PSOL QUER CONVOCAR BRAGA NETTO POR INTIMIDAÇÃO À CPI DA PANDEMIA

A bancada do Psol protocolou nesta quinta-feira (8) um requerimento de convocação para o ministro da Defesa, Braga Netto, prestar esclarecimentos no Plenário da Câmara dos Deputados sobre a nota assinada por ele e pelos comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica contra a fala do senador e presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, Omar Aziz (Dem-AM). 

“É inaceitável o tom intimidador e ameaçador da nota do Ministério da Defesa, que tenta constranger os trabalhos da CPI da covid-19 e seus membros. Trata-se de mais uma ameaça à democracia, algo constante no governo Bolsonaro. O envolvimento de militares ou de qualquer outra pessoa nas graves irregularidades do esquema de compra de vacinas deve ser investigado a fundo”, afirma a líder da bancada, Talíria Petrone. 

O ministro da Casa Civil, Braga Netto. Foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

No requerimento, o partido relembra um levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a quantidade de militares em cargos civis no governo Bolsonaro. “A presença de militares em cargos civis mais que dobrou no governo Bolsonaro. Em 2018, havia 2.765 militares em cargos civis no Executivo federal. Já em 2020, o total chegou a 6.157 no mês de julho, um aumento de 122%”, aponta o texto.

Entenda o caso envolvendo a CPI e as Forças Armadas

Durante a última sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, que resultou na prisão do ex-secretário de logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, Omar Aziz disse que há tempo muito não via militares envolvidos em escândalos de corrupção. A afirmação não foi bem recebida por membros das Forças Armadas que se manifestaram por meio de nota.  

“Fazia muito tempo, fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo, fazia muitos anos”, disse Aziz se referindo a alguns militares. A declaração foi feita após o senador questionar o cargo de Roberto Dias nas Forças Armadas, o ex-secretário afirmou que foi sargento da Aeronáutica.

Após a fala de Aziz, o ministro de Estado da Defesa, Braga Netto, e os comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica publicaram uma nota repudiando a fala do senador que, segundo eles, generalizou o esquema de corrupção e desrespeitou militares das Forças Armadas. “Essa narrativa, afastada dos fatos, atinge as Forças Armadas de forma vil e leviana, tratando-se de uma acusação grave, infundada e, sobretudo, irresponsável”, diz a manifestação. 

Em entrevista à coluna da jornalista do O Globo, Bela Megale, membros da cúpula das Forças Armadas afirmaram que se a Comissão voltar a citar casos de corrupção entre militares a reação será mais dura, no entanto, eles não deram detalhes do que poderá acontecer. 

Ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), Aziz disse que a nota é desproporcional e uma tentativa de intimidar a Casa.  “Pode fazer 50 notas contra mim, só não me intimida. Porque, quando estão me intimidando, Vossa Excelência [Rodrigo Pacheco], estão intimidando esta Casa. Vossa excelência não se referiu à intimidação que foi feita”, declarou Aziz após pronunciamento de Pacheco sobre a nota.  

Por meio do perfil no Twitter, Aziz disse que estão distorcendo a fala dele e tentando intimidá-lo. “Não aceitarei! Não ataquei os militares brasileiros. Disse que a parte boa do Exército deve estar envergonhada com a pequena banda podre que mancha a história das forças armadas”, escreveu o senador. 

Confira o requerimento na íntegra:

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: