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Quem é Hernández, Trump latino que disputará segundo turno na Colômbia

Quem é Hernández, Trump latino que disputará segundo turno na Colômbia
Candidato de extrema-direita Rodolfo Hernández (Foto: reprodução / AFP)

No último domingo (29) a Colômbia escolheu dois candidatos para disputar o segundo turno das eleições presidenciais, Gustavo Petro, de esquerda, e Rodolfo Hernández, de extrema-direita. Petro alcançou 40% dos votos e Hernández abocanhou 28% do eleitorado. O terceiro lugar ficou com Federico “Fico” Gutiérrez, que conquistou 28% dos votos.

Fico era o favorito para disputar o segundo turno contra Petro, mas, como o Regra dos Terços mostrou, o crescimento de Hernández na reta final da disputa vinha dando sinais de que o jogo deveria mudar. Rodolfo Hernández estava em quarto lugar nas pesquisas há poucos meses e saltou para o terceiro lugar nas vésperas do primeiro turno, quando saiu de 13% para 19%.

Rodolfo Hernández apostou na linguagem informal e utilizou de memes para engajar o público jovem no TikTok. Se vendendo como candidato antissistema, apesar de já ter sido vereador e prefeito, ele prega a perseguição contra a classe política e a expulsão dos envolvidos em esquemas de corrupção. Porém, ele mesmo está no olho do furacão de um escândalo de desvio de dinheiro público.

O Ministério Público acusa Hernández de participar de um esquema fraudulento de consultoria para implementar novas tecnologias de gestão de resíduos no aterro de El Carrasco. O caso foi batizado de Vitalogic. Hernández, que nega as irregularidades, também é acusado de falsidade ideológica. O presidenciável acumula 34 investigações disciplinares.

Trump da Colômbia

Multimilionário, Rodolfo Hernández é conhecido como Trump da Colômbia, em uma referência ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Hernández acumula mais de US$ 100 milhões. Empresário da construção civil, já foi prefeito de Bucaramanga.

Vindo de uma família humilde, Hernández enriqueceu ao criar o Plano 100 nos anos 1990, que consistia em vender casas em até 100 parcelas mensais, pagas a ele. Com isso, a construtora também assumiu o papel de banco, o que lhe garantia a rentabilidade dos juros.

Aos 77 anos, Hernández apostou na estética populista para atrair votos. Semelhante ao que faz Jair Bolsonaro (PL) no Brasil, o extremista tem organizado caravanas de motos ou caminhonetes. Ele já afirmou ser admirador do nazista Adolf Hitler e, somente quatro anos depois, em 2021, disse que se confundiu e queria dizer Albert Einstein.

Sempre envolto em polêmicas, o Trump da Colômbia agrediu, em 2018, quando ainda era prefeito, um vereador na frente das câmeras. Durante uma audiência ele se levantou e bateu na cabeça do vereador. Segundo o presidenciável, o que motivou a agressão foi o comportamento do vereador, que não parava de falar. O ocorrido rendeu um afastamento por três meses do cargo e uma indenização de 95 milhões de pesos, cerca de R$ 113 mil.

Outra semelhança com Jair Bolsonaro está nos seguidores de Hernández, que costumam vestir a camisa da seleção de futebol da Colômbia, como forma de demonstrar patriotismo. O maior ponto de dissidência, porém, é o posicionamento quanto a liberação das drogas. Hernández se diz favorável a legalização da maconha e afirma que o país tem a melhor canabis do mundo, o que pode gerar fonte de emprego e renda. Ele não descarta a legalização da cocaína também.

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record e Congresso em Foco. Foi repórter de rede da Band, Bandnews TV e rádio BandNews FM, em Brasília. Fundador do Regra dos Terços, é host do Podcast Distraídos.

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