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Relacionamentos são como um Fusca

Fusca

Foto: Pixabay

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Peço licença aos românticos incorrigíveis para fazer uma analogia sobre namoro e casamento. Relacionamentos são como ter um fusca. Falo com conhecimento de causa de quem é casada e já teve um Fusca amarelo 1973 como o primeiro carro da juventude. 

O Fusca amarelo foi meu primeiro carro, construído praticamente das cinzas pelo meu pai. E eu amava andar de Fusca por aí. Achava super divertido. Dava carona para os amigos, ia para a faculdade, para a balada, para projetos sociais. Bons tempos.

Mas ele também me irritava um pouco, às vezes. Faltava embreagem, faltava freio, faltava acelerador, ficava sem bateria, o volante era meio duro e difícil de manobrar. Às vezes era um defeitinho só. Às vezes eram vários, acumulados. 

Mas eu nunca abandonei totalmente meu Fusca. Depois de perder o freio e bater em um muro, o Fusca ficou lá, aposentado na garagem da minha mãe, todo quebrado. E até hoje eu resisto a ideias como vender para um ferro velho porque, afinal, ele é meu Fusca amarelo 1973 construído praticamente a partir das cinzas pelo meu pai logo que eu tirei habilitação.

O que isso tem a ver com relacionamentos? Tudo. O relacionamento – qualquer um que envolva a convivência intensa – também tem seus altos e baixos. Meu casamento é ótimo. Eu tenho um marido super parceiro. A gente dá risada, se diverte, ele está comigo nos meus melhores momentos, nos piores. Ele está sempre aqui e eu posso contar com o amor quase incondicional dele, mesmo eu não sendo exatamente a pessoa mais fácil do mundo de se amar. 

Mas também tem dias em que não é tão fácil. Tem as fases ruins. Às vezes é só uma louça na pia. Ou uma toalha molhada em cima da cama. Ou uma carga mental maior do que a que eu acho justo. Um problema nas finanças. Mas às vezes é tudo isso junto.

Tem dias que, mesmo amando meu marido eu tenho vontade de passar umas duas semaninhas solteira. Assim como, mesmo achando meu Fusca o máximo, eu tinha vontade de vez em quando de tacar fogo nele quando ele estragava no centro da cidade no horário de pico sem aviso prévio. 

Mas o importante é que eu nunca fiz nenhuma das duas coisas. Nunca desisti do relacionamento. Nem nunca taquei fogo (de propósito) no Fusca. É isso. Eu nunca cogitei trocar meu Fusca – tá, às vezes eu cogitava trocar – nem vender para o ferro velho. 

Os relacionamentos são um pouco assim. É bem legal, mas às vezes dá raiva. O importante é identificar que, mesmo nos momentos de raiva, a gente não quer se desfazer deles. 

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