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O DIA SEGUINTE: AS REAÇÕES DA CLASSE POLÍTICA E DO MERCADO AO GOLPISMO DE BOLSONARO

O DIA SEGUINTE: AS REAÇÕES DA CLASSE POLÍTICA E DO MERCADO AO GOLPISMO DE BOLSONARO
Foto: Clauber Cleber Caetano/PR

Os presidentes dos Poderes Legislativo e Judiciário, além de outras figuras públicas, se manifestaram nesta quarta-feira (8) em defesa do respeito à Constituição e à democracia após os discursos golpistas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O presidente participou de manifestações com pautas antidemocráticas no feriado da Independência do Brasil e chegou a dizer que não cumprirá mais ordens do ministro Alexandre de Moraes.

Bolsonaro
Foto: Clauber Cleber Caetano/PR

A reação mais contundente partiu do Poder Judiciário. O presidente do STF, Luiz Fux, foi enfático ao afirmar que “ninguém fechará essa Corte” no início da sessão no plenário desta quarta-feira (8). Segundo Fux, Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade ao dizer que não obedecerá a ordens judiciais. “Se o desprezo às decisões judiciais ocorre por iniciativa do chefe de qualquer dos poderes, essa atitude, além de representar um atentado à democracia, configura crime de responsabilidade a ser analisado pelo Congresso Nacional”, disse. 

Fux colocou diretamente a responsabilidade sobre o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que tem a atribuição de abrir um processo de impeachment contra o presidente da República. Até agora, mais de 130 pedidos já foram protocolados na Câmara. Depois das manifestações golpistas do feriado, partidos como PSDB, PSD, Solidariedade e MDB já falam em apoiar o impeachment de Bolsonaro. Os partidos devem discutir o tema ao longo dos próximos dias. 

Nesta quarta-feira (8), dirigentes de 12 partidos de centro e de esquerda vão se reunir para discutir o impeachment de Bolsonaro. Devem participar Carlos Lupi, do PDT, Roberto Freire, Cidadania. Bruno Araújo, do PSDB, Gilberto Kassab, do PSD, Carlos Siqueira, do PSB, ACM Neto, do DEM, Baleia Rossi, do MDB, Gleisi Hoffmann, do PT, José Luiz Penna, do PV, Luciana Santos, do PCdoB, Paulinho da Força, do Solidariedade, e Juliano Medeiros, do PSOL. A reunião está marcada para às 19 horas.

Lira, porém, tentou colocar panos quentes na situação em seu pronunciamento nesta quarta-feira (8). O deputado garantiu o respeito à Constituição, a realização das eleições e pediu que todos os poderes “voltem ao trabalho”.

“Conversarei com todos e todos os poderes. É hora de dar um basta nesta escalada em um infinito looping negativo. Bravatas em redes sociais, vídeos e um eterno palanque deixaram de ser um elemento virtual, e passaram a impactar o dia a dia do Brasil de verdade”, afirmou Lira. 

Já o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), foi mais enfático ao comentar os atos antidemocráticos de 7 de setembro. Pacheco defendeu nesta terça-feira (7) “a absoluta defesa do Estado Democrático de Direito”. “Ao tempo em que se celebra o Dia da Independência, expressão forte da liberdade nacional, não deixemos de compreender a nossa mais evidente dependência de algo que deve unir o Brasil: a absoluta defesa do Estado Democrático de Direito”, escreveu Pacheco.

O ministro do STF, Luís Roberto Barroso, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e um dos alvos preferenciais dos ataques de Bolsonaro, também se manifestou. “Brasil, uma paixão. Brancos, negros e indígenas. Civis e militares. Liberais, conservadores e progressistas. Desde 88, a vontade do povo: Collor, FHC, Lula, Dilma e Bolsonaro. Eleições livres, limpas e seguras. O amor ao Brasil e à democracia nos une. Sem volta ao passado”, afirmou.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, também se manifestou e defendeu a separação dos Poderes. “A independência entre os Poderes pressupõe harmonia. Sem esta, o equilíbrio transfigura-se em conflito permanente”, disse.

Mercado reage a golpismo de Bolsonaro

Não foi apenas a classe política que reagiu ao comportamento golpista do presidente. O discurso de Bolsonaro também eleva o grau de incerteza na economia. Com o discurso contra o STF, porém, Bolsonaro praticamente inviabiliza uma saída negociada para o parcelamento dos precatórios, que permitiria a criação de um programa social em substituição ao Bolsa Família. 

Nesta quarta-feira (8), o principal índice de ações da bolsa de valores de São Paulo, a B3, opera em queda. Por volta das 16 horas, o Ibovespa recuava 3,09%, a 114.222 pontos. Enquanto isso, o dólar alcançava os R$ 5,30. 

Em seu discurso, o presidente do STF destacou que Bolsonaro deveria enfrentar os “problemas reais” do Brasil e citou o desemprego, a inflação e a pandemia de coronavírus. “Em nome das ministras e dos ministros desta Casa, eu conclamo os líderes do nosso país a que se dediquem aos reais problemas que assolam nosso povo: a pandemia que ainda não acabou e que já levou para o túmulo mais de 580 mil vidas brasileiras e levou a dor a esses familiares que perderam entes queridos. Devemos nos preocupar com o desemprego que conduz o cidadão brasileiro ao limite da sobrevivência biológica. Nos preocupar com a inflação que corrói a renda dos mais pobres. E a crise hídrica que se avizinha e que ameaça a nossa retomada econômica”, afirmou. 

Lira também seguiu a mesma linha em seu pronunciamento, mas disse que a crise é “superdimensionada”. O presidente da Câmara citou a gasolina que atingiu R$7 em alguns lugares do país e a alta do dólar. Apesar disso, afirmou que a crise está sendo supervalorizada nas redes sociais. 

Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

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