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PSOL aciona polícia após fala racista de vereador de São Paulo

PSOL aciona polícia após fala racista de vereador de São Paulo
Vereadores do PSOL pedem abertura de inquérito contra Cristófaro (Foto: divulgação)

O PSOL foi à Delegacia de Combate aos Crimes Raciais solicitar abertura de um inquérito contra o vereador Camilo Cristófaro, que teve falas racistas durante sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos APPs da última terça-feira (03), na Câmara Municipal de São Paulo. ”Eles lavaram e não lavaram a calçada, é coisa de preto, né?”, disse o vereador que participava de forma remota, e não sabia que o microfone estava ligado.

Após a fala, o presidente da CPI, vereador Adilson Amadeu (UNIÃO), tentou minimizar a fala racista, afirmando que deveria se tratar de outra situação e que por isso o microfone de Cristófaro deveria ser fechado, o que levantou protestos no mesmo momento de parlamentares do PSOL. A sessão foi suspensa na sequencia. Na retomada dos trabalhos, a vereadora Luana Alves (PSOL), que é negra, classificou o ato como “extremamente racista“.

“Infelizmente nós temos a sessão completamente tumultuada por um áudio que tem a voz do vereador Camilo Cristófaro, que acaba de proferir uma frase extremamente racista. Eu queria não acreditar que essa fala existiu, mas infelizmente existiu. Conversamos ali atrás, queria pedir à secretaria da Mesa das notas taquigráficas. Ficará registrado. Ficou acordado que todos aqui são testemunhas para todas as ações que venham a ocorrer se ficar comprovado que é do vereador Camilo Cristófaro, como parece ser”, disse Luana Alves.

A vereadora também entrou com representação junto à Corregedoria da Câmara Municipal de São Paulo. “No âmbito do fundamento jurídico cabe destacar que o termo ‘coisa de preto’ apresenta
ofensa extensiva a toda a população negra, vez que é usado para atribuir a pessoas dessa origem étnico racial práticas de cunho duvidoso, incompetente e desonesto”, disse a vereadora na ação. Para a vereadora, as práticas adequam-se ao disposto na Lei 7.716/1.989, “qual seja a legislação que tipifica o crime de Racismo”, argumentou.

A lei citada pela vereadora afirma que serão punidos “os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. A lei também afirma que é crime “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

O gabinete da vereadora Luana está analisando entrar ainda com representação junto ao Ministério Público de São Paulo contra Cristófaro.

Camilo Cristófaro se contradiz

Após a fala, Camilo Cristófaro publicou um vídeo com dezenas de fuscas, onde dois deles eram da cor preta. Mas, por não haver nenhum link possível de um fusca preto com a fala “eles lavaram e não lavaram a calçada, é coisa de preto, né?”, ele precisou voltar atrás e apresentou outra versão, onde disse que estava conversando com um colega negro, que é considerado um irmão para ele.

“Eu ia gravar um programa que não foi gravado lá no meu galpão de carros. Eu estava com o Chuchu, que é o chefe de gabinete da Sub do Ipiranga, e [ele] é negro. Eu comentei com ele, que estava lá. Inclusive no domingo nós fizemos uma limpeza e quando eu cheguei eu falei: ‘isso aí é coisa de preto, né?’. Falei pro [Anderson] Chuchu, como irmão, porque ele é meu irmão”, afirmou o vereador. “Se eu errei é porque eu tenho essa intimidade com ele, porque ele me chama de carequinha, ele me chama de ‘veínho’. Nós temos essa intimidade. Ele é um irmão meu”, completou.

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record, Gazeta do Povo e Congresso em Foco. Foi repórter de rede da Band e Bandnews TV e rádio BandNews FM, em Brasília. Fundador do Regra dos Terços.

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