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Relatório prevê vitória das democracias e futuro sombrio para autocratas no mundo

Relatório prevê vitória das democracias e futuro sombrio para autocratas no mundo
Foto: HRW

Apesar do senso comum de que o autoritarismo está em ascensão no mundo e a democracia em declínio, a ONG Human Rights Watch vê um apelo popular ainda forte por democracias que respeitem os direitos e um “futuro sombrio” para os autocratas. Mesmo assim, a ONG alerta em seu relatório anual publicado nesta quinta-feira (13) que “os autocratas estão aproveitando seu momento ao sol em parte por causa das falhas de líderes democráticos”. Para a ONG, os líderes democráticos atuais não estão correspondendo aos desafios que têm pela frente.

“Seja a crise climática, a pandemia de Covid-19, a pobreza e a desigualdade, a injustiça racial ou as ameaças da tecnologia moderna, esses líderes costumam estar ocupados em batalhas partidárias e preocupações de curto prazo para resolver esses problemas de maneira eficaz”, diz a ONG.

O relatório da HRW chama atenção para o surgimento de líderes com tendências autocráticas em democracias outrora ou ainda estabelecidas e cita o Brasil como exemplo devido ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo o documento, o Brasil está nesta categoria ao lado de países como Hungria, Polônia, El Salvador, Índia e Filipinas.

Segundo a ONG, “o apelo superficial da tese de uma ascensão autoritária esconde uma realidade mais complexa – e um futuro mais sombrio para os autocratas”. De acordo com a análise, “como as pessoas veem que governantes autoritários inevitavelmente priorizam seus próprios interesses em detrimento do interesse público, a demanda popular por democracias que respeitem os direitos frequentemente permanece forte”.

Apesar do otimismo em relação as democracias, a HRW destaca que para que elas prevaleçam, seus líderes devem fazer mais do que destacar as falhas inevitáveis dos autocratas. É preciso defender o governo democrático.

“Isso significa trabalhar melhor para responder aos desafios nacionais e globais – garantindo que a democracia entregue os resultados prometidos. Significa defender instituições democráticas, como tribunais independentes, imprensa livre, legislaturas robustas e sociedades civis vibrantes, mesmo quando isso acarrete um escrutínio indesejável ou desafios ao poder executivo. E exige elevar o discurso público em vez de alimentar nossos piores sentimentos, agindo com base em princípios democráticos em vez de apenas expressá-los, buscando a união diante de ameaças iminentes, e não a divisão da sociedade na busca por outro mandato improdutivo”, diz o relatório.

Para a ONG, se as autoridades democráticas continuarem a decepcionar e se forem incapazes de demonstrar a liderança visionária que esta época requer, “elas correm o risco de alimentar a frustração e o desespero que são um terreno fértil para os autocratas”.

Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

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