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RELATÓRIO DA ONU MOSTRA QUE MUDANÇAS CLIMÁTICAS CAUSADAS PELO HOMEM SÃO IRREVERSÍVEIS E SEM PRECEDENTES

RELATÓRIO DA ONU MOSTRA QUE MUDANÇAS CLIMÁTICAS CAUSADAS PELO HOMEM SÃO IRREVERSÍVEIS E SEM PRECEDENTES
Foto ONU/ Mark Garten

Um novo relatório das Nações Unidas mostra a influência humana no aquecimento do planeta num ritmo sem precedentes pelo menos nos últimos 2 mil anos. Com isso, as consequentes mudanças na temperatura e nos extremos climáticos afetam todas as regiões do mundo. As alterações causadas pelas emissões de gases de efeito estufa no passado e no futuro serão irreversíveis daqui a séculos ou milênios, segundo o documento. As mudanças mais destacadas serão em oceanos, geleiras e no nível global no mar. 

Foto ONU/ Mark Garten

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o documento é “um código vermelho para a humanidade”, com uma evidência irrefutável: as emissões de gases a partir da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento estão sufocando o planeta e colocando bilhões de pessoas em risco.

O relatório Mudança Climática 2021: a Base das Ciências Físicas, foi adotado pelos 195 membros do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O relatório é parte de um estudo maior a ser finalizado em 2022, organizado por cientistas que representam 195 países, no qual a ciência se compromete a apontar como as ações humanas estão alterando o clima do mundo, alertar sobre quais serão os rumos do planeta caso não haja uma ação política e evidenciar a urgência em adotar políticas para reverter a crise do clima que já afeta todos nós.

Aquecimento global

O documento prevê que a temperatura global da superfície terrestre vai continuar aumentando até pelo menos meados deste século, considerando todos os cenários de emissões. Até o fim do Século 21 poderá ocorrer um aquecimento global acima de 1,5 ° C e 2 ° C, a menos que haja reduções profundas nas emissões de CO2 e outros gases de efeito estufa nas próximas décadas.

O relatório é publicado após a atualização sobre a ciência e o clima de 2013, quando governos se preparam para apresentar planos de redução de emissões na Cúpula do Clima, COP-26, agendada para novembro em Glasgow, na Escócia. 

Para António Guterres, líderes de governos e de empresas e as sociedades precisam se unir em torno de políticas, ações e investimentos para limitar o aquecimento da temperatura. O secretário-geral lembra que o mundo “deve isso à família humana, em especial às comunidades e nações mais vulneráveis e pobres, que são as mais atingidas pela emergência climática”. O secretário-geral acredita ser possível evitar uma catástrofe climática, se houver, imediatamente, união de forças.

Os efeitos das mudanças climáticas

Entre os efeitos de mudanças atribuídas à influência humana no oceano estão o aquecimento, a frequência de ondas de calor marinhas, a acidificação e a baixa dos níveis de oxigênio. O IPCC prevê que esses efeitos devem continuar a longo prazo, pelo menos no resto deste século, afetando ecossistemas dos mares e pessoas que dependem deles. 

Em cidades, fenômenos como calor e inundações fortes podem piorar com a maior precipitação em todas as regiões. Com um cenário de aquecimento global a 1,5 ° C haverá mais ondas de calor, maior duração de estações quentes e menos frio. Para o aquecimento global a 2 ° C , os extremos de calor atingiriam mais frequentemente o nível crítico de tolerância para setores como agricultura e saúde. De acordo com o relatório, haverá mudanças em padrões de umidade e aridez. 

A forte onda de calor que atinge a Europa há duas semanas já tem causado destruição. A Grécia e a Turquia sofrem com incêndios, que obrigam a população a deixar suas casas em diversos pontos dos países. A ilha de Eubeia, na Grécia, é a mais atingida. Mais de 1.300 pessoas precisaram ser resgatadas via mar entre sexta-feira (6) e sábado (7).

O relatório do IPCC prevê chuvas mais intensas e inundações associadas. O documento afirma que as secas serão mais intensas em muitas regiões e a precipitação deverá aumentar em zonas altas, diminuindo em grande parte das regiões subtropicais.

Em julho, um temporal histórico atingiu a Alemanha, onde bairros inteiros ficaram destruídos pelas inundações e deslizamentos de terra. As enchentes deixaram mais de 120 mortos na Europa. Também foram registradas enchentes na Bélgica, Holanda e Luxemburgo.

Em áreas costeiras o nível do mar continuará aumentando no Século 21, segundo o relatório da ONU. A situação deverá agravar as enchentes em regiões costeiras baixas, bem como a ocorrência da erosão. Eventos extremos antes registrados a cada 100 anos nos mares podem ocorrer a cada ano.

Espera-se ainda o degelo do solo permanentemente gelado, o permafrost, e a perda da cobertura de neve sazonal. Esse fenômeno será acompanhado de derretimento de geleiras e glaciares, além da perda de gelo do mar Ártico durante o verão.

Guterres defende que a capacidade para as energias solar e eólica seja quadruplicada até 2030 e pede que os investimentos em energias renováveis tripliquem, para que a trajetória de zero emissões seja mantida até meados deste século. 

O secretário-geral lembra que o aquecimento global está afetando todas as regiões do planeta Terra, sendo que muitas mudanças são irreversíveis, já que as concentrações de gases de efeito estufa atingiram níveis recorde. 

O papel do Brasil nas mudanças climáticas

Segundo o Greenpeace, o Brasil tem um papel fundamental no enfrentamento da crise do clima, que passa pelo fim do desmatamento da Amazônia, principal fonte de emissões de gases do efeito estufa.

No último mês de julho, porém, a Amazônia teve 1.417 km² desmatados. De acordo com um mapeamento feito pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o acumulado de alertas de desmatamento em 2021 na Amazônia foi de 8.712 km². É a segunda pior temporada em cinco anos, segundo os dados do Deter.

“O Brasil segue vítima dos desmontes ambientais orquestrados pelo governo de Jair Bolsonaro e executado pelo Congresso Nacional, que se recusa a ter metas ambiciosas para conter a ação humana na destruição do meio ambiente. Ao invés de se preocuparem em adotar políticas públicas para conter nosso maior fator de emissões de gases de efeito estufa, nossos governantes seguem aprovando projetos de lei que premiam a ação de grileiros, uma chaga colonial que desrespeita os povos indígenas, as comunidades tradicionais, e todos os brasileiros que já são atingidos pela crise do clima”, declara Fabiana Alves, Coordenadora de Clima e Justiça do Greenpeace Brasil.

Kelli Kadanus

Kelli Kadanus, jornalista, cronista, tia coruja. Escrevo para tentar me entender e entender o mundo. É assim desde que aprendi a juntar sílabas. Sonho em mudar o mundo e as palavras são minha única arma disponível.

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