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Por que municípios da Amazônia produzem mais poluentes do efeito estufa? Entenda

Por que municípios da Amazônia produzem mais poluentes do efeito estufa? Entenda
(Foto: Christian Braga / Greenpeace)

Nesta segunda-feira (13), um relatório do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), referente à 2019, apontou que oito dos 10 municípios brasileiros mais poluentes, quando o assunto é efeito estufa, estão na Amazônia. Nesse sentido, o relatório ressalta o desmatamento excessivo como causa para a emissão de mais de 60% do carbono liberado pelo Brasil na região menos populosa do país – isto é, a região Norte. 

Dos 5.570 municípios brasileiros pesquisados no levantamento, cinco entre os dez mais poluentes são do Pará. O SEEG mede a emissão de gases causadores do aquecimento global pela unidade de medida CO2e, que reúne todos os tipos de gases, do gás carbônico ao metano. No ranking da emissão de gases do efeito estufa em milhões de toneladas de CO2e, lideram Altamira (PA), com 35,2 milhões; São Felix do Xingú (PA), com 28,9 milhões; Porto Velho (RO), com 23,3 milhões; Lábrea (AM), com 23,2 milhões; e São Paulo (SP), com 16,6 milhões.

Os dados comprovados cientificamente pelo SEEG contradizem as declarações mais recentes do presidente Jair Bolsonaro (PL) na Cúpula das Américas, realizada nos Estados Unidos na última sexta-feira (10). Bolsonaro afirmou que reforçou o combate ao desmatamento na Amazônia, mas em 2019, durante seu primeiro ano de governo, o SEEG registrou recordes de florestas derrubadas em municípios da região Norte do país, especialmente no Pará.

A relação direta entre aumento do desmatamento e emissão de gases poluentes do aquecimento global torna-se evidente no caso do município brasileiro mais poluente, Altamira (PA). Em 2019, ano da estimativa do SEEG, a cidade paraense registrou o maior índice de desmatamento da Amazônia. Com mais de 575 km² de floresta perdidos, a região desmatada em Altamira tornou-se mais propensa a queimadas, fazendo com que o  Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectasse 3,8 mil focos de calor na cidade.

Desmatamento gera gás carbônico

O desmatamento aumenta o efeito estufa pelo próprio ciclo de decomposição ou queima da matéria orgânica de uma árvore, que emite a mesma substância que a compõe quando morre: carbono. Em um processo natural de morte da árvore, o próprio ecossistema é capaz de absorver e reciclar a matéria orgânica. O problema é quando a floresta é derrubada antes de o ciclo natural da vida se impor, causando a emissão de outros gases além do carbono, como o metano (CH4), que equivale a 25 toneladas de CO2; e o óxido nitroso (N2O), que equivale a 270 toneladas. Isso ocorre devido ao processo forçado de oxidação depois do desmate, que transforma o carbono em CO2 e, em condições anaeróbicas (sem oxigênio), pode até virar gás metano.

Geração de energia e seus impactos

São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus integram a lista de dez municípios mais poluentes do Brasil não devido ao desmatamento, mas à liberação de carbono para produzir energia elétrica. Com emissão de 11,9 milhões de toneladas de CO2e, a capital paulista lidera o ranking de poluentes emitidos pelo setor de energia. Mesmo não estando na lista geral das dez cidades que mais emitem gases do efeito estufa, Manaus é a segunda cidade que mais libera carbono para a produção energética brasileira, com 7,5 milhões de toneladas de CO2e. Mesmo sendo menos populosa que São Paulo e Rio, a capital do Amazonas tem o maior número de usinas termelétricas do país, o que justifica sua alta emissão de carbono. Em terceiro lugar, está o Rio de Janeiro. 

Outro setor que representa 5% da emissão de gases poluentes no Brasil é o de resíduos, ou seja, do lixo produzido diariamente. A capital carioca é líder no ranking, emitindo 5,5 milhões de toneladas de CO2e através dos resíduos produzidos. Apesar de São Paulo ter mais habitantes e, consequentemente, uma maior produção de lixo, a capital paulista tem um aproveitamento energético de biogás em seus aterros sanitários que reduz o índice de emissão de poluentes na comparação com a capital fluminense. 

Letícia Fortes

Estudante de Jornalismo na PUCPR e estagiária do Regra. Escrevo para evidenciar e esclarecer assuntos que exigem nossa atenção, pois essa é minha forma de defender uma comunicação humanizada, acessível e engajada socialmente.

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