fbpx

POR QUE O PIB IGNORA AS MULHERES?

POR QUE O PIB IGNORA AS MULHERES?

Você abre as redes sociais e sites de notícias, difícil é o dia em que você não encontrará alguma notícia que fale de violência contra a mulher, abusos de todos os tipos, constatações científicas do tamanho da desigualdade: de salários, de resultados, de tratamento. Nos últimos anos a luta feminina em defesa da igualdade entre homens e mulheres tem sido um dos movimentos mais relevantes do nosso tempo, uma luta que deve ser defendida não só pelas mulheres, mas pelos homens também.

Infelizmente, a economia também tem sua fatia na reprodução da desigualdade entre homens e mulheres e esse será nosso tema de hoje. Nascida em 1952, uma das primeiras deputadas da Nova Zelândia, Marilyn Waring escreveu em 1988 o livro “If womem counted”, em tradução livre, “Se as mulheres fossem levadas em conta”. Waring declarou que o PIB menospreza o trabalho das mulheres.

Que elas são responsáveis por grande parte do trabalho produtivo no mundo, isso não há dúvida. Nas últimas décadas, aumentou-se a fatia de mulheres no mercado de trabalho, mas desde sempre, o trabalho feminino sempre garantiu a manutenção das residências, parte da criação de crianças, assistência a idosos etc. Do ponto de vista econômico, não há dúvida da importância desses trabalhos na reprodução de toda força de trabalho. Mas como esse trabalho, na maioria dos casos, não é remunerado, ele não entra no cálculo do produto interno bruto.

Desse modo, podemos afirmar que existe um preconceito de gênero nas contas nacionais, em que o verdadeiro valor é subestimado em detrimento das mulheres. O debate levantado por Waring coloca luz não só às discussões em favor das mulheres, mas mostra também como a maneira como medimos as coisas em economia ainda apresenta muitas distorções, como por exemplo, não levar em conta a degradação da natureza e o esgotamento dos recursos naturais. Estimativas mostram que os EUA teriam em muitos anos um PIB negativo se levassem em conta esse fator.

Fica aqui uma citação da Waring, em homenagens a todas vocês, que quanto mais participam das decisões do mundo, melhor o deixam: “Nós, mulheres, somos visíveis e valiosas para cada um e devemos, hoje, proclamar essa visibilidade e esse valor.”

professordabliu

Economista, Doutor em Desenvolvimento Econômico (UFPR/UCL). Atualmente é professor da Fundação de Estudos Sociais do Paraná (FESP) e na Business School da Universidade Positivo (UP). É também avaliador dos cursos de graduação pelo INEP.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: