me faça viver mais um luto. Mesmo que qualquer luto seja menor do que este de agora, eu só não queria perder mais ninguém. Eu queria que os sorrisos fossem sem aquela linha de dor que eu ando sentindo. Que eu consiga seguir em frente e realizar os planos que fiz com a minha avó, para que lá do céu ela veja que eu não vou desistir de nada do que nós sonhamos. Não queria que este fosse o primeiro Natal sem ela. Não sei se eu estava pronta, sabe? Mas se essa é a vontade da vida, eu me curvo à sabedoria do universo e aceito.

Que 2022 tenha novidades boas, que possamos nos abraçar sem medo de um vírus ou de um governo sujo e mau caráter. Eu sonho com um país menos destruído, com crianças tendo comida e educação, que possamos sonhar todas essas coisas sem a certeza da utopia, mas com a possibilidade de conseguir alcançar nossos objetivos. Eu desejo amor. Porque é só o amor que muda o rumo da história e é só ele que nos mantém em pé diante de tanto perrengue.

Daqui 10 dias abraçaremos quem amamos (ou não), respondendo sobre os namoradinhos e o motivo de não termos filhos ou termos muitos ou não termos mais. Reclamaremos ou amaremos a uva passa (por mim pode colocar até no feijão, eu amo!), a cidra de maçã e o peru que SEMPRE fica seco, mas todo mundo elogia… Sabe, essas coisas. Mas estaremos lá, com novas esperanças no olhar e saudade de quem já não está aqui. E seja lá como for que a vida siga no seu curso, eu desejo que tenhamos força e humildade para entender que o destino escreve seu curso e que nossas escolhas, mesmo livres, ainda não são tão previsíveis assim. Ainda bem, Deus nos livre de roteiros prontos.
Que seja uma boa virada de ciclo para todos nós. Que seja leve, cheio de luz e com muitas alegrias.

PS. Vó, sinto sua falta.

Eline Carrano

Jornalista por profissão, cronista por opção e neta coruja. Escrevo porque preciso justificar as ansiedades que o tarja-preta não dá conta.

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