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PSOL se prepara para compor coordenação de campanha de Lula

PSOL se prepara para compor coordenação de campanha de Lula
PSOL e PT se reúnem para oficializar federação (Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) se reuniu com o Partido dos Trabalhadores (PT), na manhã desta terça-feira (19), em mais uma tentativa de oficializar a federação entre as siglas. O encontro aconteceu na Fundação Perseu Abramo, em São Paulo. Segundo nota dos socialistas, o PT acolheu as propostas do PSOL ao programa de governo do ex-presidente Lula, com pequenos ajustes. “Assim, a candidatura do Partido dos Trabalhadores ganha importante viés à esquerda, se comprometendo a empreender esforços para reverter políticas neoliberais, acentuadas desde o golpe de 2016”, disse o PSOL em nota.

O economista e presidente do think tank do PT, Fundação Perseu Abramo, Aloizio Marcadante, afirmou que aguarda a convenção eleitoral dos aliados para oficializar o ingresso do PSOL à coordenação de campanha de Lula. “Saímos daqui com a disposição de criar uma mesa de diálogo permanente, aprofundar essas diretrizes e, ao mesmo tempo aguardar a convenção eleitoral do PSOL para que, a partir daí, ele se integre plenamente ao conselho político da campanha do Lula e à coordenação do programa de governo”, afirmou.

No encontro, Claudio Puty e Natália Szermeta, representaram o PSOL, e Aloizio Mercadante, Tereza Campello, Guilherme Mello, Pedro Rossi e William Nozaki, o PT. Essa foi a terceira reunião entre as duas legendas para discutir o assunto.

“Hoje passamos mais detalhadamente pelos 12 pontos programáticos apresentados pelo PSOL. Houve acordo em praticamente todos, com alguns ajustes na redação”, afirma Puty, coordenador do debate de programa eleitoral do partido. “Após essa reunião, nos sentimos confortáveis para levar ao nosso Diretório Nacional e à nossa militância a proposta de apoio à candidatura de Lula, que já conta com apoio da maioria do PSOL, mas que será votada no dia 30 de abril, em conferência eleitoral”, completou Natália Szermeta, presidente da Fundação Lauro Campos.

“As propostas do PSOL são muito relevantes porque tratam do maior desafio que temos pela frente, que é combater a desigualdade e reconstruir esse Brasil. Essa aliança no campo da esquerda será fundamental para derrotar o bolsonarismo”, disse Mercadante.

Entre as principais propostas programáticas do PSOL que foram revistas estão a revogação da reforma trabalhista e da reforma da previdência. “No primeiro caso, admitimos construir uma nova reforma, a partir de negociação tripartite, que proteja trabalhadores, recomponha direitos e que fortaleça a negociação coletiva e a representação sindical, dando especial atenção aos trabalhadores informais e de aplicativos”, explica Szermeta. No segundo ponto, os partidos identificaram a necessidade de reconstruir a seguridade e a previdência social para ampla inclusão dos trabalhadores. “Concordamos, ainda, sobre a revogação do teto de gastos e a necessidade de criar um novo marco fiscal”, disse Puty.

Os eixos programáticos definidos pelo PSOL para fundamentar as negociações foram lançados em fevereiro e estão reunidos na plataforma “Direito ao futuro: diálogos do PSOL para reconstruir o Brasil”.

Federação com a Rede

Na noite da última segunda-feira (18), o PSOL homologou a decisão de formar federação partidária com a REDE SUSTENTABILIDADE para as eleições de 2022 e para os próximos quatro anos. O processo ratifica o resultado da votação ocorrida em 30 de março, no âmbito da Executiva Nacional do partido.

A REDE já havia aprovado o processo de federação partidária com o PSOL, por unanimidade, no último dia 12 de março.

Nas eleições, a federação terá uma única posição em relação à disputa presidencial. Caberá aos partidos definir exceções pontuais. Em relação às eleições estaduais, a REDE terá candidatura a governador no Espírito Santo e Amapá. Nos demais estados, a tática será definida pelo PSOL.

Barreira entre REDE e PT

A maior barreira para o PSOL entrar na federação petista é justamente a aliança com a REDE. Isso porque o partido da ex-ministra Marina Silva ainda está dividido entre Lula e o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes.

Desde 2014 há um forte entrave entre as duas siglas, especialmente após os massivos ataques do PT contra Marina Silva. Há época, Marina foi alvo de uma forte campanha de fake news e seus aliados acusaram o PT de comandar esses ataques. O partido, inclusive, fez propaganda eleitoral contra Marina e a tirou do segundo turno.

Em janeiro desse ano o deputado federal e vice-presidente nacional do PT, José Guimarães (CE), já havia afirmado em entrevista à imprensa que o Partido dos Trabalhadores iria tentar compor chapa com Marina Silva.

Em dezembro de 2021, o Regra dos Terços entrevistou o tesoureiro nacional da REDE, Giovanni Mockus, e adiantou que Marina Silva não iria disputar o pleito à presidência.

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record, Gazeta do Povo e Congresso em Foco. Foi repórter de rede da Band e Bandnews TV e rádio BandNews FM, em Brasília. Fundador do Regra dos Terços.

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