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Adeus para Alfred

Adeus para Alfred
Foto: Canva

Desde que voltei eu voltei de Brasília eu estou hospedada na casa da Eline. Ela passou um tempo viajando e agora está morando com o namorado, embora ela ainda não esteja pronta para admitir isso. Mas o fato é que eu estou aqui e, de repente, numa noite qualquer, eu não consegui dormir por causa de um barulho estranho. Eu falei disso com ela e a Eline, NA MAIOR NATURALIDADE, disse “ah sim, é o Alfred”. 

O Alfred é um rato do tamanho de uma garrafa pet de 600 ml que estava em algum lugar embaixo do assoalho e toda noite parecia estar cavando seu caminho entre o concreto para chegar na superfície. E a Eline, notem, zero abalada com essa informação. Eu passei quatro noites sem dormir e quase me divorciei. Afinal, meu marido, medicado, dormia como um anjinho enquanto nosso lar estava na iminência de uma invasão e isso me deixou muito brava. Sim, é irracional. Mas me deixem, eu estava sem dormir.

Até que hoje, meu cachorro achou o Alfred. Sim, eu tenho um cachorro que estava quase tão pleno quanto a Eline com o fato de ter um rato dentro de casa EM UM LUGAR ATÉ ENTÃO DESCONHECIDO. Alfred estava atrás do rack. 

Meu marido resolveu incorporar um homem das cavernas, pegou um pedaço de pau e tinha um plano brilhante em mente: matar o rato atrás do rack – em cima do qual está a TV da Eline que deve custar uns cinco mil reais. Minha reação foi a mais racional possível: fui pro lado de fora da casa, subi numa mureta e fiquei lá esperando o desfecho. 

Acontece que o Erick deixou o rato fugir para a cozinha e quis A MINHA AJUDA na caça ao Alfred. Risos. Óbvio que eu me neguei, pois eu não estava vestida com nenhum traje da Nasa para garantir que Alfred não tocaria em nenhuma parte do meu corpinho. Eu me ofereci para ir chamar um vizinho para ajudar, mas ele não quis. Ah, a autoestima do homem hétero. 

De tanto o Erick reclamar que eu não estava fazendo nada – embora eu estivesse em cima da mureta com uma visão panorâmica valiosíssima para a situação -, eu resolvi criar coragem e descer para ajudar. Mas é óbvio que o Alfred estava só esperando eu tocar meus lindos pezinhos no chão para atacar.

Dois segundos depois que eu entrei em casa, Alfred sai da cozinha e de repente nós estávamos ali, frente a frente na sala. Mais uma vez, eu fiz a coisa mais sensata a se fazer em tal situação: gritei a plenos pulmões como se estivesse correndo risco de morte. (Desculpem, vizinhos). Nesse momento Alfred ficou meio atordoado, quis voltar pra cozinha, Erick apareceu, minha vista escureceu, coração acelerou e eu voltei pra mureta – tudo isso sem parar de gritar nem para respirar. 

Alfred correu atrás de mim (GENTE, O QUE QUE EU FIZ PRA MERECER ISSO??), mas meu cachorro resolveu fazer alguma coisa e correu atrás de Alfred, que acabou indo parar no meio do jardim e provavelmente indo parar no País das Maravilhas de Alice. Eu sigo tremendo, com certeza terei pesadelos e ainda não estou tranquila porque Alfred ainda está vivo e pode voltar A QUALQUER MOMENTO. E ele está bravo. 

Rezem pela minha integridade física. E mental. 

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Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

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