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Ratinho incita assassinato da deputada Natália Bonavides por discordar de projeto

Ratinho incita assassinato da deputada Natália Bonavides por discordar de projeto
Deputada Natália Bonavides (PT-RN) é alvo de incitação ao assassinato. (Foto: Najara Araújo/Câmara dos Deputados)

O comunicador Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho, utilizou de sua rádio Massa FM, para fazer insinuações machistas, preconceituosas e com incitação ao homicídio contra a deputada federal Natália Bonavides (PT-RN). Na última quarta-feira (15), o apresentador sugeriu “pegar uma metralhadora” contra a petista por discordar de um projeto apresentado por ela.

“Natália, você não tem o que fazer, não? Você não tem o que fazer, minha filha? Vá lavar roupa a caixa do teu marido, a cueca dele, porque isso é uma imbecilidade querer mudar esse tipo de coisa. Tinha que eliminar esses loucos? Não dá para pegar uma metralhadora, não?”, disse Ratinho, que também é apresentador do STB.

O incentivo ao assassinato da deputada surgiu porque Natália Bonavides é autora do projeto de lei (PL) 4004/21, sobre respeito à diversidade na celebração dos casamentos civis. No PL é sugerido que os termos “marido e mulher” sejam retirados das celebrações dos casamentos civis.

Em sua conta do Twitter, Natália relembrou que Ratinho cometeu um crime. “O apresentador Ratinho sugeriu que eu fosse metralhada, em programa visto por milhares de pessoas. Incitar homicídio é crime! Ele coloca a minha vida e minha integridade física em risco. Ratinho ainda disse que eu fosse lavar as cuecas de meu marido”, comentou.

A deputada pretende processar o apresentador pelas falas. “Essas ameaças e ataques covardes não ficarão impunes. O apresentador utilizou uma concessão pública para cometer crime. Vamos acioná-lo judicialmente, inclusive criminalmente”

Movimentos sociais e parlamentares dos mais variados partidos se solidarizaram com Bonavides. Para Talíria Petrone (PSOL-RJ) são inadmissíveis “os ataques do apresentador Ratinho à deputada @natbonavides, ao sugerir a eliminação de uma parlamentar eleita. A violência política de gênero sendo endossada em rede nacional. Exigimos que ele seja responsabilizado”.

Como o Regra dos Terços mostrou em reportagem publicada hoje, a violência política de gênero atingiu ao menos 53% das as mulheres eleitas para o cargo de prefeitas nas eleições de 2020. 30% delas vivenciaram situações de assédio ou violências simbólicas. 22% não recebem apoio do partido ou da base aliada e 23% relataram que já tiveram falas ou o trabalho desmerecido. Os dados são do Instituto Alziras.

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais entrevistou 63 candidatas trans sobre violência política. Dessas, 91% afirmaram que já sofreram discriminação por serem candidatas trans. Dentre as ouvidas pelas pesquisa, 31 foram eleitas. 80% disseram não se sentirem seguras para exercer o cargo e que foram vítimas de ameaças (50%), ataques online (38%) e violência física (12%). 

No caso da petista, colegas de partido se solidarizaram com a situação. O deputado Paulão (PT-AL), coordenador do Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania da Bancada do PT, enfatizou que o apresentador atacou “de forma vil” a deputada. “E ele a ataca, ferindo princípios democráticos da nossa Constituição, do nosso Código Penal, porque ele ameaça e sugere que ela deveria ser metralhada”, denunciou.

Paulão apresentou um ofício ao procurador da Câmara dos Deputados, Federal Luis Tibé (Avante-MG), para que a Procuradoria analise e proteja Natália contra todos os ataques. “Nós deveríamos ter uma unidade de ação independentemente de partido, bloco de Oposição ou Situação nesta Casa, que não aceite que esse canalha do apresentador Ratinho seja vil e covarde em atacar a deputada Natália Bonavides, por causa de um projeto que ela apresentou”, disse.

A deputada Erika Kokay (PT-DF), afirmou que não há inocência nas palavras do Ratinho ao dizer que a deputada Natália Bonavides deveria ser metralhada. “As palavras se transformam em ações. Aliás, as palavras são a ponte entre o pensamento e a própria ação. As palavras, os discursos de ódio se transformam em balas, em hematomas. Eles viram estatística”, alertou.

O deputado Airton Faleiro (PT-PA) reforçou que a parlamentar foi ameaçada simplesmente por propor um projeto. “Não é possível que alguém que tenha o poder de ter um veículo e comunicação ameace uma parlamentar e jogue a opinião pública contra ela, porque ele estava induzindo uma perseguição e um ataque da opinião pública, de pessoas contra ela. É uma vergonha que isso esteja acontecendo no Brasil. Quando se fala em regulamentar a mídia, a imprensa, muita gente pula longe, mas esse fato é inaceitável”, disse.

Jandira Feghali (PCdoB-RJ), relembrou que o Brasil registra um caso de feminicídio a cada 6 horas e meia. E disse que o comunicador “precisa ser investigado e responsabilizado por ameaça e incitação ao ódio e ao homicídio”.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) exigiu “que Ratinho seja responsabilizado pelas declarações”. O Instituto Marielle Franco afirmou que “a violência política e de gênero contra parlamentares é brutal e discursos como esse, onde há incitação ao ódio, não devem ser tolerados”.

Erick Mota

Jornalista com passagem em grandes veículos de comunicação, como RICTV Record, Gazeta do Povo e Congresso em Foco. Foi repórter de rede da Band e Bandnews TV e rádio BandNews FM, em Brasília. Fundador do Regra dos Terços.

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