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Psol quer que Braga Netto seja convocado a explicar operação militar contra “militantes” e “grupos de esquerda”

Psol quer que Braga Netto seja convocado a explicar operação militar contra “militantes” e “grupos de esquerda”
Reprodução/TV Câmara

A bancada do Psol na Câmara dos Deputados protocolou nesta terça-feira (7) um requerimento para que o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, seja convocado a prestar esclarecimentos sobre uma operação militar contra “militantes” e “grupos de esquerda”. Uma reportagem do The Intercept Brasil revelou que em 2020 o Exército Brasileiro fez uma simulação em que candidatos a integrar a sua tropa de elite tiveram de combater uma “organização armada clandestina”. No texto que apresenta o exercício, a força explica que o inimigo fictício surgiu “de uma dissidência do Partido dos Operários”, o “PO”, que “recruta e treina militantes do MLT”, o “Movimento de Luta pela Terra”.

Segundo documentos obtidos pelo Intercept, os documentos da operação dizem que o “Exército de Libertação do Povo Brasaniano” foi “criado a partir de um projeto de partido político de caráter marxista e com uma organização armada clandestina, nascido de uma dissidência do Partido dos Operários e que recruta e treina militantes do MLT” no país fictício “Brasânia”.

Ainda segundo a reportagem, a apresentação do exercício também faz referência a figuras reais de deputadas e lideranças políticas de esquerda. A imprensa também é caracterizada de forma pejorativa no texto introdutório, que descreve as ações de disseminação de vídeos e imagens nas redes sociais por parte da “Mídia Samurai” e denuncia que “uma ala mais tendenciosa da imprensa vem acompanhando o ELPB de forma velada”.

A Operação Mantiqueira, como foi batizada a atividade, teria sido realizada em novembro do ano passado no município de Piquete (SP), que tem menos de 15 mil habitantes e é sede de uma das mais antigas unidades da Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel), uma estatal vinculada ao Exército.

O Psol afirma que o ministro deverá responder, entre outras coisas, por que razão o exercício a que os oficiais do Exército se submetem para ingressar em suas Forças Especiais coloca movimentos sociais e políticos de esquerda ou de oposição como “inimigos” a serem combatidos com poderio militar.

“É inconstitucional e alarmante que os inimigos a serem combatidos no treinamento para as Forças Especiais do Exército brasileiro sejam caracterizados como movimentos sociais e organizações de esquerda. A narrativa remonta à retórica que justificou o golpe de 1964 e as atrocidades da ditadura que se instaurou, vinculando a esquerda e a imprensa a inimigos fictícios e treinando os militares brasileiros a combatê-las”, afirma o documento protocolado pelo Psol na Câmara.

Braga Netto já ameaçou as eleições

Esta não é a primeira vez que Braga Netto se envolve em polêmicas que, no fundo, são ameaças à democracia brasileira. Em julho, segundo o jornal Estadão, ele teria ameaçado a realização das eleições de 2022 caso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso não fosse

aprovada pelo Congresso. Braga Netto teria enviado o recado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), no início de julho. No mesmo dia, em encontro com apoiadores no Palácio Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) repetiu a ameaça publicamente. “Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições”, disse.

Em uma audiência na Câmara para explicar o episódio, o ministro negou que tenha realizado qualquer ameaça. Em agosto, a Câmara rejeitou a PEC do voto impresso. A votação ocorreu no mesmo dia em que militares do Exército, Marinha e Aeronáutica fizeram um desfile de tanques na Praça dos Três Poderes, em Brasília. O desfile militar do lado de fora do Congresso foi interpretado como uma intimidação do presidente.

Bolsonaro só será reeleito se mudar as regras do jogo, diz cientista político

Ao participar do podcast Papo do Avesso, o cientista político Sergio Abranches afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) só tem chances de se reeleger em 2022 caso altere as regras eleitorais. Abranches é autor do livro “O tempo dos governantes incidentais” e usa essa classificação para descrever o presidente brasileiro.

“Ele só consegue ficar no poder se conseguir mudar as regras de rotatividade, as regras de eleição, que é o que ele vem tentando fazer. Ele é uma cópia mal feita do Trump. E você vê que o Trump não se reelegeu”, analisa. “Eu vou ficar muito surpreso se o Bolsonaro for reeleito. A não ser que ele de fato consiga mudar as regras. Com as regras com que ele foi eleito, ele não volta”, garante Abranches.

Confira o documento que mostra o exercício proposto pelo Exército:

Confira a íntegra do requerimento do Psol:

Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

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